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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro 4, 2011

Beijo desperto

Que tolice ser beijado e nem os olhos abrir!

Outros momentos sei-os efémeros, carícias passageiras,

Tão despojados que se esfumam no vazio do ar.

Mas este é nosso, e se outro igual não estiver para vir,

tonto seria entregando-o ao desperdício de tais peneiras.

Aqui me tens, de olhar aberto, que um beijo é de aproveitar!
1997

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A amizade - Parte I

O meu primeiro passo na vida real foi a descoberta dos amigos. Dois amigos em concreto, pois aprecio a exatidão das contas redondas, e um só, não me bastaria na altura, basta-me agora porém. O encontro com esses dois rapazes, foi o primeiro elemento moderador do meu precoce desvario. Agora sei que não eram tolices de criança o que lhes dizia, mas um embrião rudimentar da minha veia de narrador, de modo a tornar a realidade mais divertida e compreensível aos meus olhos. Nunca tive grande mérito de me conseguir sobressair nas coisas que formam uma pessoa normal. Pessoa normal? Sempre fui tudo menos isso, e eles assim mo apontavam regularmente, naqueles preceitos cruéis que só uma criança sabe apontar a outra. Todavia, não me demoviam essas pontadas, do aconchego da amizade recém-descoberta que já desde essa altura, em que mal havia ainda largado os cueiros da infância se fincou firme no meu íntimo estranho, e a eles também não.

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Maldade!

Sou um homem doente, sou mau. Nada tenho de simpático. Julgo estar doente do estômago, embora não o perceba nem saiba ao certo onde reside o meu mal. O sofrimento é a causa única da consciência humana; aprendi esta lição faz muitos anos, quando ainda me despontavam erupções de gordura na cara, e atónito, ouvia esta frase da boca do meu professor de história do décimo ano. Foi então que percebi que sou mau, pois nada que fosse humano, me fazia sofrer.
- Professor, então eu sou mau! – Respondi-lhe. Não o estava a questionar perante o que me dizia, afirmava-o com determinação, orgulhoso. Ele alçou-me os olhos sob a película espessa das sobrancelhas de uma alvura óssea, que lhe cobriam o olhar como prepúcios desgrenhados e disparou a contra resposta: - Quando quiseres saber algo sobre a maldade humana, vem ter comigo, que eu explico-te. Um rodopio de vozes açaimadas pelo medo ecoou pela sala de aula, mas bastou um gesto dele para que estas se sumissem num nada. No vácuo do silêncio parecia que…