Sou um homem doente, sou mau. Nada tenho de simpático. Julgo estar doente do estômago, embora não o perceba nem saiba ao certo onde reside o meu mal. O sofrimento é a causa única da consciência humana; aprendi esta lição faz muitos anos, quando ainda me despontavam erupções de gordura na cara, e atónito, ouvia esta frase da boca do meu professor de história do décimo ano. Foi então que percebi que sou mau, pois nada que fosse humano, me fazia sofrer. - Professor, então eu sou mau! – Respondi-lhe. Não o estava a questionar perante o que me dizia, afirmava-o com determinação, orgulhoso. Ele alçou-me os olhos sob a película espessa das sobrancelhas de uma alvura óssea, que lhe cobriam o olhar como prepúcios desgrenhados e disparou a contra resposta: - Quando quiseres saber algo sobre a maldade humana, vem ter comigo, que eu explico-te. Um rodopio de vozes açaimadas pelo medo ecoou pela sala de aula, mas bastou um gesto dele para que estas se sumissem num nada. No vác...