Este é o meu tempo futuro, que tanto temi que chegasse. E é quase tudo quanto me resta, tarde, incumprido e infecundo. Lembras-te dos fundos recatados que ninguém vê, por trás da luz do balcão? Ali nos pusemos ao abrigo onde não chega a aflição nem o resto duro do mundo. Ali fomos dois amantes deitados em uma floresta virgem de sentimentos desesperados. Peregrinos alheios ao tempo que se acabasse, e mais não digo. Este é o meu presente, horrível dia de rebentação. Instantes tolos de um amor que se decide, e que nem vivi por pura concentração. Talvez tenha sido a pele um estorvo ou as palavras em carne viva em demasia. Qual gomo suculento caído ao chão lentamente mordido ou sem demora. Até que a luz inteira fraquejasse, sem mercê, e a ausência alada do corvo morresse, longe daquilo que ninguém crê. Conta-me do que falamos atrás daquele balcão. Para que não mais guardemos lembrança vaga e desprendida de nomes e datas e ass...