Todos os aniversários não são iguais. Quer dizer, todos os anos se tingem com um aniversário, é inevitável, mas nunca são da mesma cor interior. Este meu último, que foi ontem, pareceu-me mais escuro que o costume. Eu sei porquê. Não venho aqui aviltar ingenuidades. Foi-o pelas razões do costume: a minha aversão às pessoas em geral, às convenções sociais em particular, ao trato comum de entrega que traz retorno, a essas 'caixinhas' que todos trazem dependuradas na humanidade e que acabam pontilhadas nestes justos momentos. Falta-me a vontade de me imiscuir com o resto das pessoas que me compôem. Família, amigos, quase-amigos, relacionamentos, conhecidos...todo um rol de gente que me povoa a vida-carne, que, para mim, nunca chega a ser a vida-alma. É um defeito! Afastar-me, salva-me a posição inerente àquilo que de mais humano pode ter um humano, entregar-se sem barreiras ou rodeios. Sem restrições. Mais uma vez; como não me afundo na inércia de ser ingénuo ou hipócrita. Ou hi...