Avançar para o conteúdo principal

A caminho de um qualquer futuro



Isto precisa de ser dito, e já! 
É uma coisa que já sangra há muito e continua em ferida aberta, pois ninguém quer dizer realmente que ali está, sangrando profusa e exposta a infecções letais, vulnerável e tão frágil quanto uma criatura recém desabrochada entre algum gume impiedoso. - O enorme problema de muita gente, dita esclarecida e intelectual, é o de comparecerem apenas nos espaços de outros que tomam como seus superiores, dos quais almejam algo, ou para os quais os afectos menos puros os aproximam.  Procuram relações proveitosas, sugam tudo, sem remorsos e sem planos definidos para os seus futuros. Só querem  'ser', ou  esperam ocupar, em algum futuro provável, aquele mesmo espaço invariável de quem são meros súcubos. - Novamente aqui presente o imperativo tribal em acção nociva.

Seus grandes tolos!
Ide ver apresentações e conferências dos "rascas", dos "ostracizados", dos "colocados no mesmo saco" porque não têm outro lugar onde caber, visto não lhes ser permitido. Ide ser aquilo que sois, iguais ao que estes são, e talvez, TALVEZ, venham a ser alguém, qualquer coisa semelhante a 'alguém'.
Talvez descubrais nesses alguma flor rara, ou algum tigre irado contra a iminente extinção pré-estabelecida onde, sem que vos apercebais sequer, estais também, e podeis extinguir-vos igualmente.
Há que insistir nas melodias que melhor nos definem, mesmo que essas músicas só nos tragam más memórias. Há arregimentar os grupos dos rejeitados, dos irados, dos frustrados, dos fabulosamente talentosos que ninguém quer saber. Não fragmentá-los, nunca dividi-los em 'os que querem ser' e os 'que podem ser'. É preciso fazer frente ao que está estabelecido e esquecer os egos à entrada, pois, nos dias de hoje, nenhum ego será considerado quando chegar a altura de ser eterno. Só aqueles que batalharam e pugnaram incessantemente por assim o serem.
Mesmo que o Einstein tenha dito que: "A definição de loucura é a repetição das mesmas acções na esperança de mudança"; loucura não é tudo aquilo que age contra a natureza. É tudo aquilo que desnaturaliza as formas de poder. Isto verbaliza e dá significância à mais rejeitada de todas as formas de vitória; a perseverança! 

A existência de cada um na insistência do que acham certo, só mostra que não existe nenhum destino natural para todos. Ninguém externo nos ditará a solução, o caminho, só nós, se conseguirmos afastarmos-nos desse vírus de tentarmos agradar aos que já estão dentro do sistema. O importante é atingir-se uma voz própria, uma novidade poderosa, ainda que nem seja aquela que todos glorifiquem nesse momento de tempo.
Andámos todos aqui a tentar e errar. A tentar e a errar, seus cabrões arrogantes! Não a sermos vendidos aos sicofânticos, não aos mercadores cegos, não. Nunca caias na tentação de ser igual para ser maior, igual aos maiores. Os maiores estão mais petrificados que tu, estão para sempre varridos do inusitado, da descoberta de novos caminhos e tu não. Tu não estás ainda. Se ainda ao menos, tiveres a coragem de não te venderes ao que queres desesperadamente. O mesmo que estes já possuem. Tenta à tua maneira, tenta ser original e eterno nas tua condições. É humano querer ser inovador. 
Ide lá ver essa gente gigante de determinação, essa gente imensa contra o vírus da fama, e depois digam-me coisas sobre as vossas decepções. Digam-me tudo, sem reservas.
Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

As Crónicas do Senhor Barbosa III

O Senhor Barbosa acredita que já nada o pode magoar. Nem o desprezo passado, presente ou futuro, nem o cão esgalgado da vizinha, de dentes longos, nem a hesitação insípida do amor mais ou menos alvoroçado, nem a morte, nem nada. Nada mais lhe poderá acontecer de tragédia inventada. Já outros a inventaram por si. Olha para os reflexos e sabe que isto é de uma tal arrogância que até lhe faz doer os dentes postiços. Ri-se e prossegue a acreditar na sua recém-criada fortaleza inexpugnável. Mas, o Senhor Barbosa não fecha os olhos debalde, e sabe que, em tempos difíceis, às vezes é preciso morder a laranja para a poder descascar. Nada significa o que quer que seja até ao dia seguinte, altura em que voltamos a fazer contas à vida. É quando o riso cessa. Sabe isto e mesmo assim ri. Porque não? Está tão bêbado que outra coisa não lhe ocorreria fazer. O que é difícil é ultrapassar a espera pelo dia seguinte. Ali estava outra vez o ruído. Aquele ruído frio, cortante, vertical, que tão bem conheci…

Constante de Planck

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.