Noite novamente, nada para dizer,
quiçá compre um planeta ou faça amizade com um diplomata.
Limparei o cinzeiro, no mínimo
para me lembrar do meu pai.
Primeiro preciso limpar os óculos desta névoa de sempre
- já não me dou com as minhas alucinações.
Coçar o escroto, beber água para lavar a inutilidade.
Um leve toque na porta, entra a gata,
atrás dela vem o resto da noite exigindo colo.
Tempo para outro cigarro e depois deixo as cortinas subidas,
reparo que o lixo faz um carreiro de formiga até ao caixote.
Haverá alguma coisa simples que eu possa fazer pelo meu sofá?
Talvez pintá-lo de amarelo
ou instalar-lhe um elevador do chão até ao meu divórcio
um bidé gigante para poder tomar banho a dormir.
Noite ainda,
de que me serve viver se não posso estar vivo no meu próprio inferno?
Esta gota de tempo nos meus olhos
não é uma lágrima, mas cuspe
cuspo, cuspo e cuspo, continuo sem nada para dizer,
como a explosão de uma estrela vermelha na ponta de um cigarro.
Sei que se pudesse fazer a barba,
as pulgas em…
quiçá compre um planeta ou faça amizade com um diplomata.
Limparei o cinzeiro, no mínimo
para me lembrar do meu pai.
Primeiro preciso limpar os óculos desta névoa de sempre
- já não me dou com as minhas alucinações.
Coçar o escroto, beber água para lavar a inutilidade.
Um leve toque na porta, entra a gata,
atrás dela vem o resto da noite exigindo colo.
Tempo para outro cigarro e depois deixo as cortinas subidas,
reparo que o lixo faz um carreiro de formiga até ao caixote.
Haverá alguma coisa simples que eu possa fazer pelo meu sofá?
Talvez pintá-lo de amarelo
ou instalar-lhe um elevador do chão até ao meu divórcio
um bidé gigante para poder tomar banho a dormir.
Noite ainda,
de que me serve viver se não posso estar vivo no meu próprio inferno?
Esta gota de tempo nos meus olhos
não é uma lágrima, mas cuspe
cuspo, cuspo e cuspo, continuo sem nada para dizer,
como a explosão de uma estrela vermelha na ponta de um cigarro.
Sei que se pudesse fazer a barba,
as pulgas em…