(...) Germina precisou de horas até chegar a um estado desempenado de repouso. Quando a apanhei, flutuava de costas com os olhos abertos, e as mãos agarradas ao peito, coberta por um manto branco de veludo, gorduroso. Tinha o corpo húmido, e parecia cinquenta anos mais fresca. É o que dá querer agradar às pessoas, em muito boa dicção, pela majestade da grande literatura . – Pensei. – Fiz um estudado juízo, como sempre o fazia em diferentes leituras pelos diferentes ‘clientes’, e por saber-lhe o marido, corajoso – penso eu - bacalhoeiro embarcado na longínqua Terra Nova, julguei inspirada a minha selecção, tentando assim muito impressiona-la de surpresa. Bacalhaus, baleias...fazia tudo parte do mesmo intrépido sangue nacional, mas não foi assim com a Germina. Acabou por ser um retumbante desastre, para ela sobretudo. Em vez de se encantar com a história-maravilha, desmanchou-se toda, ali na minha frente e tê-la-ei enviado mais cedo para o lado dos mistérios. No fundo até lhe ter...