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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto 31, 2014

Sim, quem?

Fazer as pazes com qualquer coisa

Cada vez mais sinto que estou em dívida com o mundo. Devo-lhe o meu melhor tempo, todo o meu empenho e criatividade. Desisti de desacreditar em tudo, o que me anima os dias com um estranho bafo acolhedor.
Trabalho sem resultados mensuráveis de proveito ou de êxito porque acredito que aquilo que faço importa, e não para encontrar um papel de protagonista num lugar atarracado, superlotado de secundários como eu. Leio pela excitação de descobrir que muitos são melhores do que eu, para aprender a ser melhor do que poucos e excelso superior de nenhum, de ninguém. Ler para existir num rasto de excelência, como um galgo na sua pista, e não apenas para dizer que o fiz, ou para contar quantos mais lenhos consigo riscar no cinto infindável dos livros que tenho por ler. Apaixono-me constantemente, porque apesar e mesmo além de toda a parca importância do imediato da paixão, apaixonarmo-nos, atira-nos ao ar onde vivemos vidas de bolhas de sabão, que sucumbem, explodem e reformam-s…

No fim, as flores...

Irei desaparecer
até que o meu corpo seja pisado,
como caules de flores apáticas.
Levarei comigo o sol,
nos olhos,
e saltarei para um ar mais maduro.
Algures, por onde nunca viajei,
cheio de gratidão por ser além,
que aqui, ainda vivo,
e dói tanto tentar abrir os olhos.
Ainda que, os mantenha cerrados
em protesto,
contra o peso da escuridão.
Estes olhos fecharam-se no seu próprio silêncio,
longe, longe dos silêncios que tinham abertos.
E por cada frágil gesto que lhes façam,
ou por mais brutos que estes sejam,
nada, jamais os tocará tanto assim,
talvez por estarem agora tão perto do chão
ou talvez que,
nas curvas adormecidas desse meu corpo,
entrem dedos contrabandistas, de delicada mestria
abrindo-me os olhos, pétala sobre pétala,
como a primavera abre
a eterna devassidão florida, renovada.
O mais simples dos toques
completar-me-á todo o mistério,
estando a carne já descomposta, já corrompida pela terra,
inexistente já,
resta-me o sol no olhar,
e o poder da intensa fragilidade de…

Entrevista exclusiva com Deus

Não sei porque me ponho a escrever sem ter assunto. É a pior ideia do mundo! - Suponho que é a "síndrome da página em branco", irrita-me o desperdicío da claridade no ecrã.  Queria tanto poder deixar uma página em branco. Uma vida em branco. Mas, a cada passo, a cada linha, só deixo feridas e rabiscos, sinais de crimes delicados. Também isto me irrita, muito. Aproxima-se a temporada dos novos-livros, a reentrada, e já sei como é, vou ficar por contar uma vez mais... ontem sentei-me à mesa, sozinho (ainda), mas já posto no máximo ponto da minha saúde mental. Pudera, ando a reler todos os e-mails que recebi como resposta das editoras: "Não sabemos ainda, Casimiro... não podemos ainda..." são as respostas que recebo, quando eu perguntei apenas sobre a possível configuração desse mistério de publicar um livro.  Já sou um menino grande, e caso as coisas não corram como gostaria muito que corressem, também não é caso para andar por aqui a choramingar ou acabar rapando…