É uma obsessão muito minha, reconheço, esta de me enraizar em ideias fixas, até me livrar delas definitivamente e voltar a ficar com o contentor vazio, ajustado a novos conteúdos. Se calhar, talvez seja mais apropriado, assumir de uma vez por todas que sofro de obsessão compulsiva pelo sentido das coisas. Por outro lado, é muito incomum da minha parte, chegar aqui e falar descontraídamente dos livros dos outros, sejam estes de grandes génios ou decepções puras, esgadanhadas em papel, por meros profanadores da sagrada arte da escrita. Como escrevo também, não me cabe dizer nada sobre terceiros, só pelo risco de haver quem goste e me chame à atenção por ser melhor crítico que escritor, ou pelo prazer de deitar abaixo quem não merece, pois ninguém merece ser atirado ao chão por tentar seja o que for. É uma disrupção como qualquer outra, por vezes tentadora, só que não o faço, nunca, jamais... não gosto de provocar desconhecidos nem de me ajoelhar aos pés de vacas sagradas...