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Bom dia, príncipe

Há muito que não te falava, escrevendo-te.  Hoje é o dia dos teus anos, filho. Escrevo-te. Quero te dizer que o Verão esmorece sempre por esta altura, acaba-se por esta altura, mas volta sempre. O Verão jamais desiste de retornar. Também que Setembro voltará e que a vida por cá se ajeitará, no entretanto; que as manhãs estão cada vez mais frescas e as noites também. Não faz mal, filho. O Outono também apetece e com ele os passos de volta a nós. Quero dizer-te que a noite esconde os sorrisos e mostra os dentes e o dia faz o inverso. E para te dizer tudo isto escolhi escrever silêncios e abrir-te o ferrolho enferrujado do meu  coração. Acho que apesar de tudo, sempre acabei por escrever um poema aceitável. Que amadureceu em ti por vinte e três anos.

O nosso Natal no Futuro

Apetece-me hoje ir atrás buscar novamente o Natal, porque recebi então um presente que saliento da noite do sapatinho e que julgo que só o recebe quem tem sorte, amor e gratidão. Chega a ser aviltante reclamarmos sempre do muito que temos face a quem nada possuí e ainda assim dá de coração aberto. Mas isso já é outra questão. O que queria partilhar refere-se à oferta que recebi da minha filha: um livro em branco.  Quando enfim atingi o sentido biológico da minha existência, muito depois de ter aprendido as letras e os números, lembrei-me de ter filhos, sem esperar grandes retornos, porque um pai nunca haveria de deitar filhos ao mundo com outro intento que não seja o de os amar. A minha grande surpresa foi a de ter gerado uma filha que, apesar da alvura que me põe nos cabelos, conseguiu enumerar duas das minhas mais gratas paixões, como que em um dicionário e assim me presentear em um singelo objecto. "Este livro", depois me elucidou, "é para tu escreveres, à tu...