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A mostrar mensagens de Novembro 6, 2011
Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensioso. Escrevo para mim, para que eu sinta que a minha alma me fala, por vezes canta-me até, muitas vezes choramos os dois, sozinhos.
A eterna comédia humana. Só quando o pesado caixão de mogno subiu para a berlinda negra, só quando a longa fila de automóveis tristes se pôs em marcha, é que ele acordou do pesadelo e viu, conscientemente viu, toda a sua desgraça. Pela primeira vez chorou; chorou não por ela, mas pela ruína total e sem remédio da sua vida inteira. Porque era assim: a partir daquele momento toda a sua vida desabara convertida num montão de escombros. Debaixo dos destroços, ele jazia sepultado - morrera também. Existem angústias tão desoladoras, tão infinitamente cruéis, que ficamos com a sensação nítida de que passámos já para além da morte. É a eterna tristeza humana também.

Sonhos roubados.

Tenho sonhos doentes na alma só,

pequenos, egoístas e mesquinhos,

sonhos infelizes e tão pequenininhos,

que nem sonho serem sonhos meus.

Rasgam-me as noites levando-me a paz.

Deixando-me num estado de meter dó.

E já sinto saudades de não os ter,

de me deitar há noite e não dizer: Adeus!

E de não saber ao certo, o que a noite me traz.

Tenho sonhos doentes que não tem cura.

Carrego estes sonhos comigo,

há mais tempo do que tenho memória,

tão distante, que nem lembro já em que altura.

E que mal terei eu feito?

Que mal terei feito,

para ter sonhos assim, sonhos sem história!

Tenho sonhos doentes, pois tenho,

nem bem sei se são parte de mim,

ou existem por mero defeito.

Deito-me há noite e nem os contenho,

Espero somente pelo seu fim.