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Pensar sem sair do sítio.

  "Há pessoas adoráveis e há pessoas detestáveis. E depois há aquela indiferença... " Diz o Edmundo De Amicis em: "Coração - Dos Apeninos aos Andes" Ponho-me a pensar nisto todos os dias, como se fosse um mantra que me conduz ou reduz os dias da vida. Já nem sei. A busca do que somos deveria passar pelas pessoas que nos compõem. Na grande maioria de nós, só passa mesmo cá por dentro, onde os vazios insistem em não se deixar preencher. E depois, há aquela indiferença que só nos atrapalha a descoberta. A viagem que conta, tem de estar lá fora, estou certo disso, mas só penso, só penso...e não vou a lado nenhum.

A necessidade de consolo é impossível de satisfazer

...

“Every something is an echo of nothing”  ―  John Cage

Sentidos Parabéns...

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,  Eu era feliz e ninguém estava morto ." Aniversário (1929) - Álvaro de Campos

Escrever,escrever,escrever..morrer.

"Escreveu um drama: disseram que se julgava Shakespeare Escreveu um romance: disseram que se julgava Proust Escreveu um conto: disseram que se julgava Chekhov  Escreveu um diário: disseram que se julgava Pavese  Escreveu uma despedida: disseram que se julgava Cervantes  Deixou de escrever: disseram que se julgava Rimbaud Escreveu um epitáfio: disseram que se julgava defunto." Augusto Monterroso - escritor guatemalteco (texto encontrado por si em um cemitério)

Era uma vez...na Venezuela

Um artigo muito interessante sobre a Venezuela, de Ferreira Fernandes, no DN do último Sábado. Parece quase uma história do próprio Garcia Marquez. " Dias mais tarde, em Caracas, um jovem barbeiro que fazia vídeos sobre rebeldes sem causa apresentou-me cangalheiros. Eu queria saber porque recusavam eles fazer velórios noturnos quando o morto era de gangues juvenis. Contaram-me: tornara-se hábito na juventude transviada levar o falecido para uma última ramboia pela noite de Caracas. " Pode ler o texto completo aqui .

Pensamentos Avulsos XXI

"Entre hipóteses em competição, aquela que formular menos assunções deverá ser seleccionada" Frei Guilherme de Ockham (1280-1349) Hoje em dia é conhecido como " Occam's Razor " ou o princípio da parcimónia, que basicamente afirma que as soluções mais simples, têm mais probabilidades de estarem correctas do que aquelas que são mais complexas. - O que é provável, mas nem sempre verdade, nem é tampouco tido como uma regra. Só achei curioso ter sido pensado há mais de sete séculos, e ainda hoje ter relevância.

Saudades de ver bons filmes (XIX)

Selvagens. Livres. Experimentalistas como a própria Vida... Por vezes, a vida mostra-se mais dura do que parece ser possível aguentar, e começa-se a fingir que já  nem notámos a passagem dos dias. Tampouco já nem reparámos nos disfarces daqueles que nos rodeiam e o que nos apetece mesmo é mandar tudo às favas e partir. Despedirmo-nos de tudo um pouco e sair à aventura antes que passe a nossa vez. Metermo-nos à estrada, desfrutando deste mundo maravilhoso por todo. Contudo, epifanias desta natureza são coisas que requerem o seu quê de esforço. Não é coisa de somenos deixar-se uma vida inteira para trás das costas. Assim que encolhe-se os ombros e retorna-se ao facebook ou ao sofá. Mas os heróis insuspeitos existem, e foi o caso de Chris McCandless (interpretado no filme por Emile Hirsch). - Certo dia simplesmente decidiu tomar fôlego e colocar em prática o que muitos apenas sonham às escondidas. Foi. Tanto se dedicou à gloriosa tarefa de ser um puro espírito-liv...

Saudades de ver boas Séries... III

"No Século 19, quem sofria de doenças mentais era considerado alienado da sua verdadeira natureza. Os especialistas que os estudavam eram conhecidos como alienistas." Nova Iorque, 1896. Uma série de horripilantes assassinatos contra crianças, assombram as ruas, tomando conta da cidade. O Recentemente nomeado comissário da polícia, Theodore Roosevelt, o psicólogo criminal Dr. Laszlo Kreizler, o seu amigo John Moore, ilustrador do New York Times e Sara Howard, a tenaz secretária do comissário, determinada a ser a primeira detective feminina da cidade, lançam-se a tentar descobrir e capturar um dos primeiros ' serial killers ' nova-iorquinos. Repleta de uma atmosfera tornada deliberadamente opaca e quase intolerante à luz, de diferentes personagens, principais ou não, caracterizados todos muito ambiguamente, esta série agarra-nos logo desde o primeiro episódio pela sensação constante de perigo iminente, de insegurança. Põe-nos em bicos de pés e isso é das...

Pensamentos Avulsos XVII

Pensamentos Avulsos XIII

" Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade ", parece ter dito Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. " Uma verdade repetida mil vezes torna-se tão exausta no seu sentido que parece mentira ", digo eu, embora realmente ninguém me ouça. A diferença encontra-se em um lugar muito distante de mim. A eficácia da minha afirmação está vencida à partida pela falta de propaganda real.

Se foder, fume até lhe explodir tudo.

Esfumar a censura em mau gosto ou censurar o fogo libidinoso?

"What we've got here is ... failure to communicate"

Paul Newman "Cool Hand Luke" 200 ovos foram preparados (cozidos), para uma das cenas mais emblemáticas do filme " Cool Hand Luke " de Stuart Rosenberg (1967).  Através da sempre prodigiosa  magia  da edição cinemática, Paul Newman teve apenas de ingerir cerca de sete ou oito destes, vomitando-os de seguida para um balde de lixo, assim que o realizador gritava "corta". Os restantes foram consumidos pelo elenco e equipa, o que levou à tumultuosa e famigerada epidemia de flatulência durante as filmagens do dia seguinte. Isto é apenas um insignificante ' fait-divers ' deste extraordinário filme, que deslinda as razões de ser do personagem principal e também a sua ascensão a herói entre a comunidade de prisioneiros muito consistentemente bem construídos a partir do romance de Frank Pierson.  "Luke" é basicamente um perfeito niilista, alguém que deixou de encontrar sentido na existência, e as razões para tal são muito bem esclareci...

Na Mouche

Correntes D'Escritas 2018

“As palavras envergonhar-se-iam do corpo que as escreve. Seria, provavelmente a maior ironia do mundo dos homens. Um ser nunca é digno de ser maior do que as suas palavras. O que escrevemos é sempre maior do que nós. O que tendemos a ser é o que a realidade nos pede. Ser é apenas uma prerrogativa dos deuses e alguns homens são geralmente incompreendidos. Somos tão pequenos ante o que escrevemos e só por isso o que se escreve nos atormenta porque, por vezes, se escreve mesmo”. Hélder Simbad - Escritor Angolano - Mesa 5 nas Correntes do dia 23-02-18