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A mostrar mensagens com a etiqueta Textos diversos

Acerca de Anderson's...

Hollywood é um gigantesco cadinho demente de fumos e fogos fátuos. Ali se fundem todos os sonhos e pesadelos possíveis de se imaginar.  Senão, atentem, como mero exercício, neste trio de realizadores, que, por falta de melhor expressão que defina o interesse ou a natureza relevante deste post, decidi chamar-lhes apenas de os " Anderson's ". Cada um mais díspar que o outro, e contudo, todos " Anderson's ", e abundantemente prolíficos e criativos dentro dos seus géneros. Acho fascinante, daí querer escrever sobre eles e, no mais comum torpe da embriaguez, tentar encontrar alguma similitude entre eles, além do apelido; " Anderson ". Começarei por ordem prima de grandeza, na minha opinião, e é esta que para aqui interessa, não fosse este um blogue intrinsecamente pessoal onde explano tudo e mais qualquer coisa que me apeteça. Sendo assim, a ordem será do melhor para o pior destes " Anderson's ".  O melhor : Wes Anderson .  O do meio : Pau...

Dia do Pai

  Houve sempre tempo para morrer melhor. Talvez fosse mais especial esperar o baque do fim ou até quem sabe, arrojar-me ao futuro cheio de mais hipocrisias que a maioria. - Quem poderá saber? - O Futuro é quase tão imprevisível como a vontade de morrer. Ando nisto há demasiado.  Quiçá me acovarde sempre. Quiçá seja daqueles organismos pusilânimes que aguardam a salvação do último segundo. Só que esses não se entregam realmente. É teatro apenas, puro melodrama. Eu não sou desses, nunca fui. Arraso tudo e todos à primeira. - Só! Então o que sou, realmente? Serei a verdade no sangue derramado, o realismo dos comprimidos em excesso, a paixão mal-conseguida do mergulho inevitável naquele mar que jamais nos devolverá? Fui tudo isso e porém, ainda aqui estou a escrever este texto presunçoso que pouco explica só faz referências e apelos e alusões e tretas por demais. É nojento este texto, é nojento porque implica com a morte como se esta fosse um espectáculo trivial sobre o qual se pu...

Os meus 80's foram melhores que os vossos!

  Ron Howard, Steven Spielberg, Martin Scorsese, Brian De Palma, George Lucas, Robert Zemeckis e Francis Ford Coppola. O " Cinema d'Auteur " nunca é tudo para um cinéfilo. A intelectualidade exponencia e refina é certo, expõe-nos a mundos extraordinários de outras culturas e gerações, de outras vivências e expressões. Enriquece-nos, mas também nos cansa. Por vezes, a nostalgia intromete-se e sentimos aquele ardor sublime pelos filmes que também fomos vendo enquanto crescíamos, e depois partimos a buscar aqueles que os fizeram. A sua descoberta traduz-se em uma surpresa assaz agradável. Foram como nós . Ávidos exploradores de um cinema despistado da carreteira normal, comercial. Porque todo o bom autor busca o passado para se inspirar. Todo o grande artista se amanha na esperança de alcançar o mesmo nível de qualidade e estrutura daqueles que os antecederam. A única diferença entre nós, é que estes ousaram as suas próprias originalidades, sustentadas pelo seu amor pelo cin...

Textos Devolvidos V

   Após ter lido o patético, ego-absorvido, multi-divulgado, tão imensamente descarado, tão pulhamente marketizado, grandemente apoiado pelo sistema editorial podre que persiste neste nosso país, do 'post' do Afonso Reis Cabral , sobre a sua experiência ao ser linearmente recusado por uma editora americana de renome, senti uma saída impetuosa de vómito a emergir-me da boca calada por tanto tempo. Já não me senti capaz desta mudez persistente.  De que espécie de gente é que realmente se constituí o edifício editorial deste Portugal? Quais são os seus arquitectos e, identificados, porquê que o caminho da prostituição lhes pareceu tão apelativo quanto aparentam? - Foda-se! - Eu sei, toda a gente sabe, que o indivíduo em questão, é bisneto ou tetraneto ou o caralho que o foda do enorme Eça de Queiróz . Movido por essa gesta familiar escreveu umas coisas. Foi galardoado, óbvio! Quem é que acham que este pântano de gente vai admirar? Um filho de um alfaiate que ama escrever, ma...

A omelete perfeita é a farsa do mito de Sísifo.

Tantos, tantos ovos derramados na escalada. Tanto queijo e fiambre atirados aos dentes ávidos da má execução. Insisto nesta coisa da perfeição e é como uma fuga inconsciente à realidade. Não há perfeição em lado algum. Há tentativas e erros. Malogros e quase-sucessos. Há todo o peso da existência anterior a empurrar-nos para um lugar onde julgamos não querer estar, mas que, se calhar, é onde devemos de estar. Parece tudo desconexo? Sim, parece. Nenhum ovo é perfeito, e jamais um ovo imperfeito fará a perfeita omelete. Isso baralha-me todo. Repetição infinita? Onde caralho estou nesta metáfora imperfeita?  Quem sou? - Repito. - Quem sou? - Repito... Não! Não quem sou. Existir exige algum sentido de revolta, não é? Como sou? Como sou? Como...de novo o desespero da repetição: Fiambre, ovo, omelete, queijo, conjunto ou singular? Formado ou a caminho? Que espécie de homem serei afinal? Sufoco amiúde e entro de joelhos na desesperança de nunca obter respostas no dilúvio de perguntas dest...

O grosso do mundo

Retornei a voltar a reiniciar um fresco percurso. Ando a tentar caminhar novamente. Para já, só no labirinto da minha cabeça, mas aguardo a aberta para sair e meter os pés na terra-fel e seguir.  Ontem, mais uma vez, debative-me com a 'difícil' tarefa de apertar os cordões dos sapatos, a simplicidade desta acção versus a tarefa hercúlea de a executar, sempre me põe alerta. Bufei tanto que quase me saía a vontade por detrás. - Apertei-os e depois olhei lá para fora. - Vou caminhar! - Disse, determinado. Não fui. Sentei-me e comecei a beber, habitual...Dentro, era como uma mola inútil. Inútil por não saltar como fazem as molas. De que serve algo que não faz aquilo para que serve? Será o meu corpo desenhado para caminhar...ou, para beber? Bebi mais enquanto a luta filosófica me colocava no meu tamanho humano. As fronteiras, as barreiras postadas em um batente sobre a minha vontade, são o muro de sempre. Ser saudável, saudável o suficiente para conseguir apertar os cordões dos sapa...

O Padre que me leu um livro, e gostou.

  Padre Mário de Oliveira O padre Mário de Oliveira, o padre da Lixa como ficou conhecido, morreu ontem, e não venho cá com intenções de vos mover, seja para que lado for. Tampouco intento prestar-lhe qualquer homenagem póstuma. - Jamais necessitaria das minhas palavras frágeis para se elevar. - Foi simplesmente um homem do clero que se atreveu a questioná-lo - só por isso, já o elogiaria. Todavia, não é por isso que sobre ele escrevo. - É um texto que me circunda, não a ele, em particular. Sou iminentemente egocêntrico, muitos já mo apontaram, e eu, nunca rechaçarei essa identificação. Sou-o! Antes de mais, devo clarificar-vos acerca da situação deste senhor que, sendo clérico ordenado, tornou-se apócrifo por opção e pôs-se do lado da verdade, escrevendo de coração impoluto, contra a pensadura tacanha da instituição grotesca onde ele próprio antes se havia adequado  pelo mistério que aí o conduziu, somente pela estranha e insondável fé de usar a própria cabeça. O pensamento l...

As Eleutérias foram uma Rave.

  Em tempos idos celebrava-se as Eleutérias. Isto, basicamente se resumia a um bando de homens injectados de testosterona a justificarem a si mesmos a última carnificina. Metiam ali no meio o Zeus, e meter o Zeus é quase igual a meter Deus. - Caramba! É só uma letra de diferença. Tenham dó. - O importante era que, algum grupo, exército, nação, acabasse de trucidar outro, dedicasse a vitória ao correspondente suserano e fizesse a festa em seu louvor. Todos excitados de sangue e espírito, como se fossem eles mesmos a representação do Criador no campo de batalha e na Terra em geral. Uma vez isto reconhecido, há que avançar para o dia seguinte. Aqui é que as coisas se complicavam.  É que o Homem, fosse de que nação fosse, de que exército, de que etnia, de que religião, jamais soube lidar com o que viria a seguir. A festa fenecia ao ritmo do rubor vivo das brasas das fogueiras, e, com estas, a noção da razão da sua presença ali. Da mera intenção de antes estar excitado e agora trôp...