Em tardes tão pouco douradas, absolutas em desmaios vespertinos, nada me apetece de produtivo. Agacho-me à janela, dentro de uma concha de inutilidade, escondido da vista, para que ninguém lá fora possa reparar em tanto desperdício. Tocam as músicas na mesma, mas baixinho como o mau cheiro dos pés dos anões, a Liz sussurra inconformada, o Robert desiste a meio da canção e sai de cena a retocar a maquilhagem. Mudo para bebop e animo um pouco-nada desta ronha entranhada. Bebo dois goles seguidos sem perder tempo a contar as porções. Que interessam as porções? As garrafas só choram quando lhes acaba o líquido. Tenho destes dias assim fodidos, tenho pois. Graças a Deus que os tenho. Se tivesse de ser normal todos os dias, enlouqueceria normalmente! Lá fora, o mundo inteiro imobilizado na minha cabeça, enche-se de apelos luminosos, como a luz de um farol voltada ao mar de incerta tempestade. Rais' partam os donos dos cães que cagam tudo com os seus bichos mal ensinados. Malditos...