(...) Esfarelou-se como um lenço de papel perante o espirro furioso de um gordo e disse-me: “Há muitos fenómenos de visões. Nós, pastores, conhecemos sempre alguém que nos vem dizer que tem visões. Estes fenómenos são naturais. Não que esteja a aguardar que a Nossa Senhora venha do céu por aqui abaixo. - Riu-se falsamente. - Se o fizesse, certamente que faria logo paragem no oitavo, beberia um copo, conversaria com a passarada, apanharia um pouco daquele arzinho cristalino, e descansaria os pés, – ou as asas, não sei – na balaustrada aquecida. Um esquema de engonha, demorando o seu santo tempo, a ver se valeria a pena o esforço final da descida. Não, não. Esta minha situação, afinal, não passa de uma realidade profundamente evangélica. E o que acontece quando deixamos transparecer os nossos defeitos? Somos linchados, pois claro. Taxados de loucos, sem juízo, caídos longe da realidade.” E eu acreditei em tudo, como se fosse mesmo comigo. Foi no caminho de...