O resto do dia cismei aquele encontro. Quiçá mesmo o resto da minha vida. O coração de um outro é sempre uma escura floresta onde se aventuram apenas os verdadeiros apaixonados. Para o lado oposto da estrada já quase ficava outra terra, e ali não havia quase nada de amor-próprio. Como foi que ganhei coragem para estar ali naquela praça, naquele dia, naquela hora? Nunca o saberei. A minha vergonha era rija como se imaginaria que fosse o dorso de um rinoceronte. Encouraçada naquela frustração, perante o fim inusitado da faca do tempo, deixei-me estar. Isto, até o saber ali, vivo. Nem sei porque me apetece contar esta vulgaríssima história de um amor estranho. Mas, como poderei resistir à tentação de reproduzir este nosso momento? Juraria, apesar de tudo, que aquele encontro, à deriva do que ambos éramos por dentro foi a grande excitação das nossas vidas. Mal lhe afaguei o cabelo, soube que também ele sempre me amara sem saber. E provou-me. Tocou-me no braço, e depois pegou-...