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A mostrar mensagens com a etiqueta Senhor Barbosa

As Crónicas do senhor Barbosa XIX

Aconteceu. Depois da família se evadir da junção. Depois de atravessar o suão daquele introspecto deserto que só põe o corpo rarefeito. A cabeça insuspeita. Após o pequeno apocalipse que só desune, reergueu-se e pôs-se tão hirto quanto poderia para foder o mundo inteiro face à doença que o come sem descanso. E, o que devora o Senhor Barbosa, afinal? - Quiçá importe esmiuçar todos estes devaneios que vos andaram a gozar dezoito vezes antes, mais aqueles que envolveram a Patusca singularmente. - Há que entender este homem, penso eu. Esta história real. Especialmente no seu cerne, realmente no seu interesse. Quem é este Senhor Barbosa que faz hoje cinquenta anos e não consegue ser homem suficiente para se dizer adulto? Que criatura emerge deste corpo, e, fazendo-o, que pessoa se torna afinal? Dado que este Senhor Barbosa andou capítulos e capítulos a morrer interiormente, sem morrer de facto. Quase parece possível haver gente no mundo que se desinteressa por quase tudo e por fim, pot fim ...

As Crónicas do senhor Barbosa XVIII

Investir selvagem pelas ancas, naturalizar-se besta por todo, ou meramente borrifar sémen ao desbarato, como se apagasse fogos incontroláveis por lugares selvosos, estava muito longe de ser a postura do Senhor Barbosa na vida. Foi um despertar aqui há uns anos. Já muito que a sua virilidade natural fizera por décadas e décadas, agora, caía em sossego profundo, até ao dia em que a quietação se tornou total. Medidas as circunstâncias, concluiu que a dada altura, e sem que se tivesse apercebido quando, não abdicou voluntariamente do sexo. Antes este o fez por si. E, em boa hora. Conquanto o celibato não houvesse sido uma opção tomada, era-o na mesma. Rasurava-lhe uma estranha plenitude que dedicara à escrita. Cabia-lhe agora uma paz circunscrita às virilhas e localidades arrabaldes que já não o admoestavam com aquela ânsia contínua que igualmente o incomodava, como tantas outras. Todavia, e apesar da concórdia, permanecia-lhe uma injusta incerteza em relação a Madalena. - O próprio  B...

As Crónicas do senhor Barbosa XVII

  Aquela Lua de Outubro vinha levantando-se medonha nas últimas noites. Imensa, grotesca de tão bela, e não havia maneira de a evitar. Caía-lhe mal, quase como os fritos. Às sua custas, andava o Senhor Barbosa tão mal dormido que ganhara uns sulcos marrons, raiados, por baixo das habituais olheiras de má-disposição ao absoluto. Para completar o quadro burlesco daquele lar desavindo, a pobre Madalena agora recorria a muletas para tudo. Fosse para lhe pedir que despejasse os cinzeiros, a areia dos gatos, a sua incomensurável frustração, para ir às compras na Cooperativa, rogar o que pudesse no altar da N.Senhora da Lapa, ou inclusivamente apenas circular pela casa, em um passo metálico de lesma, com uma borracha de permeio. "Cabra!" - Pensou o Senhor Barbosa - "Sabia sempre como rasteirar um homem."  Se pudesse, dar-lhe-ia uma mão. Até se atiraria a esfregar e a aspirar. Embrulhar-la-ia no regozijo de uma latrina de gatos fresca e cheirosa. Comprara daquela areia bril...

As Crónicas do senhor Barbosa XVI

O Senhor Barbosa sabia agora que até os habitantes mais canhestros de Conde Santo podiam triunfar. Claro que era preciso amargar muito, a todo o custo, a todo o custo de qualquer prazer possível, para as coisas chegarem tão longe, mas sabia agora que era possível. Bastava fingir que era. E sabia também que, em Conde Santo, há um exército de fingidores a serem melhores do que ele. Não se demovia de tentar, contudo. Madalena engomava na cozinhava. O som do vapor do ferro acalmava-o. O aroma da limpeza e decoro da sua casa espraiava-se em seu redor. Ela cantarolava quase assertiva, quase triunfante após o esforço em o domar. Estava iluminada pelo sol radioso, quase, filtrado pela pequena janela da cozinha. Toda aquela luta desunhada porém, deixou marcas, em ambos. Ele voltava à janela quando ela não o via. Madalena emagrecera imenso. Descera de rubicunda a macérrima. Modesta e circunspecta, jamais. Ali estava ela, a imagem conseguida de um quadro Rockwell; um pé nu arqueado, sobreposto so...

As Crónicas do senhor Barbosa XVI

Há pouco, de manhã, deparou-se-me a senhora Norberta, a vizinha do 1º esquerdo, e saudou-me levando os olhos ao céu. Tossi de imediato. O raio da gripe! - Que Inverno! - Disse-me ela após a pausa do cumprimento de cabeça. Fiz o mesmo, para não me estranhar mais do que o costume; "Sim, que Inverno!" - Exclamei elevando um pouco o saco do pão até à tosse, e só depois é que levantei também desajeitadamente os olhos. Aquilo pareceu agradar-lhe, pois sorriu pelo seu caminho descambado adiante. Era hóspede da irmã mais nova, com rótulo de pensionista, cujo marido se encontrava em situação particularmente vantajosa. A senhora Norberta partira a bacia dois meses depois de perder o marido, três anos após ter perdido o emprego na fábrica das calças. E a frase " parente pobre " que soa tão mal a uma irmã como a qualquer um, nunca a ouvi vir pronunciada desde o andar de baixo. Só que o chibo do marido da irmã, o grandessíssimo senhor engenheiro, conta tudo à vizinhança c...

As Crónicas do senhor Barbosa XV

Tenho direito às minhas ideias embora não tenha direito à minha vida. - Sim meu amor - confabula o Senhor Barbosa de olhos postos na chuva - aquele que só se interessa pelas coisas que os outros desprezam, não tem grandes direitos. Os memoráveis momentos da minha vida foram todos poesia, cheios de vibração e delírio. Gigantes, todos eles. Mas sabes também, nenhum desses momentos foram meus. Eu não existo Madalena. São onze horas da manhã e nem me deitei, nem dormi. Ando fatigadíssimo e dói-me algo importante cá dentro. Apalpo-me todos os dias e faço exames minuciosos ao espelho. As minhas mãos não param. Logo eu que detesto espelhos. Creio que todas as funções do meu corpo continuam a trabalhar compensadas, não noto manchas ou inchaços. Havia um caroço duro na parte de baixo da bochecha esquerda, mas vim a saber que era apenas um pequeno depósito de gordura. Talvez me masturbe mais do que deveria. Porque ainda não fizemos o Amor? Li em um livro que o Amor nos liberta do egoísmo. M...

As Crónicas do Senhor Barbosa XV

Exibia-se um filme do Harold Lloyd, o terceiro génio, na sala quase vazia do cineclube. Na primeira fila da plateia, o Senhor Barbosa sentia-se convalescente das suas emoções. Ao seu lado, mão direita pousada sobre a sua esquerda, Madalena ria sem remorso. Ao senti-lo naquele estado de quase descrença, ela desvia a atenção do ecrã por instantes e ao seu ouvido explica-lhe a palavra feliz . O Senhor Barbosa quer acreditar que existe no indivíduo um lugar reservado a isso. Podia entrevê-lo além das imagens saltimbancas do preto-e-branco. Ele também acabou por se rir, e enquanto lhe apertou a mão o coração pareceu todo soltar-se.  - O Harold Lloyd era um génio de facto. Conseguir desapertar-me o coração às escuras não é tarefa de somenos importância.  Ela fechou os olhos em honesta satisfação e apertou-lhe também a mão. De repente, um pequeno burburinho na parte de trás da sala: "Ladrão, ladrão!" - alguém gritava. Logo quase a seguir as imagens da tela empalideceram...

As Crónicas do Senhor Barbosa XIV

Clareara-se o dia. As nuvens pareciam um outro mundo só montanhoso feito de cal e pendurado lá em cima, em cima da sua janela. Notoriamente o senhor Barbosa perdera a batalha contra a própria determinação, mas quiçá ainda se pudesse salvar algo desta sua guerra. Lá fora, na praça lavada de paralelos, estava uma mulher parada ao lado de um dos pilares dos arcos. As outras pessoas passavam para aqui e para acolá, porém, aquela mulher não se mexia do seu lugar. Tinha um pescoço delgado e a cabeça atirada para trás, com os olhos presos à sua janela. - Não pode ser. - Pensava o Senhor Barbosa. No entanto, a sua razão esforçava-se por romper os véus da descrença e por compreender a situação. - Devo abrir a janela? - Continuou nos seus pensamentos. - Não. Não será nada comigo. Admirará apenas o edifício, certamente. - Todavia, de modo algum conseguia desviar dela o olhar, também. Pareciam ambos trancados um no outro. Fechados pelos olhos e oblívios a tudo o resto. Foi ela quem rompeu...

As Crónicas do Senhor Barbosa XIII

Fechada a última caixa, o Senhor Barbosa, atirando um murro à mesa, levantou-se, deu um safanão às calças, passou a mão pela barba crespa e densa que lhe dava ao rosto uma expressão feroz e, com uma voz retumbante, despediu-se: "Adeus velho mundo, adeus, adeus. Adeus esperança tão efémera. Puta que pariu os retornos, novos erros nunca apagarão os antigos." - Talvez tenha vertido aqui alguma lagriminha manhosa, daquelas que nos assaltam quando menos as esperamos.  Contava uma mão cheia de décadas no corpo e bastava-lhe de indigência caseira. Isto passou-se no maravilhoso dealbar do Inverno que fugia de ser mais tempo de Outono e gozava de completa liberdade.   Anulara a renda da casa frente a um senhorio exultante, despedira-se da EDP e da Indáqua que muito prontamente lhe cortaram os serviços de assistência - já não se importava - Podia morrer lá fora à chuva se quisesse, de joelhos, sobreaguado no declive da rua das Mós. Ao por os pés fora da casa, o seu rosto parecia...

As Crónicas do Senhor Barbosa XII

- O que é essa coisa da poesia? - Pergunta-lhe o renitente na rua. - Diz-me lá para que me serve? - O Senhor Barbosa ficou com a língua pesada para respostas imediatas, mas, na sua cabeça, a tapar disfarçadamente aquele protesto mudo, corriam-lhe os mais profundos e belos desejos dos Homens. - Então? - insiste o editor impaciente - Respondes ou não às minhas perguntas? Para que serve aquilo de que te serves para fingires que serves o mundo de alguma maior beleza? Esta última, mais dramática questão, teve um efeito de praxe naquele homem só raíz. Este homem só chão, posto a renascer para uma teoria inteiramente certa de uma nova vida, achou ser seu dever fazer-lhe espécie dar respostas que não iriam acudir nenhum espírito. Porém, interiormente, remoía-se contra a preguiça de não mastigar apenas os pensamentos. Queria mesmo responder-lhe e, em acto poético contínuo, provar-lhe que a poesia serve apenas uma coisa. - Dá-me ao menos um exemplo. - Persiste o inquisidor. - Nota bem, um...

As Crónicas do Senhor Barbosa XI

O Senhor Barbosa às vezes faz um esforço e vê o mundo como se este fosse novo, com os traços nítidos de um recém-nascido. Cheio das cores e formas vivas da primeira vez. É esquisito não lhe causar mais estranheza olhar-se ao espelho, e ver-se tão jovem que poderia quase ser filho de si mesmo. Deixa passar um breve silêncio, depois diz devagar, de si para si: "Ninguém ouve ninguém, não sabes? Que aprendeste com a vida, homem?" "Pobres tolos existem em todo o lado, vestem-se de gente mas são melhores do que vulgares pessoas, parecem flores constantemente a florir - acrescentou - pelo menos na minha juventude havia-os aos magotes nesta nossa terrinha. Enchiam as ruas desse mesmo fingimento com que as pessoas de agora se entretêm a evocá-los." Já então correra de boca em boca, e mesmo em algumas notas de rodapé no último pasquim que o reconhecia, que o Senhor Barbosa havia endoidecido pela morte que o cobriu dos pés à cabeça e depois o soltou em um soluço, reje...

As Crónicas do Senhor Barbosa X

Depois de morrer é tudo igual ou um mistério ou uma grande falsidade. Na verdade, pouco se sabe sobre o depois, ou se este aconteceu de facto. Falou-se em muito sangue e numa banheira impossível de se limpar em modos. Todavia, como sempre fazem, as pessoas deitam bufas ao desbarato e quase nada acrescentam de verdade ao que já sabem. A grande tristeza aqui, é que não veio uma alma sequer verificar os factos, fossem estes comprováveis ou não. Muitos casos grotescos desta natureza desumana têm vindo a lume ultimamente. As pessoas andam transtornadas e sucumbem mais à raiva do que era costume. Explodem, explodem..as pessoas saturadas perderam por fim a paciência. O caso mais imperioso que me recorda é o deste exacto indivíduo que só sabia ser gente ao longe e em segredo.  Disseram-no morto.  Mas é tudo falso. Queriam-no assim, porque incomodava muito. Não preenchia as caixinhas, nunca alinhava, e a proximidade das pessoas constrangia-o por demais. Não abria a porta, não at...

As Crónicas do Senhor Barbosa IX

Depois de morrer, o interior do Senhor Barbosa nem apodreceu por dias e dias, como sempre acontece com todas as outras criaturas deste Reino natural de homens, bichos e flora tão despudorada, inseridos em algum ímpio crescimento desordenado. Depois de morrer, ainda pareceu viver mais alguns anos e todos quanto o observaram assim o consideraram, pois, por conseguinte, era vivo que o sabiam, nunca morto, e aos vivos ninguém parece muito particularmente interessado em passar certidões de óbito precipitadas. Depois de morrer, o Senhor Barbosa, ainda escreveu a sua própria elegia. - Esta! - Pôs-se à janela e começou a ditar palavras muito baixinho, e estas iam-se escrevendo por si até ficarem completas. Nela, descrevia o seu fim prematuro, e quanto tempo precisaria para convencer os outros de que realmente falecera em virtude de tanto desprezo, tanto desrespeito pela sua simples condição eremita de Homem só! - Quando acabou apercebeu-se da inutilidade do que tinha escrito, mas, nã...

As Crónicas do Senhor Barbosa VIII

- Depois me dirás se mais alguém te lavou assim os pés. - Ela arregalava o branco dos olhos, como quando se duvida de tudo por regra, ou se questionam os prodígios entre a sua raridade regular. - Poderás dizer-me que não, mas, acredito que nem os pés do próprio Cristo alguma vez terão sido assim lavados com tanta abnegação e amor. - Purgou o Senhor Barbosa, inteiro pela boca. - Sem asas ou vôos imaginários de fénix destruída, - disse-lhe mais - só amor puro e luminoso, pois que esta extensão das minhas mãos, líquidas em teus pés, é quase um uivo terrível de alguma outra desgraça iminente. Pode ser. Será? Ou isso, ou é a perfeição incansável. A mulher recuperou os sentidos num abrir e fechar de palavras estranhas. Limpou-se com uma toalha pequena e voltou ao telefone. Agora oiçam a mulher falar sobre um pequeno romance que nem lhe passaria pela cabeça existir até ter colocado os pés naquela bacia: - Desculpas-me? Foi isto. Apenas alguns segundos antes do final, para impor algu...

As Crónicas do Senhor Barbosa VII

O Senhor Barbosa viu os padrões da chuva colados a stencil na janela central da sala comprida e ficou algum tempo parado a esperar pela razão nos intervalos das gotas desavindas. Pois naquele instante a rua povoava-se apenas de donos de cães joviais cumprimentando-se uns aos outros e achou-se reles e maligno como um animal doente. O novo ano trouxera-lhe alguma percepção aguçada como todos os novos anos lhe traziam, mas perdera-a completamente entre as passas e as resoluções. Este deja vu era tão impiedoso que já era uma amarga tristeza que o impregnava nos anos novos de isolamento. Continuava a ser o tipo de homem que olha através de janelas, que faz da vida uma camisa-de-forças impossibilitando-lhe os movimentos e também o tipo de homem que persegue causas perdidas com nomes femininos. E quem visse de fora, pareceria-lhes que continuava igual a antes, só que, agora, tinha noção de que mais um ano se passara e ele, Senhor Barbosa, já não caminhava para nenhum lugar cheio de mara...

As Crónicas do Senhor Barbosa VI

Aos últimos dias do ano encontraram-no ainda a picar um dragão com uma lança de arame, sempre quixotesco, na esperança que o gosto da perdição diminuísse mas não diminuía. - Nunca nada me diminui aqui à espera por um bocado de sorte. - pensou o Senhor Barbosa. Nisto sentiu uma restolhada imprevista no peito, entre as mamas feitas de desolação, flácida carne de desespero acumulado. Fincou-lhes os dedos por baixo e largou-as, uma e outra vez ao espaço.  Pegava-lhes e largava-as. Duas, cinco, vezes e vezes sem conta. Fazia-o de olhos fechados que os espelhos há muito que os retirara da casa. Também não diminuíam. O Senhor Barbosa lembrou-se muitos anos antes, de ter sido visto por algum outro desgraçado a caminhar nu o fio direito do murete da marginal. Afinal estava-se o ano a acabar e parece que se festeja a renovação, a esperança da mudança no novo. Assim fez e prenderam-no. Não foi a primeira vez que o encarceravam por querer ser livre. Não seria a última. O Senhor Barbosa,...

As Crónicas do Senhor Barbosa V

Seria de supor que o senhor Barbosa viesse novamente a lembrar-se de deixar escritas mais algumas palavras. Afinal é um homem, um filho e um irmão. Foi um pai e um marido, um amante altruísta, companheiro subterrâneo, cúmplice circunstancial. Até foi amigo apático de alguns, mas já se esqueceu de quem, e o pai, figura fantasmagórica sempre perfilhada em uma luz mais brilhante por entre todas as chamas mais explosivas da sua vida, veio afinal a cumprir, deixando-lhe instruções para se salvar no mundo, como sempre lhe prometera que faria. Estava tudo em uma cartilha manuscrita em letra bem desenhada, que o senhor Barbosa só agora descobriu oculta entre uma legião de restos descartados da sua infância, ao lado destes, metida dentro de um pano atafulhado naquele nicho de tijolo de burro que um dia de tempestade fez soltar-se da lareira apagada. Para ele aquilo era um acto de adoração. Mas o senhor Barbosa ficou tão arrebatado pela descoberta, ensombrado pelas nuvens visíveis por cima ...

As Crónicas do Senhor Barbosa IV

O senhor Barbosa p arece que teve uma juventude feliz. Que pena que a felicidade não o acompanhou em anos mais recentes. Quando envelheceu, deixou muito pelo caminho. A felicidade foi uma delas. Ou talvez a inocência. Talvez até tenha sido a inocência o que o fez perder a felicidade. Não sabe muito bem, mas anda a ler sobre o assunto. Também não se importa. Já se habituou a ser mais velho do que as pessoas o imaginam. Tem uma espécie de estratégia absolutamente ineficaz, mas que usa e abusa como se fosse um plano perfeito: afasta-se e deixa todos em paz por algum tempo, e quando acha que passou tempo suficiente e tendo a obrigação de já ter realizado algo que valesse a pena no entretanto, retorna, com ar tímido e curioso de discípulo admirativo, que vem visitar os mestres. Talvez pareça que o senhor  Barbosa  nem sente saudades de ninguém, mas é um equívoco.  Depois de dias cheios de tempo em excesso, logo surgem as suas idei...