Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro 5, 2012

Tenho-te?

Tenho-te, como se fosses só uma. tenho-te minha,  e aqui te carrego, onde albergo o que nunca me melindra, nos profundos mares revoltos que me perfazem o peito. Tenho-te...tenho-te em parte pequena,  em parte minguante, e em parte crescente. Tenho-te em parte nenhuma. Tenho-te por pouco, pelo pouco de mim que até se adivinha, nesse engenho inteiro que tomo pelo teu jeito, logo perdido, assim que te tenho distante. Não te tenho de todo. Logo eu, que sou tão feio, marcado, moribundo... que sou fraco por ser fraco, e porque assim me fiz. e que nem encontro beleza no que perfaz, o tudo mais de belo e de profundo, desse inteiro e sólido modo, que sempre me recolhe nas alturas das horas más. Tenho-te? - Nem aí estou. Tomara eu que te tivesse... E que fizesses tu cair, os males taciturnos que me aniquilam. Quem dera ter-te cá dentro, se ao menos eu pudesse, entrar em ti, e de ti subtrair, o que sou. Começar de novo, e voltar a sentir, os beijos eternos que esses lábios destilam. Tenho-te nunca, tu és mais do que sim…
Somos todos feitos de vontades. Exclui-las de nós, será o nosso fim. Deixemo-las livres então, e façamos por ser homens, criaturas cheias de brio que não se apaga. Sejamos todos uma força inabalável e seremos melhores, parte de um mundo melhor.

Casimiro Teixeira

Nenhum dia de anos qualquer...

A inquietação começara, ainda o mês de Janeiro ía a meio. A senhora Rosa, da casa ao lado, que era menina na verdade, pois nunca casara, nem enjeitara namoro com ninguém, mas que toda a gente  chamava de senhora à mesma, fazia questão de manter presente essa lembrança, na passagem morosa daqueles dias, que, Deus meu, tanto me custaram a passar.  Fazia-o indolentemente, com um menear preguiçoso das ancas, uma espécie de samba automático, que o meu pai dizia que ela aprendera com a Carmen Miranda, e fazia-o, sem me deitar olho propriamente, pois só lhe via a parte de trás da cabeça a mexer do outro lado, mais nada. Um cocuruto hermético, trancado num puxo grisalho, que se agitava num quase desprendimento, enquanto deitava a roupa a corar no estendal alcantilado entre o muro que dividia as duas casas. De tantos nervos me remoía, por essas alturas, que nem sequer lhe imaginava com algum grau concreto de exactidão, o ritmo do resto do corpo: - Já só faltam quinze dias Zezinho! - queimava-…