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Publicação em destaque

Brilho fosco das Mudanças - Parte 2

continuação...

Chegava a pontos extremos, de lhes escrever poemas. Longos versos jâmbicos, que depois lia em voz alta no salão térreo, virado às vitrinas que resplandeciam de ouro e madrepérola, naquelas manhãs sem tempo ou luz. Duas gerações de Viriatos amealharam ali mais de dez mil botões, muito embora, poucos daqueles raros, que tinham conhecimento de tais despojos, fizessem fé de que haveria tantos assim no mundo inteiro.  Com o passar dos anos, sumiu-se tão rápida a réstia saúde do seu corpo, a uma velocidade prodigiosa. Não era nada de estranho, a saúde falha-nos por vezes, mais ainda, se nem nos apetecer guarda-la com gosto e cuidado, e todos os médicos consultados assim lho asseguravam. Houve um até, que em corajosa bravata chegou mesmo a predestinar-lhe um fim prematuro. – Tolo! - Ou o senhor Viriato se deixa dessas tolices e se agarra à vida, come e bebe com regras, e aproveita as maravilhas que o viver regrado nos oferece, ou esta foge-lhe num instante, como um pássaro liber…
Mensagens recentes

Pensamentos avulsos IX

Se não pudesse contemplar constantemente a mera ideia apaziguadora do suicídio, acho que mais tarde ou mais cedo, acabaria por me matar.

Nada morre, nunca!

Dia sim, dia não uma beleza antiga

As Crónicas do Senhor Barbosa V

Seria de supor que o senhor Barbosa viesse novamente a lembrar-se de deixar escritas mais algumas palavras. Afinal é um homem, um filho e um irmão. Foi um pai e um marido, um amante altruísta, companheiro subterrâneo, cúmplice circunstancial. Até foi amigo apático de alguns, mas já se esqueceu de quem, e o pai, figura fantasmagórica sempre perfilhada em uma luz mais brilhante por entre todas as chamas mais explosivas da sua vida, veio afinal a cumprir, deixando-lhe instruções para se salvar no mundo, como sempre lhe prometera que faria. Estava tudo em uma cartilha manuscrita em letra bem desenhada, que o senhor Barbosa só agora descobriu oculta entre uma legião de restos descartados da sua infância, ao lado destes, metida dentro de um pano atafulhado naquele nicho de tijolo de burro que um dia de tempestade fez soltar-se da lareira apagada. Para ele aquilo era um acto de adoração. Mas o senhor Barbosa ficou tão arrebatado pela descoberta, ensombrado pelas nuvens visíveis por cima des…

Corpo visível

a esta hora entre os blocos de prédios enevoados a bela mancha
diurna dos calceteiros na praça
e os dois amantes que hoje não dormiram vão partir nos braços da
sua estrela
à beira do caminho ladeado de sebes de espinheiro
uma carta
uma letra muito fina extremamente caligráfica
onde a aventura do homem que devolve as palavras que lhe são
remetidas
deixou a sua marca
e o duque da terceira levanta o braço
comentando seguido pelas aves que acordam a duzentos e mais
metros de altura
o que não é ainda a grande altura
sim sim
não são
quem sabe


dentro do grande túnel digo-te a vida
esta nuvem que vai para o centro da cidade leve e rosada como a
proa de um barco
bateira que me trás os dados e a roleta onde no branco ou no preto
devo jogar
jogando-me contigo
malmequer
bem-me-quer
ou muito ou pouco

ou nada
o que só com as mãos pode ser soletrado
só nos teus olhos nos teus olhos escrito


dentro do grande túnel digo-te a vida
o moço que há uma hora não fazia senão fumar cigarros
o mesmo que julgou ter a noite perdida que maçada
s…

There's a Storm Outside...

Coisas só de mágoa.

Todas as minhas histórias são verídicas, mesmo as que eu sonho ou imagino. Mesmo aquelas que ninguém percebe. Mesmo aquelas que ninguém lê. Até aquelas ainda nem escrevi.

Coberturas

Leitores do Porto (nem sei se tenho algum) ide à Flâneur, este Sábado, ver a pele a descascar pudins... Vale a pena. Eu, talvez vá ó possíveis leitores e seguidores (a sério que não sei se existis) se ainda ao menos conseguir arregimentar forças para sair de casa, vou de certeza, ou não. (o mais certo é não ir) Não escrevi nada para isto, falta-me a qualidade, mas, ide vós por mim, que isto é de um amigo, reune nomes sonantes e interessa tanto. Ide. Pelos amigos, tudo. (ou quase tudo - não sei mesmo se conseguirei sair da casa.) Ide e façam novos amigos e novos contactos (eu já não consigo). Tenho a pele toda pálida e Crica.

Diluente sintético

A apatia sabe mal, tem um mau travo na existência
fingo-me apático para que o que me trava
não me reste mais no sangue.
Sempre foi este o meu fim
chegar ao posto malquisto
e não sentir o receio da quietude no sangue.
Mas, por fim
na derradeira margem
qual de mim sobrevive.
O sangue que me compõe
ou aquele onde as pessoas me diluem?

E se olhasses para outro lado, idiota?

Confissões de cama

"leio que o amor é tão lento em cada instante que o instante sufoca."
"é um caso de magia
- apropriação sinistra,
pela boca implacavelmente esfaimada
do coração que o enfrenta."
Herberto Helder



Eles vem, eles vem...

Dia sim, dia não uma beleza antiga

Pensamentos Avulsos VIII