Libânio despiu-a vagarosamente; primeiro com os olhos, depois com as mãos, por fim, com os lábios. Entrou por ela como um arado esgarçando a terra húmida, sentindo-lhe a pele por dentro, suave, como um forro de cetim no vestido da sua nudez. Mas, Carlinda via coisas fantasma nos seus olhos, e enfurecia-se com atroz frequência, rejeitando-lhe o olhar, as mãos, o corpo. – O que foi que fizeste desta vez desgraçado? – Libânio estremecia sem engano. – Linda, Linda, minha Linda...que tempo disponho eu para fazer outra coisa senão trabalhar? – A sua voz acalmava os ouvidos inquietos de Arturo e Liberto nos quartos ao lado. – Linda, meu amor, mas se não faço mais que encher chouriços, tu bem o sabes. E cada vez menos, minha querida. Cada vez menos. – Ela não se convencia. Talvez porque o tempo junto com o marido fosse curto, e necessitasse de lhe deitar todos os ingredientes que compõem o amor de uma vez só, sem medir porções ou tirar prova de boca. Ou talvez, precisa...