Admito que os álbuns de retratos me fazem um pouco de espécie. As fotografias ali tem sempre um certo ar bovino, quase domesticado, irritam-me. Sabe-se de cor a ordem de entrada em cena, e criam uma lógica de tempo e espaço nas nossas vidas que talvez jamais tiveram ou voltem a ter. Arrumam-se para ali organizados os momentos mais marcantes de uma vida. Mas porquê aqueles? E qual a razão para terem aquela ordem? Cronológica, a ver um grupo de pessoas a envelhecerem em fragmentos de papel " gloss ", página a página? Ou pior, álbuns de efemérides? Infindáveis. Todas as vidas nutrem estas composições singulares. Existe um paradoxo pré-ordenado para se angariarem estes instantes, em vez daqueles outros, os passageiros, que, sem que nos apercebamos importam mais que os anteriores. O casamento da Mi e do Carcará; que magra estava ela naquela altura, linda mesmo, porém, aquilo quiçá era a bicha solitária a comer-lhe por dentro. Mais tarde seria o marido a devorar-lhe a vida inte...