- Porquê? - Responde-lhe em contra-golpe. - Porque foi aí que me acertaste com os mesmos estiletes ainda ensanguentados de antes, as cuspidelas de distração...em cheio, com esse teu "amor". Aqui está o porquê. - Nunca conheci ninguém como tu. Não tens coração, ponta de amor, empatia, nada. - Tenho sim, mas ninguém o quer da forma que o dou. Toda a gente só quer muito o amor que dá, pouco, o amor que recebe, se achar um pintelho de diferença entre estes. Se existir um grão que seja nesta engrenagem, deixam as flores de crescer, apodrece tudo num instante. O amor é a forma mais natural de desentendimento. - O desamor, queres tu dizer. - Não, não. O amor mesmo. Não há razão alguma para se inventar uma palavra que lhe prefixe o oposto daquilo que já é. - Estás a dizer que toda a gente é egoísta, como tu mesmo, e assim incapaz de amar quem não nos ama igual? - E não é? Quando nos conhecemos éramos uma imensa terra fértil, cheia de potencial, depois, lentamente fomo...