Apareceu-me na rua, anteontem, debaixo de um castanheiro, um senhor baixinho todo anacrónico, com um bigode orgulhoso que era o seu factor humano, e vinha este acompanhado por uma menina grande de pele morena e doce, com um sotaque às curvas como o Amazonas. Eu caminhava na direcção oposta e o homem pareceu reconhecer-me em inversão de marcha, detendo-me à sombra. - É mesmo você? - Perguntou-me. - Sim, sou mesmo eu. - Respondi-lhe cheio de certezas pessoais, mas algo fragilizado pela imponência ostensiva do seu bigode. Havia também um coque perigoso - na rapariga - muito bem enrolado e muito bem preso que era mais bonito que a sua cabeça inteira, e tinha também um par de olhos grandes, e eu gosto de olhos redondos, como os vocábulos. Fiquei a ouvi-los, pois havia sombra presa por cima e boa vontade ao nível do chão. A primeira coisa que me disse - o homem - foi sobre a palavra nuvem, que era a sua favorita, dentre todas as nossas palavras, ditas ou escritas, e que me agradecia m...