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A mostrar mensagens com a etiqueta Literatura

"Eu digo ficção, e o drama não ficcionar..."

Ontem quis saber mais sobre a existência dos " crica s", ademais exaltei-me entre espaços abertos e viajei mesmo nessas planícies volumosas da criação. Fui a Cuba, finalmente! Não a dos trópicos, essa está na bolsa de viagens a fazer com dinheiro, mas a nossa, a do Alentejo. Indentada entre umas mini-férias do seu criador, "Humberto Crica" surgiu novamente tão vívido como quando o fiz nascer, quando dealbei pelas bandas de um espaço desconhecido onde o coloquei na história. Cuba é maravilhosa. Não apenas a estação de comboios, mas toda a Vila. "Humberto" perdeu tanto em não a explorar, seriam alguns capítulos mais de deslumbre, mas optei pela economia. O " Corre! " é uma novela e há que avançar com a narrativa cortando as cartilagens onde as houver. Porém, fiz a graça de campo em um banco de jardim onde o criador tentou imitar a postura da personagem. Convêm realçar que o dito personagem nunca foi idealizado na formosura anafada do seu criador, a...

Escrever,escrever,escrever..morrer.

"Escreveu um drama: disseram que se julgava Shakespeare Escreveu um romance: disseram que se julgava Proust Escreveu um conto: disseram que se julgava Chekhov  Escreveu um diário: disseram que se julgava Pavese  Escreveu uma despedida: disseram que se julgava Cervantes  Deixou de escrever: disseram que se julgava Rimbaud Escreveu um epitáfio: disseram que se julgava defunto." Augusto Monterroso - escritor guatemalteco (texto encontrado por si em um cemitério)

Textos Devolvidos VII

(...) O Septo de colunatas assim formado, é guarnecido por estátuas, sendo que a mais imponente de todas encima um lindo relógio, e em segundo plano, vêm-se os maiores tubos de todos, assim mesmo, mascarados à boca de cena. E por fim a frisa decorada por uma corrente de pequenas colunas majestosas, e de uma cornija ornada por dentículos, por medalhões e por rosáceas de um trabalho delicado, que completam a beleza celestial deste extraordinário instrumento. De tal forma o impressionou com a sua exuberância que o conseguia sempre descrever, assim, com todos os detalhes, mesmo após muitos anos. Que vergonha  Dan Brown,  - Disse Adães muito baixinho. - Não te teres debruçado sobre a beleza deste instrumento de Deus. Não acredito, que não te tenha tocado tanto quanto o fez a mim? Terás entrado sequer cá dentro? Terás feito algum esforço por esse monumental êxito de literatura? Literatura, Ah! - Largou alto a interjeição sem querer. E precisamente sob o mesmo, uma figura ...

Vila do Conde

para Rui Pedro Tendinha Dormi pouco. Fiz trezentos quilómetros. Julguei ver-te várias vezes no caminho. Encontrei os teus cabelos soltos numa estação de serviço. Ao abrir sem querer o guarda-luvas redescobrirem o teu cheiro. Por duas vezes pensei na tua boca em estado de pura provocação. Eras quase tu e nunca me dizias nada. O cansaço deixa-nos tão vulneráveis. Um bom amigo levou-me para o Norte. Achou por bem que mudasse de paisagem, de companhias. Na noite em que chegámos bebemos tanto, ele ainda mais do que eu. De manhã não se recordava do fim da noite. Perguntou-me várias vezes se não tinha feito nenhuma asneira e não se mostrava tranquilo quando lhe dizia que não. Como se eu não fosse de confiança no que respeita a recordações. Havia um rio, havia rosas. Eu acho que tivemos sorte. O meu amigo só me pedia que não o deixasse sozinho, que tinha medo de não voltar a encontrar o caminho do hotel e no hotel a porta do quarto. Dormi sozinho. Antes ainda li alto uma tradução de ...

Cruz

Dia 6 de Novembro chega às livrarias o novo livro do meu autor português contemporâneo favorito.  Ora, da forma como encaro as coisas, gastar-se dinheiro em livros é uma poupança sem contraponto. Uma anestesia permanente na ignorância. É como abrir uma conta na caixa de depósitos de um melhor futuro. - Enfim, melhor é deixar-me de lirismos - gosto mesmo muito do Afonso Cruz e não me enguiço nada em partilhar isto convosco.

Textos Devolvidos II

(...) Gabriel era um palerma, sim, um débil pamonha cheio de fraquezas emotivas. O pai dele era o seu inverso, o Hermenegildo acredito que fosse selvagem, sem dúvida. Os gonzos descambados da porta assim o provavam. Como é que alguém  não selvagem conseguiria vergar aquelas dobradiças num empeno, com a simples força do seu corpo? - Além disso, havia também a história, sim, aquela misteriosa história que o Gabriel, a muito custo nos contou certa vez, sobre ele.  Não era uma história sobre o senhor Almeida entendam, mas tão-somente a história do bravo Hermenegildo Almeida. – Há aqui uma notória diferença. - Onde este, dotado de um sangue mais vermelho que a maioria, e com dezassete anos apenas, fugira de casa sem qualquer aviso, rumando a Espanha, para se juntar aos retalhos das brigadas internacionais, os soberanos republicanos que lutavam contra o fascismo do General Francisco Franco. Gabriel não era exactamente um bom contador de histórias, de modo que tivemos de fazer...

...É preciso não esquecer que ainda se escrevem Romances

(...) "A noite está tomada por estranhas sombras, compridas e escuras.   Chegou a ser cruel a minha observação, no rigor com que deixou a nu as minhas deficiências mais visíveis. Levantei-me do chão quente e fui para casa, para comprar tempo, antes que alguém me visse ali e me deitasse desaforos por mim abaixo. Fiquei a olhar o quadro anterior que ainda tinha fresco na memória, até me ocorrer um pensamento obsceno, o mais belo de todos: E se tivesse sido León Xótsia o assassino da gata? Se tivesse sido ele também o precursor daquele incêndio? E se fosse efectivamente, aquele meu único amigo, a mais deliciosa e perversa criatura deste prédio? – Passou-me um arrepio eléctrico pelo corpo todo. – Como seria bom se isto fosse mesmo verdade, i maginar-nos realmente deuses, ou um deus a fazer por mim, para variar, em vez de contra mim, como se a maravilha da última decisão fosse só a consequência da sua vontade. Imagino que tudo seria perfeito, mesmo que, tão precipitadamente, ent...

A Bela e a Fera ou A Ferida Grande Demais

Começa:      Bem, então saiu do salão de beleza pelo elevador do Copacabana Palace Hotel. O chofer não estava lá. Olhou o relógio: eram quatro horas da tarde. E de repente lembrou-se: tinha dito a “seu” José para vir buscá-la às cinco, não calculando que não faria as unhas dos pés e das mãos, só a massagem. Que devia fazer? Tomar um táxi? Mas tinha consigo uma nota de quinhentos cruzeiros e o homem do táxi não teria troco. Trouxera dinheiro porque o marido lhe dissera que nunca se deve andar sem nenhum dinheiro. Ocorreu-lhe voltar ao salão de beleza e pedir dinheiro. Mas - mas era uma tarde de maio e o ar fresco era uma flor aberta com o seu perfume. Assim achou que era maravilhoso e inusitado ficar de pé na rua - ao vento que mexia com os seus cabelos. Não se lembrava quando fora a última vez que estava sozinha consigo mesma. Talvez nunca. Sempre era ela - com outros, e nesses outros ela se refletia e os outros refletiam-se nela. Nada era – era puro, pensou sem se ent...

em dia de orgasmos...

...lê-se « Todo o livro é [...] uma portentosa e eloquente contradição da chamada sexualidade branca, assexualidade ou sublimação dela, que têm sido as tonalidades dominantes, quando se trata de abordar esta zona, das mais obscuras, do caso Pessoa.» Hugo Pinto Santos, em   Orgia Literária

Choque de Titãs

Mario Vargas Llosa Gabriel Garcia Marquez                                                                       Vs.  Seria tão bom que estes dois "monstros" tivessem feito as pazes. “ Voltou a ver a García Márquez?”, arriscou Granés quase no final. ( entrevista a Vargas Llosa )  “Não, nunca...Estamos a entrar em terrenos perigosos, penso que é o momento de pôr um fim a esta conversa ” Para ler tudo aqui .