Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Julho 17, 2011

As Aventuras de Rodrigo, O Guerreiro Sonhador - Cap. III

A alegria parecia ter voltado há aldeia, as mulheres cantavam canções de alegria, os homens dançavam alegremente, e até as poucas crianças que haviam estado escondidas, voltaram com um sorriso de alegria estampado no rosto. Os próprios animais, Zazus, aramis e Lunas, e Gaspachos e Zippos e todos se juntavam em redor de Rodrigo, o salvador da aldeia, mas este não mostrava uma cara alegre. Rodrigo não descansaria até por fim à existência do malvado Dragão que ainda podia muito bem voltar e pôr fim a toda aquela alegria.

Onde a Ferida alastra.

Olhei hoje, por baixo da camisa, e aí vi, uma ferida na carne. Larga, vasta e profunda. Nesse sítio, uma linda flor crescia. Hoje, e agora, e durante todo o dia. Virei-me a mostrar a ferida ao espelho, e já não era eu, mas sim um velho. e a ferida só por si, dar-me-ia toda a força de que precisava, Hoje, e agora e durante todo o tempo, em que nem a vi. Estou certo da sua coragem e dor, enquanto crescia e fosse crescendo, e de novo da ferida, uma flor nascia, de algures, além do profundo devir. Agora e já, e durante todo o dia. Flores belas que crescem com calma, em canteiros de feridas que levamos para sempre, e que agora, já e para sempre, serão aquilo que chamamos de alma.

Para acabar de vez com o Bullying.

Por vezes não é necessário falar de certos assuntos, apenas e só quando estes estejam na ordem do dia. Esta notícia já tem alguns meses é certo, aliás, refere-se até a mais um daqueles excelentes exemplos da boa governação do antigo governo de José Sócrates, porém, e por medida de uma história que me foi relatada por uma amiga professora, lembrei-me de escrever aqui o que penso sobre tal medida tão "bem pensada". Trata-se da abolição do velho sistema de "chumbos" escolares por acumulação de faltas. Criando em sua substituição, um sistema de aplicação de "medidas de diferenciação pedagógica com o objectivo de promover aprendizagens que não tenham sido realizadas em virtude da falta de assiduidade" (Expresso) Ficando assim criadas soluções mais viáveis para aqueles alunos, que, não podendo assistir às aulas, por motivos de estarem a dar sangue, ou a ajudarem velhinhos necessitados, em asilos de terceira idade, não dispondo, coitados, de tempo suficie…

Farto!

Já não me fazes falta, E os versos que faço, já nem por ti os rimo, Nem sequer almejo ter-te por perto. Perdi o teu rosto na poeira do deserto, fechei a tua memória lá no cimo, De uma imensa montanha alta.
Quis-te ter tanto e sempre junto a mim, Mas cortaste-me o nome e jogaste-o fora, Num só golpe de ódio mesquinho, Desejo-te que fiques para sempre nesse escaninho, Onde te escondeste no dia em que te foste embora, Pondo em descanso um amor que não tinha fim.
Já não te tenho em conta de seres gente, Somei todos os dias e ficou um só grão, És partícula diminuta num espaço infinito, És menos que o pó que se agita com um grito, Já nem sequer te reconheço em meio à solidão, Pois essa ao menos, é coisa que se sente.

Corre! - Uma novela

Humberto Crica vivia só, em Vila do Conde, num pequeno quarto obscuro, quase minimalista de coisas materiais, e alisado pela sevícia inclemente que caracteriza a vida de um homem que já passou a portada dos cinquenta sem nunca ter casado ou se amancebado no juntar de trapos com alguém. O seu bastião de infinito retiro, encimava uma garagem de reparações automóveis e venda a retalho de peças, de modo que entrava e saía de casa todos os dias, com a pressa de evitar o cheiro embirrento do óleo de motor, e o sarro da graxa que avançava a olhos vistos, lançando acervo como um musgo de breu ao seu umbral de entrada.