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Saudades de ver bons filmes (XXIII)

  ...grandioso Poitier. saudoso Poitier. corajoso Poitier. Enorme Sidney desbravador. 

Saudades de ver bons filmes (XX)

Alfonso Cuarón produziu um pequeno milagre: fazer-nos acreditar que um filme esteticamente anacrónico e desgastado narrativamente é uma obra-prima. Roma tem muitas virtudes, mas também muitos defeitos e cada um, depois de o ver, saberá se o primeiro supera o último ou vice-versa. Entre os defeitos, aponto como irremediável o seu esteticismo memorialista, a repetição do deslocamento lateral da câmara torna-se até maçadora, e mesmo a reconstrução da época, que a princípio surpreende favoravelmente, logo se transforma em um mero exibicionismo da capacidade de produção (a cena do incêndio florestal é a mais feia e mais justa de todo o filme). Entre as virtudes, ressalvo a recuperação de Leo Dan em uma das canções mais refinadas de seu período mexicano e a viagem final ao mar, que cumpre exatamente a função narrativa e poética que o filme precisava para fechar. As paisagens de Roma são muito semelhantes às paisagens romanas de Fellini (especialmente as grandes aberturas que...

Saudades de ver boas Séries... IV

Para meu grande gáudio, estão de regresso as temporadas 9 de " Shameless ", 10 de " Modern Family " e 12 de " The Big Bang Theory ". O meu sorriso bem que necessitava de um novo ardor neste Inverno, e ei-lo: E para não deixá-lo esmorecer, também comecei a seguir as primeiras temporadas de " Future Man ", " The Kominsky Method " e " Kidding ". Tenho riso garantido pelo Inverno fora.

Saudades de ver bons filmes (XIX)

Selvagens. Livres. Experimentalistas como a própria Vida... Por vezes, a vida mostra-se mais dura do que parece ser possível aguentar, e começa-se a fingir que já  nem notámos a passagem dos dias. Tampouco já nem reparámos nos disfarces daqueles que nos rodeiam e o que nos apetece mesmo é mandar tudo às favas e partir. Despedirmo-nos de tudo um pouco e sair à aventura antes que passe a nossa vez. Metermo-nos à estrada, desfrutando deste mundo maravilhoso por todo. Contudo, epifanias desta natureza são coisas que requerem o seu quê de esforço. Não é coisa de somenos deixar-se uma vida inteira para trás das costas. Assim que encolhe-se os ombros e retorna-se ao facebook ou ao sofá. Mas os heróis insuspeitos existem, e foi o caso de Chris McCandless (interpretado no filme por Emile Hirsch). - Certo dia simplesmente decidiu tomar fôlego e colocar em prática o que muitos apenas sonham às escondidas. Foi. Tanto se dedicou à gloriosa tarefa de ser um puro espírito-liv...

Saudades de ver boas Séries... III

"No Século 19, quem sofria de doenças mentais era considerado alienado da sua verdadeira natureza. Os especialistas que os estudavam eram conhecidos como alienistas." Nova Iorque, 1896. Uma série de horripilantes assassinatos contra crianças, assombram as ruas, tomando conta da cidade. O Recentemente nomeado comissário da polícia, Theodore Roosevelt, o psicólogo criminal Dr. Laszlo Kreizler, o seu amigo John Moore, ilustrador do New York Times e Sara Howard, a tenaz secretária do comissário, determinada a ser a primeira detective feminina da cidade, lançam-se a tentar descobrir e capturar um dos primeiros ' serial killers ' nova-iorquinos. Repleta de uma atmosfera tornada deliberadamente opaca e quase intolerante à luz, de diferentes personagens, principais ou não, caracterizados todos muito ambiguamente, esta série agarra-nos logo desde o primeiro episódio pela sensação constante de perigo iminente, de insegurança. Põe-nos em bicos de pés e isso é das...

Dia sim, dia não uma beleza antiga

Yul Brynner

O Arquipélago Precioso

No próximo Sábado, dia 8, pela 16h00, em Vila do Conde. Com a auréola que lhe outorga a habitual inquietude, o Helder carregado de pruridos põe-se constantemente a descobrir e a inovar. Ouso quase afirmar que possui um daqueles espíritos indomáveis que só se saciam a experimentar as barreiras. Barreiras essas, que cedo entendeu que nunca poderão ser bem definidas, no que à arte diz respeito. Por norma remete-nos ao incompreensível em um tempo onde só queremos compreender tudo à pressa. Isto diz que, a melhor percepção da obra de um artista é descoberta quase sempre naquilo que não entendemos. E quiçá nunca tenha sido esse o seu grande objectivo, dar-nos lições sobre a sua arte, porém, não restam dúvidas que a sua atitude quase ‘camaleónica’ na relação com a sua arte sempre em modo de descoberta, acaba por nos ensinar muito acerca da própria história da arte em si. Desta feita, o mote do seu mais recente movimento de artífice encaminhou-o para uma área de arquipélagos...

Saudades de ver bons filmes (XVIII)

Ao contrário do que muitas imaginações menos tolerantes acreditam, este blogue não se chama da forma como se chama, por ser eu um 'arrogantezinho de merda' ( ipsis litteris ) que só quer ver o mundo partido em bocados e reorganizado à sua maneira. É verdade que sou amiúde tomado por certas e determinadas arrogâncias, e é uma merda que o seja por vezes, pois só me lixa a vida. Porém, "O Mundo de Acordo com Miro" não é mais nem menos que uma homenagem, um singelo tributo a um pequeno grande filme que sempre adorei: " The World According to Garp ". Esta inteligentíssima produção de 1982, realizada por George Roy Hill, onde o malogrado Robin Williams interpreta o papel principal, - uma das grandes prestações da sua carreira, por sinal, - em um registo dramático, e porém sempre imerso naquela sua muito própria inocência cómica, que transparecia sem esforço quando o permitia, sempre me tocou em nervos e delírios muito particulares. Creio até, que o facto de a...

Saudades de ver boas Séries... II

No próximo dia 11 de Novembro, o mundo irá certamente promover a celebração do centésimo aniversário do último dia desta guerra. A décima primeira hora, do décimo primeiro dia do décimo primeiro mês em que a humanidade finalmente gritou basta!  Contudo, tão insensata guerra (Não serão todas assim? São pois!) foi onde o Homem se apercebeu de que as guerras já não eram aquela coisa galante e nobre de outrora, que nos impulsionavam a elas com um sorriso garboso nos lábios e uma atitude desprendida de medos no espírito. Esta guerra mostrou-nos a nossa bestialidade oculta, o nosso grotesco lado mais cruel e então terá sido dito: "Ser esta a guerra para terminar todas as guerras.." - Sabemos bem que não o foi, e sabemos também, que todos nós, como membros da raça humana, não nos permitimos a libertação deste desolador móbil de 'se fazer a guerra', de nos atirarmos à nossa própria destruição e desgraça, porque, a guerra, move-nos e ganha-nos e perde-nos muito mais em si...

Saudades de ver bons filmes (XVII)

. .. surpreendentemente góticos e grotescos. O filme de Robert Aldrich " What Ever Happened to Baby Jane " (1962) vem quebrar muitos 'telhados de vidro' à época.  O mais patente de todos refere-se ao 'hollywoodismo em queda', em efeito, a drástica mudança do, até então firmemente estabelecido, sistema de estúdio, vigente e perpassante em todos os seus aspectos inerentes, para um cinema libertado, produzido independentemente, e assim, desimpedido do jugo omnipresente da 'fábrica de cinema' dos estúdios que prevaleceu em indiscutível hegemonia até princípios dos anos 60. - Predominantemente durante os anos 30 e 40 do século passado, a vida de um qualquer actor, realizador, ou variedade de artista ligado a esta maravilhosa indústria, nascia, vivia e morria sob a mão controladora destes dirigentes tirânicos. Neste filme em particular assistimos à história opressora de duas irmãs. Uma, Baby Jane Hudson (interpretada por uma irrepreens...

Saudades de ver bons Filmes (XVI)

. ..Surpreendentemente devastadores. Tony Musante e Martin Sheen em "The Incident" (1967) Agrada-me sempre descobrir filmes que ainda consigam a proeza de me perturbar sem fazerem recurso aos mais comuns estratagemas. Isto não é realmente exacto, ou totalmente verdadeiro.  Os 'truques' de facto estão lá, as habituais artimanhas facciosas que são e sempre foram marca registada do 'cinema  exploitation ' de série B; a gratuitidade da violência insensata, o argumento devassado, fracos valores de produção, a utilização de actores desconhecidos (apesar de se munir de uma mão cheia de excelentes actores de segunda linha, muito familiares ao espectador mais aficionado, os dois protagonistas: Musante e Sheen, estreiam-se aqui. E mesmo que nunca tenham ouvido falar em Tony Musante - que faz aqui o papel da sua vida - certamente que já ouviram falar de Martin Sheen). Apesar e acima de qualquer género ou estereótipo, o grande espanto deste filme extra...

Saudades de ver bons Filmes (XV)

... maravilhosamente misteriosos!

Saudades de ver bons Filmes (XIV)

...absolutamente ternos e belos. Maravilhosos. Extraordinariamente perfeita a utilização do " Adagietto" (da Sinfonia N°5) do Mahler neste filme. É como se a música, sem recurso a mais artifícios, nos colocasse na frustração, na pele inquieta, na paixão incompleta do compositor  Gustav von Aschenbach , personagem exemplarmente interpretado pelo Dirk Bogarde, e nos fizesse também sofrer ao assistirmos o desenrolar da sua obsessão. Brilhante.

Estender a Pele pela Boca

A Não Perder!

Saudades de ver bons Filmes (XIII)

... em que compreendo tão bem os personagens. Terry : "You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am"

Saudades de ver bons Filmes (XII)

... devastadoramente perturbadores!

Saudades de ver bons Filmes (XI)

...mais natalícios que o bolo-rei e as rabanadas de saudade. Feliz Natal para todos os que visitam este meu mundo!

Grandes cabeças dão as mãos

Coberturas

Leitores do Porto (nem sei se tenho algum) ide à Flâneur, este Sábado, ver a pele a descascar pudins... Vale a pena. Eu, talvez vá ó possíveis leitores e seguidores (a sério que não sei se existis) se ainda ao menos conseguir arregimentar forças para sair de casa, vou de certeza, ou não. (o mais certo é não ir) Não escrevi nada para isto, falta-me a qualidade, mas, ide vós por mim, que isto é de um amigo, reune nomes sonantes e interessa tanto. Ide. Pelos amigos, tudo. (ou quase tudo - não sei mesmo se conseguirei sair da casa.) Ide e façam novos amigos e novos contactos (eu já não consigo). Tenho a pele toda pálida e Crica.

A modos que são muito mais que meros títulos

Não é preciso muito para me entreter. Uma simples premissa, uma mão cheia de bons filmes, ou uma imbecilidade qualquer que a minha cabeça divisa para se ocupar entre as vagas de obscuridade. Hoje pensei na importância do casal Elaine e Saul Bass no cinema. Cada um a seu modo próprio, brilhantes designers, Elaine, que antes trabalhara na indústria da moda ' prêt-à-porter ' fez o seu caminho até se tornar assistente do grande designer gráfico Saul Bass, em 1955. Saul, que paulatinamente se tornara uma espécie de paradigma nessa actividade; trabalhou com e para:  Alfred Hitchcock , Stanley Kubrick , Otto Preminger , Billy Wilder , e Martin Scorsese inventando neste percurso desde finais dos anos cinquenta até meados dos setenta, uma espécie de nova tipografia cinematográfica. Aventurou-se igualmente na realização, dirigindo algumas curtas sem grande projecção e a  estranha e maravilhosa película de ficção-científica: " Phase IV " (1974), uma clara metáfora às pos...