Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto 27, 2017

"O mais belo espetáculo de horror somos nós."

“Meu amor conto pelos teus cabelos os dias e as noites e a distância que vai da terra à minha infância e nenhum avião ainda percorreu conto as cidades e os povos os vivos e os mortos e ainda ficam cabelos por contar anos e anos e ficarão por contar Defende-me até que eu conte o teu último cabelo”
UMA FACA NOS DENTES ANTÓNIO JOSÉ FORTE [1931-1988] Antígona

Pensamentos avulsos IV

A inteligência erótica estica-se muito além do mero repertório de técnicas sexuais. Celebra a curiosidade e o jogo, o poder inventivo da imaginação. Mas também o nosso infinito fascínio com o que está oculto e nos é misterioso.

Foi aqui que tudo começou

A 1 de Setembro de 1982 saía o primeiro álbum dos Cocteau Twins: "Garlands". Música etérea, pós-punk, talvez o mais cru de todos os discos da banda. Foi considerado a mais bem sucedida gravação independente desse ano, chegando a alcançar o top five das listas britânicas. A capa é de Nigel Grierson, de uma foto que tirou para um projecto de imagens alternativas destinadas a "The Scream", álbum de estreia dos Siouxsie and the Banshees. O resto, é a história maravilhosa desta banda que adoro, que tantas alegrias me deu desde aí.
Eis a bela Liz, com a formação inicial da banda,  numa das melhores versões ao vivo de "Wax and Wane"


O drama dos Opinion Makers

Usar a própria cultura 'pop', com que estes brincam diariamente, contra ou dentro dos limites dos fazedores de opinião, é tão infrutífero quanto explicar ao um pescador as razões genéticas porque não se deveria pescar em excesso a sardinha miúda. O pescador não entende porque lhe querem tirar o sustento, ainda que este, senão cuidado, se acaba num repente, e os pescadores com ele. Não entende o pescador, porque hoje é hoje, e amanhã, logo se vê. O futuro, grosso modo, é muito mal ponderado face às necessidades do presente. O 'opinion maker' desdenha os chico-espertos que fazem intenção de ser tão espirituosos quanto eles, pela mesma razão. Hoje sou eu, amanhã podes ser tu, e eu, onde fico nesta transição? Porque importa-lhes é manterem-se pontas de lança no jogo das questões rápidas com respostas mais céleres ainda. Agora, já, neste momento...daqui a pouco, já não conta! Têm de estar sempre na vanguarda do que vai acontecendo de novo, e isso há-de ser tão cansativo. P…

Eu!

Este sou eu... não interessa como ou porquê.  Se feio, bonito,  culto ou bruto.  Sou eu, assim como sou...

...e o mundo de tão delgado que vai ficando,  um dia,  os que restarem,  serão todos amigos uns dos outros,  com medo que o mundo lhes acabe sozinho.

Saudades de ver bons Filmes (IX)

...planeados para um amor de repente. 

Raízes

Através das pedras dos muros a errância verde das ramagens do mundo dos teus braços transforma-se em som de vidro, em pétalas de espuma, em raízes mais fundas. Através das raízes do chão a errância ténue do sangue liberta todo este sal de pregos em silêncios de musgo, em retalhos de escrita.
Paulo Vinhal  2017

Quando as capas dos livros nos põem as polémicas em perspectiva

Andreia C. Faria Tão bela como qualquer rapaz Língua Morta 2017

A Noite em que Gershwin me deu um filho - Parte 1

A casa paroquial situava-se no fim de umcaminhosobre uma encosta íngreme que exigia umsprintintermédioaté ao final. Era no topo de um bairropobre, desconjuntado, coma melodiacadenciadadetodas as ruas estreitas mais abaixo, a convergirem daínos diasde chuva. Havia um terreiro de saibro na parte de trás, que vinha continuado do lado do cemitério, uma larga península atapetada com paletes de madeira, cobertores de plástico e musgo vivo, desenfreado, cercada de zinco ondulado por todos os lados, menos um. Cobria-se deteimosia com uma só chapa de fibrocimento, tão bem aparafusada, que morreriade pé mesmo que tudose afundasse em redor. Um daqueles locais onde nem as moscas poisam. Foi aí que me instalei, quase protegido, mancomunado, agremiado a toda uma estirpe de uniões desunidas, na companhia de todos os outros desavindos, cansados da derrota com que cosiam os dias, chegávamos aos catres de madeira e só tínhamos tabaco, mortalhas e uma sede carregada, tudo instrumentos para combater outros…

Tobe Hooper

Ontem partiu o Tobe, muitos o recordam principalmente, pela destreza medonha de conseguir meter uns miúdos a fugirem de alguns maníacos munidos com uma serra eléctrica (The Texas Chain Saw Massacre 1974). Prefiro recordá-lo por assustar as tripas a uma pobre e inocente família que acabou a viver em cima de um cemitério índio, e sobretudo pela pequena Heather O'Rourke, de cócoras em frente à televisão a dizer: "They're Here". (Poltergeist 1982)


Luis Silva

O Luis é um desmedido ilustrador vila-condense, malabarista fantástico em muitos géneros diferentes do desenho, que nunca falha em nos encantar. Da caricatura ao desenho animado, da ilustração para livro até aos rabiscos a esferográfica BIC, que depois acabam em criações brilhantes de automóveis antigos, de deixar muitas bocas escancaradas, atira-se a tudo com uma garra e talento de herói. Eu cá acho que isto pode muito bem ser um super-poder, mas como já o conheci e até gostei dele, posso estar a exagerar. Vejam os links (em baixo) e descubram o grande Luis Silva.


Portocanal.sapo.pt
p3.publico.pt/cultura/exposicoes
www.coolnews.co.uk
facebook.com/LuisSilvaIlustrador