No princípio ninguém aparece, nenhuma visita, nenhum som, nem um rumor. Lá fora, o amarelo dos candeeiros, esquece-me lentamente, numa dança sem brilho, de profunda ironia. Ainda vou mantendo os verbos no presente, agarrado às consequências. Pode ser que só me desprezem num pretérito...imperfeito, talvez... Por hora, só quero que passe a noite, que chegue depressa o dia, agrada-me pensar em luzes todas iguais, a virem e virem num provisório padrão. Tudo isto é um jogo de dedos amarrados à cabeça, pequenas brincadeiras desiguais, ter uma mente à escala é coisa-nada que me mereça. Já só quero olhar para a luz de frente, para que os dias não me pesem como cangotes que são, sobram-me tantos dias nesta conta que a vida tem, um exército de segundos formado de propósito para me acabar. A amizade foi a única cidade perfeita, que nunca desistiu de me tentar conquistar. Mas agora, já ninguém está e já ninguém vem, a este lug...