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Acerca de Anderson's...

Hollywood é um gigantesco cadinho demente de fumos e fogos fátuos. Ali se fundem todos os sonhos e pesadelos possíveis de se imaginar.  Senão, atentem, como mero exercício, neste trio de realizadores, que, por falta de melhor expressão que defina o interesse ou a natureza relevante deste post, decidi chamar-lhes apenas de os " Anderson's ". Cada um mais díspar que o outro, e contudo, todos " Anderson's ", e abundantemente prolíficos e criativos dentro dos seus géneros. Acho fascinante, daí querer escrever sobre eles e, no mais comum torpe da embriaguez, tentar encontrar alguma similitude entre eles, além do apelido; " Anderson ". Começarei por ordem prima de grandeza, na minha opinião, e é esta que para aqui interessa, não fosse este um blogue intrinsecamente pessoal onde explano tudo e mais qualquer coisa que me apeteça. Sendo assim, a ordem será do melhor para o pior destes " Anderson's ".  O melhor : Wes Anderson .  O do meio : Pau...

Saudades de ver bons filmes (XXIV)

Poderá " Absolutely Anything " ser considerado como o último filme dos 'Monthy Python'? Salvo a ausência do saudoso Graham Chapman, por motivos de já não se considerar entre os vivos à 26 anos, este filme de 2015, realizado pelo igualmente saudoso Terry Jones (1942-2020), reune, pelo menos em voz-off, os restantes cinco, dos seis membros deste fabuloso circo louco de comediantes. A premissa do roteiro, analisada à lupa de tantas imitações copiadas pelo mero absurdo do sentido de comédia desta genial trupe, não lhes chega aos calcanhares, nem por sombras. Também, após tantos anos a serem replicados e emulados, multiplicados e imitados em incontáveis comédias " nonsense " não pelo seu real sentido original, aquele que diferenciou o supracitado grupo, mas porque realmente não faziam nem fazem grande sentido de existirem. torna-se muito difícil insistir na originalidade do contra-senso. Contudo, muitos dos seus elementos ali se encontram, mesmo assim. É um filme...

Saudades de ver bons filmes (XX)

Alfonso Cuarón produziu um pequeno milagre: fazer-nos acreditar que um filme esteticamente anacrónico e desgastado narrativamente é uma obra-prima. Roma tem muitas virtudes, mas também muitos defeitos e cada um, depois de o ver, saberá se o primeiro supera o último ou vice-versa. Entre os defeitos, aponto como irremediável o seu esteticismo memorialista, a repetição do deslocamento lateral da câmara torna-se até maçadora, e mesmo a reconstrução da época, que a princípio surpreende favoravelmente, logo se transforma em um mero exibicionismo da capacidade de produção (a cena do incêndio florestal é a mais feia e mais justa de todo o filme). Entre as virtudes, ressalvo a recuperação de Leo Dan em uma das canções mais refinadas de seu período mexicano e a viagem final ao mar, que cumpre exatamente a função narrativa e poética que o filme precisava para fechar. As paisagens de Roma são muito semelhantes às paisagens romanas de Fellini (especialmente as grandes aberturas que...

Saudades de ver bons filmes (XIX)

Selvagens. Livres. Experimentalistas como a própria Vida... Por vezes, a vida mostra-se mais dura do que parece ser possível aguentar, e começa-se a fingir que já  nem notámos a passagem dos dias. Tampouco já nem reparámos nos disfarces daqueles que nos rodeiam e o que nos apetece mesmo é mandar tudo às favas e partir. Despedirmo-nos de tudo um pouco e sair à aventura antes que passe a nossa vez. Metermo-nos à estrada, desfrutando deste mundo maravilhoso por todo. Contudo, epifanias desta natureza são coisas que requerem o seu quê de esforço. Não é coisa de somenos deixar-se uma vida inteira para trás das costas. Assim que encolhe-se os ombros e retorna-se ao facebook ou ao sofá. Mas os heróis insuspeitos existem, e foi o caso de Chris McCandless (interpretado no filme por Emile Hirsch). - Certo dia simplesmente decidiu tomar fôlego e colocar em prática o que muitos apenas sonham às escondidas. Foi. Tanto se dedicou à gloriosa tarefa de ser um puro espírito-liv...

Saudades de ver boas Séries... III

"No Século 19, quem sofria de doenças mentais era considerado alienado da sua verdadeira natureza. Os especialistas que os estudavam eram conhecidos como alienistas." Nova Iorque, 1896. Uma série de horripilantes assassinatos contra crianças, assombram as ruas, tomando conta da cidade. O Recentemente nomeado comissário da polícia, Theodore Roosevelt, o psicólogo criminal Dr. Laszlo Kreizler, o seu amigo John Moore, ilustrador do New York Times e Sara Howard, a tenaz secretária do comissário, determinada a ser a primeira detective feminina da cidade, lançam-se a tentar descobrir e capturar um dos primeiros ' serial killers ' nova-iorquinos. Repleta de uma atmosfera tornada deliberadamente opaca e quase intolerante à luz, de diferentes personagens, principais ou não, caracterizados todos muito ambiguamente, esta série agarra-nos logo desde o primeiro episódio pela sensação constante de perigo iminente, de insegurança. Põe-nos em bicos de pés e isso é das...

Hayao Miyazaki

A razão de pensar que a vida tem uma finalidade será sempre um alicerce para a construção de um homem. Os observadores, que entendem esta razão como substância humana, facilmente a discernem perante uns mais do que em outros. Talvez seja esta a molécula da genialidade. Se assim for, não tenho dificuldade alguma em apontá-la neste senhor: Hayao Miyazaki (1941-2018) Desde pequeno que gosto de banda-desenhada e de filmes de animação. Ao crescer, felizmente que não perdi esta propensão, apenas a depurei, e os filmes saídos do mítico Estúdios Ghibli (Tóquio), do qual Miyazaki foi co-fundador em 1985, sempre me ajudaram nessa tarefa tão grata de me deixar simplesmente deslumbrar pelas histórias encantadas que foram produzindo ao longo dos anos. Apenas para citar aqueles realizados por Hayao Miyazaki, recordo: " O Castelo no Céu " (1986),  " Totoro " (1988), " Porco Rosso - O Porquinho Voador " (1992), " Princesa Mononoke " (1997), ...

O Artista que faz falta Conhecer

Um dia desenhei um rectângulo largo em uma folha de papel-cavalinho, não foi salto nenhum, pois em anos antigos, já me tinha lançado a fazer rabiscos aqui e ali. Em pastel sobretudo, e uma vez cheguei ao acrílico, mas aquilo eram vãs tentativas sem finesse alguma. As artes plásticas são um mistério ainda, e uma das minhas grandes decepções como ser humano criador. Essa e a música. Creio até que terei começado a escrever por me faltar jeito para o desenho e para os instrumentos de sopro. Assim que voltemos ao meu rectângulo. Esquissei-o de vários ângulos e adicionei-lhes cornijas e janelas. Alguns sombreados. Linhas rectas e perspectiva autónoma, cor e até algum peso acumulado. Longe do real mas muito aproximado deste. Quando dei por mim tinha o Mosteiro (Stª. Clara) desenhado, em traços grosseiros e pôs-me feliz ter chegado ali, até me dar conta que cometera plágio. O meu subconsciente foi buscar o trabalho do Filipe Laranjeira ao banco da memória, e sem me pedir licença, copiou...

E Deus, Pina?

C atolicos recasados sao aconselhados a abster-se de ter relacoes sexuais Fui baptizado, e depois sacramentado com a primeira comunhão e ainda mais consagrado com a solene. Passei por tudo isto e só escapei por pouco de ser crismado, porque tinha um teste importante nessa semana. Mais tarde, casei-me pela igreja também e, em todas estas ocasiões usei sapatos que me foderam todo desde as plantas dos pés até à cabeça. Desde aí, desenvolvi pouca tolerância para esta forma de ser igreja.  Tanta hipocrisia não é caminho algum para um paraíso decente. Em vez de se estropiarem uns aos outros rebatendo todos estes séculos de instituição arreigada em discussões inúteis, vejam antes como o Fellini as deita por terra em uma cena brilhante do seu filme de 1972 "Roma". É hilariante, tanto, que muitas cenas desta sua película foram realmente censuradas pelo Vaticano, o que só indica a 'mouche' do alvo para onde apontou. Contra dogmas enraizados, só o humor nos sa...

A caminho de um qualquer futuro

Isto precisa de ser dito, e já!  É uma coisa que já sangra há muito e continua em ferida aberta, pois ninguém quer dizer realmente que ali está, sangrando profusa e exposta a infecções letais, vulnerável e tão frágil quanto uma criatura recém desabrochada entre algum gume impiedoso. - O enorme problema de muita gente, dita esclarecida e intelectual, é o de comparecerem apenas nos espaços de outros que tomam como seus superiores, dos quais almejam algo, ou para os quais os afectos menos puros os aproximam.  Procuram relações proveitosas, sugam tudo, sem remorsos e sem planos definidos para os seus futuros. Só querem  'ser', ou  esperam ocupar, em algum futuro provável, aquele mesmo espaço invariável de quem são meros súcubos. - Novamente aqui presente o imperativo tribal em acção nociva. Seus grandes tolos! I de ver apresentações e conferências dos "rascas", dos "ostracizados", dos "colocados no mesmo saco" porque não têm outro lugar onde...

Ver prémios como Unicórnios

Rais' partam os prémios literários que só contemplam ou autores (de editoras que possuem os recursos para lhes enviarem os exemplares requeridos) e que publicaram no ano anterior ou jovens, crianças até, em alguns casos, pululantes ranhosos cheios de acne e arrogância sem fim, impregnados de uma qualquer bravata literária, que continuo sem entender, de quererem ser escritores pela mera noção de que os escritores são especiais. É aquele ensejo grotesco e ilusório de se verem publicados, seja como for ou por quem for. (já me deixei desse pesadelo)  Resta uma panóplia de 'licitações' inglórias, tiros no escuro em clara evidência, a concursos viciados de inúmeras autarquias. Mandam-se uns 'mails' com o manuscrito anexo e esfrega-se a pata do coelho, ou lambe-se o trevo, aguardando alguma sorte vinda do espaço dos deuses decisores. - Que grande enxovalho! Na verdade, o 'autor' gasta o seu parco dinheiro a imprimir três ou cinco exemplares do seu manuscrito...

R.I.P. Shiva

ATENÇÃO - Este post contêm' Spoilers ' Gosto tanto, tanto de gatos. Gosto de animais em geral, de felinos em particular, mas, isto ou é banalmente ridículo da minha parte ou certas séries tem mesmo um poder catalisador sobre as nossas emoções, na maneira como nos fazem sentir tão afins com determinados personagens. Neste caso, com um tigre de Bengala, de 230 kgs. de seu nome SHIVA, que ontem morreu e morreu da forma mais horrivelmente possível para uma criatura de tal majestade. Para a linha dura de aficionados desta maravilhosa epopeia (TWD) por um mundo de mortos vorazes e vivos ainda mais assustadores que estes, e mesmo que esta temporada (8) ainda vá dando os seus primeiros passos, este foi o 4ª episódio, o fim do animal de estimação do Rei Ezequiel, sacrificando-se para o salvar, não poderia ser mais arrebatador e de partir o coração. Para ser justo, convêm não esquecer a morte de vários dos súbditos de Ezequiel, que logo se tornaram zombies e se levantaram em se...

The Walking Dead - Season 8

Confesso que esperava mais arrepios no episódio de estreia da nova temporada (8) da série que me vem apaixonando aos repelões desde 2010, (The Walking Dead - TWD ). Chegou potente e bem orientada no desenrolar da narrativa, mas não explodiu no ecrã, como é costume em um início, final, ou interlúdio de meia-temporada desta série tão rica em fait-divers , pormenores e até  easter-eggs descarados. Nesta série maravilhosa que não é somente sobre zombies (desenganem-se), não é o terror do apocalipse que vem sendo aqui descrito à minúcia, mas sim a natureza humana, face às adversidades mais impossíveis. Deixou-me em estado de anti-clímax, mas suponho que seria previsível que o fizesse, pois, a história precisa de ser construída e não apenas resolvida em um episódio de arromba. Como escritor, entendo isto, mas como 'seguidor', decepcionam-me os artifícios de um inicio que muitos aguardavam (após a apoteose da temporada sete) mais feito de queixos-caídos. Restou quiçá a quasi-hom...

Jerry Lewis II

Muitos talvez o desconheçam, mas o grande Jerry foi muito mais que um querido canastrão a fazer caretas e quedas abruptas em frente a uma câmera. Aquela persona nasalada de rapaz-homem, foi senão um lanço na longa estrada Jerry Lewis.  É de atentar a pequena mão-cheia de actores de comédia que realmente se tornaram lendas, e ele, sem dúvida que é aqui se enquadra. A sua forma de actuar era tão simples e pateta que acabava por se tornar genial em simultâneo. Veja-se com um olho crítico alguns trechos dos seus melhores filmes, e entender-se-á de imediato o quão inspirado ele era. Os dois realizadores que melhor souberam trabalhar o seu talento foram: Frank Tashlin (" The Disorderly Orderly" 1964, " It's Only Money" 1962,  " Cinderfella" 1960, " Rock-a-Bye Baby" 1958)  e Norman Taurog, este segundo, dirigindo-o em pequenas pérolas do inicio da sua carreira, alguns destes ainda em parceria com Dean Martin. Tendo sido esta dupla, Martin ...

Bons tempos, para variar.

O Ministério Público acusou dezoito agentes da PSP da esquadra de Alfragide de " tortura, sequestro, ódio racial, ofensa à integridade física, comportamento cruel, degradante e desumano, falsificação de documentos, denúncia caluniosa e injúria agravada ". Isto já vem detrás, de um caso ocorrido na Cova da Moura em 2015, um alegado assalto, e, como consequência, a acusação do Ministério Público parece ser muita coisa ao mesmo tempo, em um país onde nos habituamos a encarar estas situações como quem lança balões e não aguarda que aconteça grande coisa.  Agora aconteceu. E ainda bem.  Normalmente vai tudo para o arquivo morto e assim fica. Desta vez, não ficou. É bom que se mudem os paradoxos. Aparentemente, o s rapazes foram severamente brutalizados e ficaram detidos dois dias sem motivo aparente.  Que eu saiba, a Cova da Moura não pertence à Coreia do Norte, nem os agentes da esquadra de Alfragide, são interrogadores em Guantánamo. De modo que, isto é um c...

A obsessão não tem piada

É uma obsessão muito minha, reconheço, esta de me enraizar em ideias fixas, até me livrar delas definitivamente e voltar a ficar com o contentor vazio, ajustado a novos conteúdos.  Se calhar, talvez seja mais apropriado, assumir de uma vez por todas que sofro de obsessão compulsiva pelo sentido das coisas.  Por outro lado, é muito incomum da minha parte, chegar aqui e falar descontraídamente dos livros dos outros, sejam estes de grandes génios ou decepções puras, esgadanhadas em papel, por meros profanadores da sagrada arte da escrita. Como escrevo também, não me cabe dizer nada sobre terceiros, só pelo risco de haver quem goste e me chame à atenção por ser melhor crítico que escritor, ou pelo prazer de deitar abaixo quem não merece, pois ninguém merece ser atirado ao chão por tentar seja o que for. É uma disrupção como qualquer outra, por vezes tentadora, só que não o faço, nunca, jamais... não gosto de provocar desconhecidos nem de me ajoelhar aos pés de vacas sagradas...

Canção para solitários a meias

Tenho clara noção dos haters que vou trazer contra mim ao escrever isto, mas tem de ser.  A canção dos irmãos Sobral que levantou a pátria onde Camões morreu de fome, faz-me uma certa espécie, sobretudo pela letra; um amante pede ao seu amante (que já não o ama) que volte, pois ele irá “amar pelos dois”, na vã esperança que, com o tempo, o amante “reconsidere” o amor perdido. Considero este tipo de “filosofia amorosa” prejudicial. Eu próprio tenho quase como arrumados os meus assuntos sentimentais, mas faço questão de ensinar aos meus filhos o exacto oposto, não vão estes acabar aí pelos cantos a fungarem amores perdidos. Coisa que dói muito ao coração de um pai. Tendo em conta este meu ponto de vista, a música da Luísa Sobral  tem um jogo harmónico muito semelhante ao que se escuta na bossanova, com sétimas e menores e menores de sétima e bemóis e sustenidos. Não é uma composição nada fraca, não senhor. Vou até mais longe, manifestamente arriscando atirar à consi...

A Lista Mágica do meu Futuro

24 livros com a incrível magia das palavras. Gabriel Garcia Márquez, tornou-se para sempre o "meu" escritor. Enquanto crescia como pessoa, mais ou menos esclarecida, mais ou menos culta, sobretudo pateta, teria eu 16 ou 17 anos de mera tensa impedância, alternada entre a displicência natural da juventude, e a ambição rigorosa de algum percurso determinado, acabei por descobri-lo, graças ao Círculo de Leitores.  O primeiro livro dele que li, foi " O Outono do Patriarca ". Arrebatou-me de imediato, pois, até então, graças ao cartão de sócio do Círculo do meu pai, o meu amor pelos livros vagueou promíscuo pelos grandes clássicos; dos Americanos aos Russos, passando pelos Franceses e até alguns Ingleses, todos consumidos com algum grau de arrojo incerto.  Ao terminar as leituras, de muitas destas obras que surpreendentemente Marquez aqui referencia, restava-me sempre a vontade irresistível de viver nalgum paraíso alheio. Contudo, n...

Oh Lucille que fizeste tu?

A equipa de produção da série "The Walking Dead" não tem nada de estúpida. Claro que sabem que neste momento, milhões de fãs se encontram roídos de ansiedade com o estonteante final da mid-season 6, sobretudo com Negan, quiçá o mais perfeito vilão em toda a série, mas estão perfeitamente cientes sobre o que andam a fazer: As pessoas andam a falar sobre o assunto!  - Atenção que se ainda não viu o episódio da última segunda-feira este texto vai-lhe estragar o suspense. - Quem terá sido o infeliz, e querido personagem, que " Lucille " (este é o nome que Negan atribuiu ao seu taco de baseball de estimação, a sua arma preferida, incrustada com arame farpado), terá sido transformado numa espécie de polpa disforme de carne, sangue e ossos esmigalhados? Alguns sugerem ser possível alinhar o ângulo de onde Negan se posicionava, para determinar a sua vítima. Outros apontam que a sombra que percorre o rosto do Rick sugere que seria alguém à sua esquerda (Maggie...

Só.

Para quê existir além da presença? Nunca seremos capazes de estar em lado algum. Como se pudéssemos nós ser árvores perenes, carregadinhos de folhas caducas. Mas, tentámos na mesma. Tentámos? É extraordinário ser humano fora de toda a humanidade. Já tentaram? - Parece que se ganha uma braçada de novos sentidos físicos em acréscimo àqueles que já nos consistem; Visão, tacto, audição etc... razões sobejas de existências banais! Sensibilizar o sentido da solidão, por exemplo, é uma experiência quase de catarse, um pulo de bravura insensata que apraz. Potenciar a modorra numa espiral, mais e mais, até se alcançar o topo da monotonia e descobrir novidades desconhecidas. É preciso determinação contudo. A mortalidade absoluta deste objectivo ocorre no instante da tentação normal dos dias. O corte radical das relações mais íntimas é imprescindível. O boicote, a pura dedicação ao acérrimo desgosto de tudo e por todos, condição inequívoca. Para quê existir e depois voltar atrás no pio...

O Horror dentro de todos.

Lamento a forma propícia, de quase profana alimentação sistemática de determinados egos dormentes, que a propagação de certas imagens suscitam. É quase como se aguardassem a iminência do horror para se mostrarem humanos pela primeira vez. Lamento também a frase que escrevi antes desta, por pensar primeiro na acusação sumária e só depois, mais profundamente, na necessidade de se mostrar uma criança morta numa praia como mote para uma acção de choque. Igualmente lamento a humanidade, eu incluído, sempre dividida neste dilema. Se prestarmos atenção, é fácil perceber que não há realmente uma guerra aberta entre mostrar e não mostrar. O que há é apenas um choque de desconfortos, que nada mais é que a discussão contínua sobre o entendimento do horror, e sobre a dúvida de se devemos ou não lavar as mãos nesta água suja e mudarmos imediatamente de imagem, ou nos forçar ao entendimento destas mesmas imagens, sujando-nos também no processo. Já quase me havia esquecido, e lamento-o de i...