Avançar para o conteúdo principal

Ver prémios como Unicórnios


Rais' partam os prémios literários que só contemplam ou autores (de editoras que possuem os recursos para lhes enviarem os exemplares requeridos) e que publicaram no ano anterior ou jovens, crianças até, em alguns casos, pululantes ranhosos cheios de acne e arrogância sem fim, impregnados de uma qualquer bravata literária, que continuo sem entender, de quererem ser escritores pela mera noção de que os escritores são especiais. É aquele ensejo grotesco e ilusório de se verem publicados, seja como for ou por quem for. (já me deixei desse pesadelo) 
Resta uma panóplia de 'licitações' inglórias, tiros no escuro em clara evidência, a concursos viciados de inúmeras autarquias. Mandam-se uns 'mails' com o manuscrito anexo e esfrega-se a pata do coelho, ou lambe-se o trevo, aguardando alguma sorte vinda do espaço dos deuses decisores. - Que grande enxovalho!
Na verdade, o 'autor' gasta o seu parco dinheiro a imprimir três ou cinco exemplares do seu manuscrito (dependendo do número de glutões que constituem o júri de tal concurso) e, inevitavelmente desespera continuamente por nunca ser escolhido, pois há que dar primazia ao sobrinho desempregado do vereador das obras públicas. Um rapaz muito bem posto, sobretudo na parte em que percebeu que, se enviasse quaisquer mil palavras escritas em sequência poderia contar com o seu tio para lhe financiar os próximos três meses de alimentação feita à base de McDonald's.
Portanto, foda-se!

Mensagens populares deste blogue

As Crónicas do Senhor Barbosa III

O Senhor Barbosa acredita que já nada o pode magoar. Nem o desprezo passado, presente ou futuro, nem o cão esgalgado da vizinha, de dentes longos, nem a hesitação insípida do amor mais ou menos alvoroçado, nem a morte, nem nada. Nada mais lhe poderá acontecer de tragédia inventada. Já outros a inventaram por si. Olha para os reflexos e sabe que isto é de uma tal arrogância que até lhe faz doer os dentes postiços. Ri-se e prossegue a acreditar na sua recém-criada fortaleza inexpugnável. Mas, o Senhor Barbosa não fecha os olhos debalde, e sabe que, em tempos difíceis, às vezes é preciso morder a laranja para a poder descascar. Nada significa o que quer que seja até ao dia seguinte, altura em que voltamos a fazer contas à vida. É quando o riso cessa. Sabe isto e mesmo assim ri. Porque não? Está tão bêbado que outra coisa não lhe ocorreria fazer. O que é difícil é ultrapassar a espera pelo dia seguinte. Ali estava outra vez o ruído. Aquele ruído frio, cortante, vertical, que tão bem conheci…

Constante de Planck

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.