Aos últimos dias do ano encontraram-no ainda a picar um dragão com uma lança de arame, sempre quixotesco, na esperança que o gosto da perdição diminuísse mas não diminuía. - Nunca nada me diminui aqui à espera por um bocado de sorte. - pensou o Senhor Barbosa. Nisto sentiu uma restolhada imprevista no peito, entre as mamas feitas de desolação, flácida carne de desespero acumulado. Fincou-lhes os dedos por baixo e largou-as, uma e outra vez ao espaço. Pegava-lhes e largava-as. Duas, cinco, vezes e vezes sem conta. Fazia-o de olhos fechados que os espelhos há muito que os retirara da casa. Também não diminuíam. O Senhor Barbosa lembrou-se muitos anos antes, de ter sido visto por algum outro desgraçado a caminhar nu o fio direito do murete da marginal. Afinal estava-se o ano a acabar e parece que se festeja a renovação, a esperança da mudança no novo. Assim fez e prenderam-no. Não foi a primeira vez que o encarceravam por querer ser livre. Não seria a última. O Senhor Barbosa,...