Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Coisas da vida

Abandonem toda a esperança, os que aqui entrarem!

 

Head like Krakatoa

 

A vida é uma caixa de sapatos

Admito que os álbuns de retratos me fazem um pouco de espécie. As fotografias ali tem sempre um certo ar bovino, quase domesticado, irritam-me. Sabe-se de cor a ordem de entrada em cena, e criam uma lógica de tempo e espaço nas nossas vidas que talvez jamais tiveram ou voltem a ter.  Arrumam-se para ali organizados os momentos mais marcantes de uma vida. Mas porquê aqueles? E qual a razão para terem aquela ordem? Cronológica, a ver um grupo de pessoas a envelhecerem em fragmentos de papel " gloss ", página a página? Ou pior, álbuns de efemérides? Infindáveis. Todas as vidas nutrem estas composições singulares. Existe um paradoxo pré-ordenado para se angariarem estes instantes, em vez daqueles outros, os passageiros, que, sem que nos apercebamos importam mais que os anteriores. O casamento da Mi e do Carcará; que magra estava ela naquela altura, linda mesmo, porém, aquilo quiçá era a bicha solitária a comer-lhe por dentro. Mais tarde seria o marido a devorar-lhe a vida inte...

Medos apocalípticos

O Walking Dead retornou ontem para terminar a segunda metade da 9ª temporada. Já sem o combativo Rick Grimes (pena) e aparentemente, até lhes deu para matarem o Jesus pelo meio (também pena), assim como assim, este novo enredo não desilude, e os caminhos possíveis para o curso da narrativa são muitos e todos cativantes. É claro que estou feliz, porque adoro esta série como os por-do-sóis sanguíneos, porém... Há sempre qualquer coisa a estragar...

É só para uma estatística...

O meu filho diz que o blog hoje faz anos (não faz), mas fui saber como anda este mundo de saúde. Fiquei intrigado por saber serem mais os franceses e alemães que os portugueses a virem aqui parar. Não fico triste ou contente que os desígnios estatísticos de um algoritmo não são motivo para emoções fortes. Como eu gostava de saber que língua falam na "região desconhecida", apetecia-me agradecer-lhe com um abraço bem escrito.

Ano novo, mesmas queixas.

Como sempre imaginei que assim fosse, tudo se resume a mãos dadas, a entregas desprendidas. A um amor primordial, pois. De outro modo como poderei racionalizar que um texto "x" valha mais que outro "y"? - Venham os teóricos patrões desta razão toda e discutam isto. - Não virá ninguém, eu sei. Escrever é uma bestialidade tremenda que só serve as aflições mais primitivas do ser humano. Em boa verdade, desde a véspera de seja o que for que escreva penso em publicá-lo, e aqui é quando me sinto agitado, mergulhado numa excitação quase juvenil. No dia seguinte, visto-me quase sempre de fraque melodramático. Todos os dias seguintes, são a mais triste festa de passagem de ano que alguma vez passei (e já passei por algumas bem taciturnas). O pior, é que todos os anos são piores que os anteriores. Tomara que o tempo tivesse parado algures cerca de dois mil e treze. Aí tudo ainda me parecia possível e vivia uma ingenuidade libertadora, propensa ao desejo férreo de jamais ...

Natal neste meu Mundo

Textos Devolvidos VI

O Orgulho é uma Nuvem Um dia acordarei longe do teu abraço.  Porque existir é outra coisa diferente disto que me exiges: é a surpresa da vida,  o encontro da emergência de aqui estar, o princípio bondoso do amor próprio  e também o seu maravilhoso fim.  Um dia não precisarei mais de pedir a tua mão acumulada sobre o meu destino.  Um dia serei o meu mundo próprio.  Serei assim, 
 E poderei ser livre finalmente, como as orgulhosas nuvens de outrora.  Vagueando pelo céu eterno, sem pedir permissão a ninguém. 
 Um dia serei alguém sem arrogâncias, alguém liberto de todos os cinismos,  de todos os azuis anti-naturais, tingidos. 
 Um dia serei melhor, alguém melhor! 
 Um dia acordarei longe e certo, e nesse dia serei somente a minha própria luz.  
 Que o fogo dos outros em nada me ilumina, 
  em nada me seduz. 
 Porque os dias só feitos de mãos atiradas ao vazio são a morte mais lenta de todas.  
 A m...

Pensamentos Avulsos XVII

Até a Morte tem os seus Dias contados

O Artista que faz falta Conhecer

Um dia desenhei um rectângulo largo em uma folha de papel-cavalinho, não foi salto nenhum, pois em anos antigos, já me tinha lançado a fazer rabiscos aqui e ali. Em pastel sobretudo, e uma vez cheguei ao acrílico, mas aquilo eram vãs tentativas sem finesse alguma. As artes plásticas são um mistério ainda, e uma das minhas grandes decepções como ser humano criador. Essa e a música. Creio até que terei começado a escrever por me faltar jeito para o desenho e para os instrumentos de sopro. Assim que voltemos ao meu rectângulo. Esquissei-o de vários ângulos e adicionei-lhes cornijas e janelas. Alguns sombreados. Linhas rectas e perspectiva autónoma, cor e até algum peso acumulado. Longe do real mas muito aproximado deste. Quando dei por mim tinha o Mosteiro (Stª. Clara) desenhado, em traços grosseiros e pôs-me feliz ter chegado ali, até me dar conta que cometera plágio. O meu subconsciente foi buscar o trabalho do Filipe Laranjeira ao banco da memória, e sem me pedir licença, copiou...

Um filho que não se chama assim.

Tenho dois filhos, um tem vinte anos e a outra dezasseis. A explicação estereotipada das abelhas e dos pássaros, das florzinhas...não sei... não funcionou de todo. Talvez por minha inépcia, ou talvez que por enquanto, tenha funcionado melhor num que no outro, resta saber. Os dois juntos são o cão e o gato e ambos insistem que não fazem mal a uma mosca. É verdade. Sou eu quem mata todas as moscas, melgas e aranhas cá de casa, e ainda que em muitos momentos destes anos todos, aqui e ali me parecessem bicharocos terríveis, toda esta experiência vem sendo uma zoologia bonita de amor, repleta de macacadas e aves de voos tristes. Ou isso, ou então aqui aplica-se aquela velha apologia de que tudo está destinado a encontrar o seu próprio caminho. Tentei ensinar-lhes isto de rosto sério mas eles olharam para mim e desdenharam tudo com um encolher de ombros. Não são parvos nenhuns os meus filhos, e nesta urgência de aprender a ser pai, ensinaram-me eles a constante lembrança de não falar coi...

Que Alguém Saiba que ando Seco.

Vendo o que me resta desta poesia como parte de um crowdfunding   que se destina a angariar fundos para a compra de uísque suficiente para conseguir escrever mais livros de poesia (ou qualquer outro género.)  que por sua vez acabarei por tentar vender, desesperadamente, para conseguir comprar mais uísque e assim prosseguir a escrever. e a beber e a escrever e a vender e a beber e a escrever...  E por aí fora... É uma espécie de boa causa!  - Mandem mensagem para Casimiroteixeiraescritor@gmail.com - (Nota: o ' c ' no inicio do endereço é mesmo maiúsculo ) (Nota 2: Podem sempre chegarem-se à frente e mandaram-me foder. Eu entenderei mal, mas é normal isto, pois sóbrio, entendo muito pouco do mundo de hoje. Prefiro escrever e beber até rebentar de infâmia.)

Quando nos desaparecem os livros...

Corre!   Se não está na  não existe????

As Crónicas do Senhor Barbosa XII

- O que é essa coisa da poesia? - Pergunta-lhe o renitente na rua. - Diz-me lá para que me serve? - O Senhor Barbosa ficou com a língua pesada para respostas imediatas, mas, na sua cabeça, a tapar disfarçadamente aquele protesto mudo, corriam-lhe os mais profundos e belos desejos dos Homens. - Então? - insiste o editor impaciente - Respondes ou não às minhas perguntas? Para que serve aquilo de que te serves para fingires que serves o mundo de alguma maior beleza? Esta última, mais dramática questão, teve um efeito de praxe naquele homem só raíz. Este homem só chão, posto a renascer para uma teoria inteiramente certa de uma nova vida, achou ser seu dever fazer-lhe espécie dar respostas que não iriam acudir nenhum espírito. Porém, interiormente, remoía-se contra a preguiça de não mastigar apenas os pensamentos. Queria mesmo responder-lhe e, em acto poético contínuo, provar-lhe que a poesia serve apenas uma coisa. - Dá-me ao menos um exemplo. - Persiste o inquisidor. - Nota bem, um...

Ser Artista já foi mais Fixe!

Muito pouco se admite do que, embora possa ser ilegal, é sobretudo absolutamente irrazoável.       ( Para mim pelo menos .) Uma destas coisas é o trabalho dos artistas que não se negoceiam a recibos, nem a chupa-chupas, pedras coloridas, alvíssaras de abraço, ou gratificações arvoradas com belos corações pulsantes na redes sociais, artistas que trabalham a custo zero. Pior, a menos um, pois só assim são considerados, pelo valor negativo da sua despesa. Pessoas extraordinárias que passam por baixo das linhas só porque elaboram trabalhos criativos que não se embutem em qualquer caixinha nos impressos oficiais, e isto independentemente da área onde pairem. - Que são muitas mais do que se imagina - Assim que, estes fabulosos facínoras , estes delicados brutos , estes marialvas das artes, postos ou pondo-se na exclusão da rede, por assim dizer, muito além do vasto descampado da brutal fiscalidade, acabam, evidentemente como foras-da-lei. E ai de quem levante a voz em seu...

Garrett a dar hóstias na boquinha dos desgraçados

Quando Garrett pouco antes de morrer, acabou de corrigir as provas de " Folhas Caídas " com a sua habitual caneta de porco-espinho tão mordida de tanto procurar a simplicidade, afirmou com autêntica singeleza: " os cantos que formam esta pequena colecção pertencem todos a uma época de vida íntima e recolhida que nada tem com as minhas outras colecções ." Não tinham mesmo, daí, esta sua última publicação ter sido encapotada sob o anonimato derivado dos seus cuidados pelo escândalo da sua relação com a Viscondessa da Luz, a quem a maioria dos poemas eram dedicados. - E contudo, desde os dez anos que versejava altivo, coisa de vocação pura e mais do que só isso, cresceu tanto levado por aquele talento ímpar que foi lançando um pouco de tudo ao prelo: romances, novelas, teatro, ensaios..enfim, um exibicionista descarado, pois havia em si um par de tomates a pingarem respeito, responsáveis pela maioria das suas virtudes e defeitos que pareciam ser capazes de tudo. E e...

Tudo isto é Exacto.

A chuva lava todos por tudo abaixo. É um singular milagre da natureza, que banal pareça, é transformativo e carregado da acuidade necessariamente exacta .  Em tempos disseram-me que utilizo demasiado esta palavra: " exacto ", em muitas, todas as suas formas lexicais possíveis. Que a levo à minúcia, que abuso dela, como se a violasse de algum modo intra-lexical, um toque pérfido de escritor menor que larga líquido e mediocridade por onde a escreve. Uma perversa disparidade de uso, mesmo de significado ou falso ' páthos '. - Eu não sei. Adoro apenas o seu sentido. - Ou quiçá simplesmente me quedasse aquém do excelso talento de escrever e só fizesse recurso a truques exactos . - Uma destas afirmações estará exacta - Não estou bem certo sobre a incidência exagerada do termo, mas tenho grande certeza da sua utilização debalde. Sobre a chuva, por exemplo, é mais do que óbvia a metáfora e por isso, exacta , além de mais questões monótonas. A chuva enerva as pessoas, ...