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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto 28, 2011

Janela curiosa

O mau tempo deste verão já mais que findo, rouba as gentes ao reboliço das areias das praias e atira-as à descoberta das praças e das ruas da cidade. E como esta janela se vira direita ao lugar onde o amarelinho tram-train faz paragem por estas bandas, é um regalo ver tantos saírem e logo abrandarem o passo ante o encanto secular dos arcos que decoram o meu belo largo. Eu não lhes resisto, passo horas observando-os, curioso insaciável que sou.

Finalmente, paz.

Fez mórbidos preparativos naquela manhã, para o desfecho há muitos anos congeminado na sua mente de homem perdido. O caminho de pedregulhos polidos levava-o a um nicho recatado, mais além da língua de areia da rampa dos Socorros-a-Náufragos, pelo paredão comido por anos e anos de rebentação sistemática, de ondas gigantes de inverno, aí, num cantinho de pescador, Benito, deixou de olhar para trás. Nesse ponto no espaço, o tempo parou. Como se uma parede invisível se erguesse em seu redor, insonorizando o mundo que o circundava, resguardando-o do Universo à volta.

O Vazio

Separados
desde o início,
Ainda anseioestar contigo.
Submersos emmomentos de silêncio.
Mas foio vazio
quem me saudou,
não tu.
Foi o vazio.
O vaziotodo.

Nadasaciado.
Nadacumprido.

Apenas um Pesadelo?

Acordei hoje sobressaltado, corri até à secretária e esperei que se acalmasse o estrépito de cavalos que sentia no peito, até me decidir a escrever isto. E justo hoje, que me deitei cedo e dormi uma noite justa de sono calmo. Bem se diz que para cada coisa há o seu avesso, embora, não imagino ter sido essa, a razão do meu despertar alvoroçado. Sentado na cadeira, com o suor do medo ainda a escorrer-me pelas costas, encharcando-me a roupa e a alma febril, senti um pressentimento de catástrofe. Pensei que enquanto pudesse permanecer quieto e calado, era como se nada fosse, mas aquela ideia fincara-se com garras de metal na minha disposição matinal, e por mais que tentasse não havia forma de me esquivar da minha própria cabeça.

Sonhar que sou poeta.

Sonhar um verso de alto pensamento,
puro e limpo, como o ritmo de uma canção!
E ve-lo depois crescer, vindo do coração,
até chegar aqui, neste exato momento!

Into the Wild

Hoje sou manhã, apago estrelas, e acendo os céus. Mais tarde, serei pouco mais que uma memória vã. sem esperar sequer por um Adeus.

Os sonhos também se abatem!

Era o segundo dia de canícula, humedecida vez em quando por uma chuva miúda, uma chuva molha parvos. Ele interrompeu a narrativa do conto, para escrever outra história que lhe ocorrera quatro ou cinco dias antes, e que desenvolvera, pensou, nas duas últimas noites enquanto dormia. Sentia-se confiante e seguro, e decidiu deixar o conto para mais tarde e escrever a história antes que a ocasião fugisse.

Ao sabor da vida!

Ah! Deixa-te vogar, calma, ao sabor
da vida..não há bem que não nos venha,
dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha.
Mas não há bem que não possa ser melhor.

Mar triste, meu amor!

Amei-te mar triste, nos meus devaneios infantis,
amei-te levado no teu peito, carregado por tua espuma,
perdi-me nesse prazer, já em meus tempos juvenis,
quando somente as ondas me satisfaziam de alegria, e paixões humanas não conhecia ainda nenhuma.
Amei até tuas vagas, mesmo que com elas o pavor se erguia,
pois sendo eu teu amante, esse medo, me seduzia. E era agradável. No teu ledo som eu confiava, mal sabendo que a tristeza avançava e avançava! Não mais trazendo amor a quem eu tanto amava.

Memórias de uma curta viagem.

Um recanto perdido, onde reinava uma paz que o tempo esquecera. Descendo um caminho empedrado, alcançava-se sem receio essa quimera, e não valerá a pena perscrutar o desconhecido em busca de tranquilidade?


Na outra banda do mar, a solidão da calma, tomara conta da paisagem, que não fazia bulício do restolho de uma onda. Somente esta figura parada no límpido manto de azul lhe quebrava o sossego.