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Habemus Papa

 

O (estranho) dilema do Évora.

Toda a gente gosta de futebol e touradas. Poucos admitem gostarem de touradas, mas gostam, muitos. Isso é lá com eles, não venham é depois chorar baba e ranho sobre aquele cão agastado de pústulas e solidão que viram abandonado ao pé da A2 quando se dirigiam até ao Algarve para tostar os pouco miolos que possuem. Como em tudo nesta vida, dois pesos e duas medidas, nunca resultam,  Já sobre o futebol, o fartote de gente que vive aqueles pontapés, cabeçadas e peitaças, é de um ridículo estudo que fiz em conversas pelas diversas empresas onde trabalhei, amizades que travei, conversas ébrias que escutei e literalmente quase toda a gente que conheci em 51 anos de vida, confirmando-me a estupidez do mundo. Não só o meu, o português, o europeu...o mundo inteiro. O mundo inteiro é absurdo nas suas paixões por bolas! Agora, quando saímos destas áreas e nos dirigimos a outras modalidades, assistimos a mais dramas. Há drama em todo o lado. Tomemos em conta o mundo do atletismo. E, não somente...

O mundo exacto, como sempre o foi.

Yuliy Ganf ( 1953)  

Bruno Ganz

Bruno Ganz assume uma longa e frutuosa lista de créditos cinematográficos da mais alta estirpe. Um actor suíço muito minimalista nas suas interpretações, extremamente contido, que trabalhou com os melhores e nos habituou ao melhor daquilo que um actor nos pode oferecer: a humanidade. Das suas últimas prestações recordo o perturbante filme de Lars von Trier " The House that Jack Built " (2018) onde interpreta Virgílio, entregando-nos a imagem da consciência omnipresente sobre a figura do mal puro, que derradeiramente conduz ao Inferno, justapondo-se ao próprio episódio deste, na " Divina Comédia " de Dante , onde ambos adentram e deambulam pelos círculos do Inferno. É um pequeno papel, que quase fecha o filme, mas que é fundamental para o mesmo. Aliás, Ganz sempre foi pródigo neste aspecto " No small parts " dir-se-ia, ou sobretudo, o seu ofício exposto na tela de uma forma tão cativante e exímia, que, por muito pequeno que fosse a sua parte, nunca pa...

Tempo Vencido

Vila do Conde em Primavera antecipada é um chamamento com uma persistência vegetal, secreta. Vencido o manto húmido que pesava sobre a cidade nas últimas semanas, o ar pôs-se ligeiro, aliviado e chama-nos para as suas ruas. Primavera, finalmente a Primavera, tal como ela costuma chegar aqui depois de muitas hesitações e de muito trabalho para vencer as nuvens da costa. As pessoas bem dão por isso. Sentem a necessidade de olhar o céu, vêem azul e um azul fino, alegre, e dizem baixinho: "era mesmo isto." Depois descobrem as pedras louças das ruas ancestrais, o voo luminoso dos pássaros e a colina milenar a debruçar a cidade, diante do rio e dos campanários, cobertos de uma luz macia, feminina e descobrem um novo andar neste espaço todo. É isso a Primavera em Vila do Conde; um novo sentido no olhar, uma nova velocidade: "era mesmo isto", dizem as pessoas. Uma romagem feita com a aparência do acaso vê-se na multidão atarefada com estes dias de Primavera. Circul...

Medos apocalípticos

O Walking Dead retornou ontem para terminar a segunda metade da 9ª temporada. Já sem o combativo Rick Grimes (pena) e aparentemente, até lhes deu para matarem o Jesus pelo meio (também pena), assim como assim, este novo enredo não desilude, e os caminhos possíveis para o curso da narrativa são muitos e todos cativantes. É claro que estou feliz, porque adoro esta série como os por-do-sóis sanguíneos, porém... Há sempre qualquer coisa a estragar...

A "Helena" não tem Culpa

Ler, contra a tempestade. Ler a meu favor. Ler porque os livros não precisam de mim para nada, mas desejo-os tanto. Ler é felicidade interna bruta, conceito maravilhoso em qualquer lugar, tempo ou clima. Vivem lá umas pessoas, imaginem. Malucos, que nunca se cansam. Porque são malucos? Claro. Como é que um maluco se podia cansar? - A "Helena" não tem culpa, tenho eu. Georges Seurat "Man Reading" 1884

Saudades de ver bons filmes (XX)

Alfonso Cuarón produziu um pequeno milagre: fazer-nos acreditar que um filme esteticamente anacrónico e desgastado narrativamente é uma obra-prima. Roma tem muitas virtudes, mas também muitos defeitos e cada um, depois de o ver, saberá se o primeiro supera o último ou vice-versa. Entre os defeitos, aponto como irremediável o seu esteticismo memorialista, a repetição do deslocamento lateral da câmara torna-se até maçadora, e mesmo a reconstrução da época, que a princípio surpreende favoravelmente, logo se transforma em um mero exibicionismo da capacidade de produção (a cena do incêndio florestal é a mais feia e mais justa de todo o filme). Entre as virtudes, ressalvo a recuperação de Leo Dan em uma das canções mais refinadas de seu período mexicano e a viagem final ao mar, que cumpre exatamente a função narrativa e poética que o filme precisava para fechar. As paisagens de Roma são muito semelhantes às paisagens romanas de Fellini (especialmente as grandes aberturas que...

A Morte Saiu à Rua

Rui Caeiro. 1943-2019.

É só para uma estatística...

O meu filho diz que o blog hoje faz anos (não faz), mas fui saber como anda este mundo de saúde. Fiquei intrigado por saber serem mais os franceses e alemães que os portugueses a virem aqui parar. Não fico triste ou contente que os desígnios estatísticos de um algoritmo não são motivo para emoções fortes. Como eu gostava de saber que língua falam na "região desconhecida", apetecia-me agradecer-lhe com um abraço bem escrito.

Era uma vez...na Venezuela

Um artigo muito interessante sobre a Venezuela, de Ferreira Fernandes, no DN do último Sábado. Parece quase uma história do próprio Garcia Marquez. " Dias mais tarde, em Caracas, um jovem barbeiro que fazia vídeos sobre rebeldes sem causa apresentou-me cangalheiros. Eu queria saber porque recusavam eles fazer velórios noturnos quando o morto era de gangues juvenis. Contaram-me: tornara-se hábito na juventude transviada levar o falecido para uma última ramboia pela noite de Caracas. " Pode ler o texto completo aqui .

"Parado no Deserto contando os segundos da sua Vida"

Dia a dia o silêncio, a paz, a macieza cinzelavam com o maior apuro todos os segundos, e em seguida revestiam-nos de vidro. Sob a gigantesca abóbada, as cores pareciam inacessíveis, ocres, e as formas ténues, indivisíveis. Ambas de uma beleza tão forte que jamais se poderiam repetir. Tudo possuía a transparência e a fragilidade do vidro, soprado constante e no sossego e na luz que jamais se quebrava, excepto quando o hálito dos homens o penetrava. Homenagem ao cineasta underground Jonas Mekas , baseado no título de um dos seus mais belos filmes. (1922 - 2019)

Saudades de ver boas Séries... IV

Para meu grande gáudio, estão de regresso as temporadas 9 de " Shameless ", 10 de " Modern Family " e 12 de " The Big Bang Theory ". O meu sorriso bem que necessitava de um novo ardor neste Inverno, e ei-lo: E para não deixá-lo esmorecer, também comecei a seguir as primeiras temporadas de " Future Man ", " The Kominsky Method " e " Kidding ". Tenho riso garantido pelo Inverno fora.

Pensamentos Avulsos XVIII

Saiu de casa pela hora da ceia. Voltou de manhã um homem pior. Entrou em casa, apagou a luz do corredor e só guardou os risos das crianças mais pequenas. Ainda trazia a cicatriz da navalhada traiçoeira, caída das portas que foi observando de um lado e do outro do corredor da vida injusta.  Eram só portas fechadas. E nenhum Natal as abriria jamais. Andou assim um bocado no corredor escuro, ante o riso dos infantes, trocistas. Acabou caído na lingueta do rio, adestra à estátua da rendilheira. Pôs-se em pé, sujo daquela gosma nauseabunda conhecida e voltou. Hoje espera pelo novo ano. Ingrato por estar ainda vivo.

Confunde a Ciência

Saudades de ver boas Séries... III

"No Século 19, quem sofria de doenças mentais era considerado alienado da sua verdadeira natureza. Os especialistas que os estudavam eram conhecidos como alienistas." Nova Iorque, 1896. Uma série de horripilantes assassinatos contra crianças, assombram as ruas, tomando conta da cidade. O Recentemente nomeado comissário da polícia, Theodore Roosevelt, o psicólogo criminal Dr. Laszlo Kreizler, o seu amigo John Moore, ilustrador do New York Times e Sara Howard, a tenaz secretária do comissário, determinada a ser a primeira detective feminina da cidade, lançam-se a tentar descobrir e capturar um dos primeiros ' serial killers ' nova-iorquinos. Repleta de uma atmosfera tornada deliberadamente opaca e quase intolerante à luz, de diferentes personagens, principais ou não, caracterizados todos muito ambiguamente, esta série agarra-nos logo desde o primeiro episódio pela sensação constante de perigo iminente, de insegurança. Põe-nos em bicos de pés e isso é das...

Mais brutalidades a caminho

O Tumblr , que para quem não sabe ainda, também é uma espécie de rede social, em rigor mais estrito; é uma plataforma ' blogger ', dedicada quase, mas não exclusivamente, a albergar entradas de imagens (fotos, gif's, meme's, pequenos vídeos etc..), de uma forma ou de outra veio a acolher predominantemente, com o passar do tempo, uma imensidão de conteúdos variáveis desde o puro nu artístico (erótico?) à esclarecida pornografia multiversada na panóplia quase interminável de temas, fetiches e propensões que se consiga imaginar.  Gosto do bom erotismo, é como a satisfação que uma lauta refeição me traz à cabeça, acama-se fugaz na alma e delícia-nos tudo por ali abaixo, aos arrepios, faz bem, porque admite algum cuidado artístico, íntimo e pessoal, um cunho. É arte! Não é verborreia pseudo-intelectual nenhuma, quando em uma acepção mais abrangente de trabalhada manifestação artística de um autor, consegue ser exactamente isso: arte. (Ver imagens mais em baixo) ...

O Manuel faz Anos

O meu pai faz anos hoje. Hoje é o Octogésimo sexto aniversário do meu pai. Nada disto é tão trivial quanto vos possa parecer. As pessoas morrem por tudo e por nada hoje em dia, morrem sobretudo de desgosto, o que muitas vezes se encobre por doenças misteriosas e males indefinidos, outras, muitas mais vezes, permitimo-las chamar apenas de cancro e se revestem todas de vidas generalizadas onde um mal terrível que parece quase impossível de levar a justo combate nos termina sem própria justificação.  A minha mãe morreu em 2005 com um cancro no pâncreas, é um facto comensurável pela imensidão da sua falta medonha, a sua ausência na mesa do bolo de aniversário, do seu sorriso da alegria familiar inteira, na vastidão tremenda da exactidão malograda da sua perda ridícula. A minha mãe era um suporte basilar, o meu pai um homem da manutenção. Não disse apenas. Porque era assim. E é assim que muitas famílias felizes se constroem. Uma união de mais valias. Mas, o meu pai teve também um o...

Pompa e circunstância.

Gosto de livros que contenham narradores. Gosto em especial daqueles que invadem os livros a falarem sobre o alfabeto das suas paixões. Afianço: o narrador (Homem) é o centro das coisas. Nas narrativas que lhe estão subordinadas, é ele quem conhece a razão de tudo, mas, o Homem (narrador) nunca se deixa conhecer na totalidade, e, de modo algum, conhece tudo o que há para se conhecer. Tudo isto me veio à memória enquanto ouvia Miles Davis. Residente génio da minha pobre aparelhagem micro, que andou sempre escondido às autoridades, aturdido pelas drogas em excesso e pelas paranóias razoáveis e mesmo assim nunca deixou de ser um génio. Quase um anarquista, que consistentemente escapou à vingança da polícia afascizada. Alimenta-me ainda. Na verdade, tudo isto me veio à memória enquanto ouvia o Miles e me decidi a continuar a escrita do meu último romance impossível de ser publicado por vias normais. (Poderia dizer aqui que é tudo um complot , mas não é, é somente um facto triste d...

Até a Confiança nos Roubam

É a época de Natal, e neste período, espalha-se uma espécie de vírus que infecta todos com a vontade da dádiva e do proverbial amor ao próximo. Há uma certeza de que as pessoas gostam de dar.  Melhor começar isto de novo...As pessoas de bem, gostam de dar, mas a solidariedade institucionalizada, como a conhecemos hoje, deverá mais ser um valor a subtrair do que a somar às nossas boas intenções. Sabe-se que as mais divertidas histórias sobre altruístas, sobre generosos ou sobre corações moles, são as contadas pelos próprios. A correcção critica sobre esta gente toda anda a exterminar toda uma imaginação potente acerca de um país que é realmente mais bondoso do que parece. Só que, a saúde desta generosidade está de facto nas pessoas comuns, autênticos cavalos de tiro, que só param de dar, um pouco antes de chegarem ao esgotamento. Estes, e jamais os intermediários lambões que duvido quase que passem por ser humanos sequer. Alguns não são mais que cartilagens que se encontram ju...