Lembras-te da nossa ponte em Paris? Sim, eu sei. Existem pontes a ligarem lugares em todas as pessoas do mundo, mas aquela ficou a ser o nosso cliché, a nossa difusa eternidade. Soubemos da sua história, e que fora o Napoleão a levantá-la entre margens, imaginando que teria sido pelo amor da Josefina, que muito o achagava de ter de atravessar o rio a nado, vinda do Louvre. Para nós, aquela ponte era a história toda da nossa única Paris. Ouvimos o bradar da revolução das luzes ali mesmo, e choramos tanto quando a Maria Antonieta caminhou sozinha até à guilhotina, como naquele filme, lembras-te? Lemos o Hemingway e o Scott fitzgerald em cima daquela ponte, de mãos dadas, encostados aos aloquetes quentes. Vimos o Picasso, o Modigliani a espalharem luz e cor, e até a minha tia que nos emprestou o apartamento, parecia ter um segredo na memória que não podia contar para ninguém. Recordas...