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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho 1, 2014

Contos de nós.

Para se ser completo, é preciso umcerto tipo desilêncio primórdio, da capacidade optimizada de sefiltrar todo o ruído em redor. Cada vez mais, nanossasociedadesediada em redes,tudo se torna demasiado intrusivo; cadamovimento erumor são imediatamente"postados", "tweetados", "instagramados" ou "blogados", e o assassinato sistemático da contemplaçãoque tanto desejamos, prossegue, num estranho tipo dedistração letal,uma derrocada a caminho da procrastinação absoluta, que surge dissimulada no guia de um saber estar. Mas estar onde? Com quem? E porquê? - Se estivermos sós, seremos bichos? Perderemos o estatuto de ser pessoa? - É quase como se nos marcassem o cérebro em brasa, a ferro, como se fossemos gado, e nos dissessem: se não estiveres aqui nem existes. Acostuma-te a isso, ou morre para aí, sozinho. Obrigado. Que não existo já eu sei. "A existência não é objectiva, mas uma realização subjectiva do eu". Isto já dizia Kierkegaard, não é n…

O Ego em construção

Gostava tanto de escrever coisas inteligentes e depois andar desprevenido por algum lado e ver-me citado numa parede. Coisas há que ainda me causarão surpresa, um dia. Será novidade e da novidade pouco haverá a dizer. Já sobre os dias, bem, os dias ainda são meus e escrevo-os. Se não fosse existirem outros mais inteligentes do que eu, certamente que seria citado mais vezes. Tenho os meus dias, sim, e esses ninguém mos tira. Ganhei-os com a dignidade possível, que ficou sempre muito abaixo daquilo que esperaria de mim. A escrita nunca me salvou, mas muito me vem consolando. Tantas e tantas vezes.
No quotidiano rebentado dos invisíveis nunca se passa nada de grave. Anda só uma bola de rancor a bater entre o peito e a cabeça. A bater e a bater, feito uma parede pareço. Tanto azedume que fica aqui posto, parado em nostalgias. De quê? Nem sei bem.
Não é difícil perceber que não se pode falar disto em outros lados, pois ninguém muito liga a assuntos inter-pessoais. Aqui, estou a trinta mil…