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Saudade de ver bons Filmes (XI)

...que só estreiam amanhã, mas que, graças ao 'milagre' da internet já vi e recomendo muito.


É quase impossível ver este filme e não nos perdermos na trilogia "Antes do Amanhecer" (Richard Linklater), que claramente influenciou Klinger, no estilo verborreico e romântico, ainda que tenha abdicado do mais comum e previsível final feliz.
Saem Jesse e Celine, entram Jake e Mati. Saem Julie Delpy e Ethan Hawke, entram Lucie Lucas e Anton Yelchin (um actor que faleceu cedo demais, em Julho passado e que presta neste filme, o papel da sua curta vida.) Sai Viena, entra o Porto. Com produção do maravilhoso Jim Jarmusch, Klinger opta por não contar apenas a história do primeiro encontro do casal, mas todo o seu relacionamento, desde o encantamento ao desgaste. Através da competente montagem de Géraldine Mangenot e do próprio Gabe, o filme vai jogando com as emoções do espectador, ao embaralhar a história do casal.  É difícil não olhar para Yelchin com uma certa melancolia, ainda m…
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Como se fosse escrita hoje...

"Um regulamento a favor do fogo" 12 de junho de 1972

"Com a chegada do verão, destes grandes calores que tornaram as matas e os pinhais inflamáveis como estopa, é certo e sabido que começam por esse país fora os incêndios. Devoram as encostas das serras, deixam-nas negras, despidas, terras de desolação onde, por muitos anos, se erguerão apenas os troncos queimados. Neste tempo se levantam inúmeras vozes a pedir proteção para o nosso património florestal, já de si tão escasso. A vulnerabilidade das nossas matas, se bem pensamos nela, é, a toda a hora, um convite à ruína total. Depois o tempo refresca, vem a chuva, adia-se a catástrofe para o ano.  Na falta de um sistema de defesa eficiente, conta-se sempre com a dedicação e a ousadia das populações que, mal se ouve o sinal do fogo, correm montes e vales, gritando, ofegando, para irem atacar o incêndio, sem curarem de saber a quem pertencem as árvores que as chamas vão furiosamente destruindo. Acudir ao fogo é obrigação cív…

Olha a revolução aí à porta.

Excerto da minha participação na revista Piolho #23 de Outubro de 2017. Ainda estou vivo e escrevo contra.

(...) Mas são mais os que no levantar de um dedo, até tomam o medo de assalto, antes que o medo lhes sinta o cheiro, e sem apelo nem agravo, de repente senhores, de repente, o mundo é outro, e deixa de ser igual. E vocês aí em baixo, não choreis nem uma lágrima, pois que isto aqui não é nenhuma afronta, este fogo que hoje vereis, cortará o medo dos pés até à ponta, tremendo a terra e iluminando o céu, fará saltar a chama maior do alvoroço. Movendo ombros juntos, palpitantes, asas abertas, algumas, no exílio do rectângulo deste corpo, a maioria, resistentes, nos braços do país que é teu e meu,

Piquenas estórias de amore X

- Porquê? - Responde-lhe em contra-golpe. - Porque foi aí que me acertaste com os mesmos estiletes ainda ensanguentados de antes, as cuspidelas de distração...em cheio, com esse teu "amor". Aqui está o porquê. - Nunca conheci ninguém como tu. Não tens coração, ponta de amor, empatia, nada. - Tenho sim, mas ninguém o quer da forma que o dou. Toda a gente só quer muito o amor que dá, pouco, o amor que recebe, se achar um pintelho de diferença entre estes. Se existir um grão que seja nesta engrenagem, deixam as flores de crescer, apodrece tudo num instante. O amor é a forma mais natural de desentendimento. - O desamor, queres tu dizer.  - Não, não. O amor mesmo. Não há razão alguma para se inventar uma palavra que lhe prefixe o oposto daquilo que já é. - Estás a dizer que toda a gente é egoísta, como tu mesmo, e assim incapaz de amar quem não nos ama igual? - E não é? Quando nos conhecemos éramos uma imensa terra fértil, cheia de potencial, depois, lentamente fomos plantando p…

Até a eternidade...

(...) 
Há uma presença forte em alguém que se mantém calado: são as rugas do rosto e os cantos da boca que falam sem ser por palavras.Tivemos ali uma conversa inteira em dez segundos de silêncio.

Pelos caminhos apodrecidos.

O Outono deixa-me os olhos mais rápidos sobre os livros e perde-me sempre de propósito o bom discernimento atirado ao acaso em tudo o que li pelas ribanceiras traiçoeiras. Bebi três litros de uísque de malte e por isso caí. Na cumeada a galope escorreguei e caí.  Lá em baixo, desempedrando os dignos monstros às vezes só por graça de neles me perder,  passei a eito o título e a dedicatória e abandonei páginas em branco em busca do embate desprevenido da fecunda gavinha. Só que as pessoas que escrevem são todas matreiras mentem em cada fôlego que os faz nascer, enganam-se muito, riscando as regras da busca do escaparate. Logo na primeira pagina fazem amor os personagens que enfadonha decepção! Fumo um charro em sua memória. Mas vim a saber que tinham os sonhos cheios de pedra e solidão e por isso se punham unidos de todas as maneiras. Três passos ou páginas e alagam-se logo de beijos figurados, quando já eram outras horas. Outra história e o tempo só uma rima de verbos acabados. O Outo…

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.