Entra-se e logo se torna improvável o engano casual; Eis os signos definidores de uma cultura coligida: A soberba pretensiosa de um Homem culto. Ali está tudo superpovoado, seja a biblioteca, a cinemateca ou o vocativo acervo musical. As fotografias, os quadros, a janela com cortinas duplas para não entrar a luz, e os dois gatos sonolentos, demasiado afáveis entre tantos tesouros perturbadores. É como se nada disto conseguisse fazer frente a uma frase bem dita, ou se tornasse numa condição da qual não se sai ileso de alguma estupidez. Semelhante à da própria filosofia, essa pergunta sem resposta em que se integram todas as perguntas e respostas, num movimento instável e perpétuo. Para quê recolher e armazenar objectos e perguntas como se fossem parte fundamental de algum futuro? O Homem culto não aprendeu ainda o essencial da existência humana. Que existir não é uma doença de acumulação, é um desprendimento puro. Quanta soberba! Amanhã so...