Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Publicação em destaque

As Crónicas do Senhor Barbosa IX

Depois de morrer, o interior do Senhor Barbosa nem apodreceu por dias e dias, como sempre acontece com todas as outras criaturas deste Reino natural de homens, bichos e flora tão despudorada, inseridos em algum ímpio crescimento desordenado. Depois de morrer, ainda pareceu viver mais alguns anos e todos quanto o observaram assim o consideraram, pois, por conseguinte, era vivo que o sabiam, nunca morto, e aos vivos ninguém parece muito particularmente interessado em passar certidões de óbito precipitadas. Depois de morrer, o Senhor Barbosa, ainda escreveu a sua própria elegia. - Esta! - Pôs-se à janela e começou a ditar palavras muito baixinho, e estas iam-se escrevendo por si até ficarem completas. Nela, descrevia o seu fim prematuro, e quanto tempo precisaria para convencer os outros de que realmente falecera em virtude de tanto desprezo, tanto desrespeito pela sua simples condição eremita de Homem só! - Quando acabou apercebeu-se da inutilidade do que tinha escrito, mas, não o rasu…
Mensagens recentes

Poesia Fantasma

Novo Livro, para ser esquecido de igual forma...



" (...) Este poema sobre o que só a mim me interessa
daqui para diante, quando os estranhos já o tiverem lido,
receberá uma chamada de telefone do exterior.
Caro senhor:
parece que as ondas já se foram
todas, sem entender o que o senhor diz
fique mais em terra, sossegado que o mar, picado contra o seu favor não quer saber de nada do que o senhor quis. Assim, na soma geral das coisas onde se junta a sua pequena litania em contramão é tudo inútil e sem juízo, como ridícula é toda a sua expressão. Acredito, porém, que os seus sonhos como os meus, serão a passagem para dois que comprei para o paraíso, ou quiçá... não! (...) "
"Todos os Fogos são Fevereiro" Poesia - 2017 - AutoPublicada.
https://www.bubok.pt/livros/11520/Todos-os-Fogos-sao-Fevereiro

Saudades de ver bons Filmes (XIX)

... maravilhosamente misteriosos!

O Interesse da Solidão

A solidão, de todas as marcas de fogo que carrega o ser humano, é, indubitavelmente, a mais perturbadora. Lembrem-se todos: sois filhos dos vossos pais. Sangue de ferro, coração de gelo... carcaça de geleia, polme infinito.... Intermitência da vida antes e depois. Somos todos tão inconsequentes pelo que fazemos para chegarmos onde estamos. - Escreverá algum dia alguém um livro sobre nós? Ainda estou para fazer 50 e já tudo me soa a tragédia. Isto é solidão! Fico doente só de pensar, como se a própria ideia me aleijasse fisicamente. Envelhecer não é uma coisa boa para pessoas como eu. Lembra-me o Céline a dizer: "Se envelhecer cedo demais..." - Só isso. Beber, beber, beber...ostras fumadas aos feriados, corações de alcachofras por acaso e chocolate belga a enojar-me a fobia aos Domingos, Meu Deus! Perdido em um mar cintilante de solidão humana, encontra-se um pequeno lugar da cor do chumbo. Não é a minha nem a tua, é. Porque a solidão nunca quer ser, mas acaba por ser próxim…

Correntes D'Escritas 2018

“As palavras envergonhar-se-iam do corpo que as escreve. Seria, provavelmente a maior ironia do mundo dos homens. Um ser nunca é digno de ser maior do que as suas palavras. O que escrevemos é sempre maior do que nós. O que tendemos a ser é o que a realidade nos pede. Ser é apenas uma prerrogativa dos deuses e alguns homens são geralmente incompreendidos. Somos tão pequenos ante o que escrevemos e só por isso o que se escreve nos atormenta porque, por vezes, se escreve mesmo”.
Hélder Simbad - Escritor Angolano - Mesa 5 nas Correntes do dia 23-02-18

Charles in Charge

Valha-me o John, ao menos!

Chão

Não sei se te lembras de que dia foi hoje
Dos sonhos alcoólicos de grandes e-feitos
Das cirroses de nuvens de gomas
Se morreste também algures de ressaca
Tu que sorrias sempre com o fígado

Não sei
Se quando caminhas te lembras
De andarmos descalços sobre os mesmos vidros
As mãos umbilicais e os copos envaidecidos
Se quando caminhas
Nas ruas que hoje foram nossas
E hoje são de ninguém
Ainda saltas ou se te sangram os pés
Se pavimentaste o chão
Como fizeste com o mundo
Se já não vês o quadro
E não te lembras do Zeppelin de chumbo
Que atirámos ajoelhados ao espaço

Algo em mim não quis saber
Que quando florimos no deserto já éramos História
Que da dinamite que dizimou a paixão
Nasceria um peixe-lápis
(Quanto não pode um sinónimo contra um canhão)
E com ele desenharia esta salva de tiros em verso
Para que o teu chão e o teu mundo nunca esqueçam
O que teimas em esconder debaixo da pele
Mas a pele teimará para sempre em te lembrar

Rita Pinho Matos
in FLANZINE # 16 "Pele"

Amor eterno?