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A mostrar mensagens com a etiqueta Anos 80

Sentidos Parabéns...

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,  Eu era feliz e ninguém estava morto ." Aniversário (1929) - Álvaro de Campos

A Criança que se Acabou

Tantos anos depois ainda choro demasiado sempre que ouço esta música. "I've watched the children come and go A late, long march into spring I sit and watch those children Jump in the tall grass Leap the sprinkler Walk in the ground Bicycle clothespin spokes The sound, the smell of swingset hands I will try to sing a happy song I'll try and make a happy game to play "Come play with me" I whispered to my newfound friend Tell me what it's like to go outside I've never been Tell me what it's like to just go outside I've never been And I never will I'm not supposed to be like this I'm not supposed to be like this, but it's okay Hey, hey, hey, those kids are looking at me I told my friend myself, those kids are looking at me They're laughing and they're running over here They're laughing and they're running over here What do I do, what should I do? What do I say? What can I say? I said I'm not supposed ...

Saudades de ver bons filmes (XVIII)

Ao contrário do que muitas imaginações menos tolerantes acreditam, este blogue não se chama da forma como se chama, por ser eu um 'arrogantezinho de merda' ( ipsis litteris ) que só quer ver o mundo partido em bocados e reorganizado à sua maneira. É verdade que sou amiúde tomado por certas e determinadas arrogâncias, e é uma merda que o seja por vezes, pois só me lixa a vida. Porém, "O Mundo de Acordo com Miro" não é mais nem menos que uma homenagem, um singelo tributo a um pequeno grande filme que sempre adorei: " The World According to Garp ". Esta inteligentíssima produção de 1982, realizada por George Roy Hill, onde o malogrado Robin Williams interpreta o papel principal, - uma das grandes prestações da sua carreira, por sinal, - em um registo dramático, e porém sempre imerso naquela sua muito própria inocência cómica, que transparecia sem esforço quando o permitia, sempre me tocou em nervos e delírios muito particulares. Creio até, que o facto de a...

Piquenas estórias de amore XII

Por volta dos meus vinte, vinte e pico anos perdi um amigo à loucura.  Estava só. Atirou-se para baixo de um comboio porque lhe aparecia a N. Senhora na frente dos olhos em todo o lado. Aquilo punha-lhe o mundo todo em desacordo. Em uma caixa perfeita ia-lhe a cabeça metida no espaço desigual dos comuns, noutra, surgiam-lhe lamparinas, astros ilustrados, putas maravilhosas, crenças de infância queimadas a ferrete directamente no cerebelo, frustrações em cavalgadura, e acabou só alucinado, o meu pobre genial amigo. Só alucinado pela maldita doença. Ouvia música aleatória do John Cage e fazia abluções com drogas banais para parecer igual a toda a gente. Nunca resultava com toda a gente, só com aqueles que lhe sabiam a razão da loucura. Ele, por vezes, nem fazia caso à própria loucura ou àqueles que a maltratavam com palavras e desdém. Ele, louco, era mais puro que qualquer impostor que se fizesse de 'artista' ou de 'amigo'. ELE era muito melhor. Melhor, porque a ...

O dia do fim do Circo de Feras

José Pedro Amaro dos Santos Reis "Zé Pedro" (1956-2017) Fazem-se sempre elegias bacocas na hora da morte de algum artista ou figura famosa ou meramente conhecida. O Zé Pedro, aquele tipo bexigoso, cara de mau e 'perigosamente' tatuado, que tocava guitarra nos ' Xutos & Pontapés ' não é excepção. Muito se fala sobre ele no dia de hoje (é tão comum que se acabe sempre a falar destas pessoas no dia em que morrem. Enerva-me isto.)  O Miguel Esteves Cardoso por exemplo, escreveu assim, hoje, sobre ele: " O Zé Pedro era bem educado e sorridente. A boa educação consiste em tornar mais confortável e agradável a existência dos outros: bem cultivada, é uma forma de bondade. O Zé Pedro tinha essa bondade e, para mais, usava-a bem." O 'excelso' senhor Cardoso, que aparentemente, parece conhecer toda a gente em Portugal, lá saberá o que diz sobre o que escreve. É provável que fossem ambos mesmo amigos de abraço, não sei. E nem me intere...

Cápsula do Tempo...

... de um tempo de cabelos armados em excesso de laca e bigodinhos enxutos à 'porn-star' bem fingida no abono das virilhas. Pudendo ter nascido antes do tempo, seria um Fred Schneider ainda mais cromo que o próprio. Tão lindos e bizarros! O Keith, a Cindy, a Kate, o Ricky e o desbragado Fred com o seu olhar constantemente embriagado.  Queria que fosse hoje a primeira vez que os ouvi, para poder cair para o lado novamente. A estupefacção foi-me injectada. Só dói ter-me esquecido quem me ofereceu o " Cosmic Thing " naquele meu aniversário longínquo. De resto continuo caído em torpor. De espanto somente. De intensificado assombro.  Fui buscar uns discos antigos e passei uma parte da tarde a ouvi-los. Continuam a pôr-me movimentos involuntários nas ancas e canções na boca que não tem nem um terço do timbre da Cindy para as cantar. Porra! - Quase trinta anos depois ainda me espantam as teias de aranha da má disposição. Isto é coisa de enorme importância para u...

Saudade de ver bons Filmes (XII)

Chegou por fim às salas de cinema, o muito aguardado (por mim pelo menos) " England is Mine ", o filme que retrata a vida do icónico Morrissey, durante o período dos seus primeiros anos em Manchester, antes de vir a tornar-se o seminal vocalista e letrista dos " Smiths ". Produzido por  Orian Williams, o mesmo senhor que nos apresentou " Control "- 2007 realizado por    Anton Corbijn, que brilhantemente nos explana a omnipresente obscuridade e queda de Ian Curtis, o saudoso vocalista da banda " Joy Divison ", que se suicidou a meio dos seus vinte anos. " England is Mine ", tenta repetir o mesmo feito, aplicando  igual fórmula a Morrissey, e, ainda que o cartaz promocional diga: " Captura perfeitamente o enigma por trás de Morrissey, o maior ícone da música Indie ", o filme decepciona imenso fãs e curiosos por igual, pois sendo fiel à absoluta realidade do seu tempo de então, apresenta um Steven Patrick Morrissey, lo...

M is for Mundo, Cure is for Miro

Ser jovem outra vez e esclarecido desta vez.

Não sei bem explicar porquê, mas, esta canção marcou-me imenso quando a ouvi pela primeira vez, ali pelos arrabaldes dos pré-púberes oitentas. Por essa época nem conhecia quase nada do Bowie. Ouvira até à exaustão o " Let's Dance " e o " China Girl ", sem me fazer grande abalo ou alarido. Andava longe do 'glam' e à solta pelo gótico e pop alternativo. Só me apaixonei por ele quando conheci a minha namorada fanática pelo camaleão David, pelo herói David. A minha namorada que é agora a minha mulher e que me ensinou a gostar deste homem. Não é maravilhoso isto? Eu nunca a apanhei nesse exacto caminho, quer isto dizer, ela nunca se apaixonou assim, tão perdidamente, por nenhum dos músicos, bandas, artistas, que eu, na altura (e ainda) adorava e adoro. Nunca a levei a mal por isso. O coração quer o que o coração quer ouvir e amar. " All the Young Dudes " não é um grande êxito do David Bowie, mas é um hino e tanto. De certa forma é quase alg...

Elisabeth Fraser

A mulher dos meus sonhos canta como um anjo  e faz vestidos por medida aos sábados. Elizabeth Fraser (Leeds 1982) - This Mortal Coil Concert

Escreve-se porquê?

Nunca fui moço de ter heróis de vida. Andei sempre muito para dentro de mim mesmo, e ainda o faço. Vi muitos, todos feitos de malhas felizes e movimentos sem freios e fugi-lhes dos caminhos, desconfiado, sempre que pude. Tive as cuecas metidas no rego mais vezes do que achei razoável, mas nem assim mudei para menos crica do que aquilo que sou. Primeiro foram os LEGOS, e aquilo tomou-me de assalto e durou anos e anos de satisfação indolor. Não havia maneira de me cansar daqueles encaixes coloridos. Faziam-me sentido, acalmavam-me e já me instruíam um pouco na arte de se contar uma história. Depois, mostrei as cores das minhas verdadeiras compulsões e atirei-me ao coleccionismo. Coleccionei praticamente de tudo a que podia deitar a mão sem grandes custos; selos, latas, rótulos, moedas, isqueiros, bases de copos.. acalmei todo este furor, ou quiçá o tenha substituído por outro, quando li a primeira revista da Editora Abril do Pato Donald. A inocência não sabe de qu...

Reviver o passado em... Vilar de Mouros

More than this... não sei.

Se não estiver em alguma lista de melhores álbuns de todos os tempos, passa a estar agora ( ao menos numa lista minha e só minha!) - " Avalon " dos Roxy Music, marcou-me a pobre carne auditiva e sensitiva, com um erotismo simples mas eficaz quanto baste ao tempo da minha juventude..  Lá, do longínquo ano de '82, rais' me partam, continua a fazê-lo, por isso se mantêm no meu "Top" 50 de grandes álbuns de sempre.  O 10º e último tema deste disco,;" Tara " (divinamente e exclusivamente instrumental, como num sonho iridiscente de entregas, avanços, retrocessos e considerações) continua a arrepiar-me os poros menos desavisados desta pele que me cobre o corpo mais sobranceiro da minha existência. Aquela pele que me guarda a arte toda num casulo uno. De graça. Todavia, tudo o que é aqui dito, não passa somente de uma preferência muito pessoal. Sou aquele que ressalva o " Coimbra B " no melhor álbum de sempre dos GNR, " Psicopátri...

Never!

https://youtu.be/Z3bCWRLS6Eo

Sincronizado com nada de especial

Deus salve a Nossa Senhora no seu dia particular Entender os outros é isso mesmo, uma dura caminhada de pura fé. Dói-me tudo. Hoje apetece-me entregar-me à polícia. Só hoje. Amanhã voltarei a estar de acordo só com este mundo.

"Noodles, I slipped.."

Aquele filme que vemos e nos trabalha todo cá dentro e que fica criança perpétua como só os amores de infância conseguem ficar. Aquele filme que nos rasga a alma para todo o resto do tempo que vivermos. Aquele filme que nunca renunciamos, que nunca respondeu nem vai responder às críticas, que nos explica a amizade porque ali a víamos tão igual à nossa, que pensa por nós, dói por nós, ri, fode, mata por nós... esse deveria de ser o filme das nossas vidas. Certamente que é. Pois é. Hoje faz anos o meu filho, e talvez consiga explicar-lhe tudo isto enquanto o vemos. Ou talvez apenas, deixe que o filme lhe explique por mim.

O Mundo de acordo com Garp

O cristal mal visível da barreira final é impenetrável. O ar carregado lá dentro, incompreensívelmente pesado, segura, sem grande custo, toda a estrutura daquilo que anima a criatura. - Alma? Não sei o que é isso. Talvez a tenha perdido naquela noite, na praia, quando me apeteceu ir passaear os gatos. Mais perguntas assim e desato num pranto, pára! - Exclamou. Mexia-se cautelosamente como numa dança coreografada em câmera lenta. - É um erro enorme, ainda acabas morto. - Disse-lhe depois. Nem tinha reparado que havia utilizado o termo impenetrável . À quarenta e dois anos que procurava os restos imortais de qualquer coisa que lhe significasse algo mais divino que um mero deus comum. Nos anos 80, julgou conseguir fossilizar o futuro, pouco tempo depois, descobriu que o futuro pertencia-lhe e perdeu definitivamente aquele ar calmo e contido. Começou a fumar, num fingimento desse mesmo ar. Mais tarde, na década de 90, ficou conhecido por ser o segundo a descobrir o famoso ...

The Smiths - Girlfriend in a Coma

A propósito da minha recente actividade nas redes sociais... Tantas saudades destes tempos..