Aquela Lua de Outubro vinha levantando-se medonha nas últimas noites. Imensa, grotesca de tão bela, e não havia maneira de a evitar. Caía-lhe mal, quase como os fritos. Às sua custas, andava o Senhor Barbosa tão mal dormido que ganhara uns sulcos marrons, raiados, por baixo das habituais olheiras de má-disposição ao absoluto. Para completar o quadro burlesco daquele lar desavindo, a pobre Madalena agora recorria a muletas para tudo. Fosse para lhe pedir que despejasse os cinzeiros, a areia dos gatos, a sua incomensurável frustração, para ir às compras na Cooperativa, rogar o que pudesse no altar da N.Senhora da Lapa, ou inclusivamente apenas circular pela casa, em um passo metálico de lesma, com uma borracha de permeio. "Cabra!" - Pensou o Senhor Barbosa - "Sabia sempre como rasteirar um homem." Se pudesse, dar-lhe-ia uma mão. Até se atiraria a esfregar e a aspirar. Embrulhar-la-ia no regozijo de uma latrina de gatos fresca e cheirosa. Comprara daquela areia bril...