Começar um novo Livro por Acabar Poema 5 Depois do primeiro olhar apanhado de surpresa fora das margens, ficaste sentada num nicho de pedra azul naquele novo absoluto pasmo que se sente face ao branco de um começo. Aí escreveste o nosso romance inteiro. Um breviário. O ponto final foi a mais perfeita sentença que sempre imaginei para uma tarde só feita de olhos postos. Deslizaste-os lassos pelo meu peito assolado pela fome de meses inteiros de iliteracia e aí deixaste a frase a começar um resto de dia para sempre. Logo despi todos os medos no calmo rio, defronte. Misteriosamente, libertou-se uma mecha do teu cabelo pelo vento do entardecer e os teus lábios nem se mexiam eram só o teu sorriso parecido a um fogo-de-artifício em câmera lenta, luzes lentas num fim de tarde quente de Verão, abrindo a minha frágil trincheira.. Falhar-te-á um dia a minha memória, e o que fomos ruirá, no primeiro vento que o ...