Há uma infinidade de prazeres humanos. Para mim, o prazer que me faz sentir humano, é o de um arroz de sarrabulho, acompanhado com os devidos suculentos rojões aconchegados com a tripa, o bucho e os demais companheiros, em uma obscura casa de pasto em Ponte de Lima (não vos digo o nome, pois não quero aquilo invadido por bárbaros, vulgo os comensais de Domingo, que lêem a " Time-Out " vez em quando e já se julgam ' gourmets '.) - Já tentei o sexo tântrico, a velocidade, o deboche da auto-destruição, o total desprovir e a graça do amor. Acabo sempre naquela travessa que cruza o vão de uma longa abertura entre a cozinha e a sala rústica onde se juntam os afortunados. Sei que provem das mãos de uma senhora mirradinha, do outro lado da fenda de criação. Sei-o, porque lhe antevejo a pinheira de bigode acima das mãos que conjuram aquele milagre de prazer. Há uma infinidade de prazeres humanos. Encontrar o nosso, pode ser o caminho para a felicidade. Ainda que esta acarret...