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A mostrar mensagens com a etiqueta Vila do Conde

Dia de Vila do Conde.

  1070 anos de um lugar onde o vento corre mais forte e o amor goteja de sítios insuspeitos. Vila do Conde nunca sucumbiu às ofertas tentadoras da fama e do sucesso. Manteve-se inabalável na sua maravilhosa insignificância e ainda hoje assim permanece. Adoro a minha cidade!

O Ginásio

  É tão estranho como o Sol de uma qualquer Primavera impulsiona os corpos à rua. Está frio, aquele tipo de frio que iguala o desespero da perda humana, ponto por ponto. Aquele frio exacto do calendário. Não é um frio setentrional, nem podia, vive-se em Portugal. Contudo, o frio que faz, ajusta-se ao nosso normal clima e corta, incomoda, dói, recolhe-nos, faz-nos povo mais caseiro, ou, assim se adivinharia. Não é o caso. Pois a tundra gelada do país tem horário: entre as 03h00 e as 07h00 da manhã, e depois, no segundo período avassalador, por volta das 19h00 até ao raiar do novo dia seguinte. Nesse interstício aquece-nos um Sol revoltante, que, de algum modo misterioso purga toda a geada interior das gentes cautelosas e, pior, faz-las saírem em catadupas de répteis abjectos a absorverem-no como podem. Vejo as criaturas do ginásio defronte, na praça, a cumprirem as regras que o dinheiro pagou e o remorso comandou. Frágeis fac-símiles de seres humanos desesperados por melhores figura...

O Neiva junto ao Ave

Recordo-me bem do Cine-Teatro Neiva por si mesmo, o velho cinema de alcatifa puída e manchas de esperma e cuspo ressequido nos cromados. Fui duas vezes ameaçado de morte ali dentro, por mor de ser um piçinhas de Azurara que lavava as mãos depois de urinar e pedia as coisas "por favor". O Papel de parede descascava aqui e ali, fruto da humidade e os lavatórios fediam a uma cinefilia sem paralelo por toda a Vila do Conde. Recordo-me da sua pureza simplista e utilitária, bem antes de cair em desuso, ser esquecido e abandonado à ruína e por fim renascido, como uma fénix ímpia, que serve alguns em vez de todos.  É quiçá contraditório isto, eu sei, mas hão-de perdoar-me o saudosismo 'porco' de amar um cinema mais comum, mais humano, mais feio, em detrimento de um "Teatro Municipal" que brilha mais nas lajes de mármore do que nos conteúdos programáticos. - E mesmo que assim fosse? - Muitos anos depois, já se havia constituído um bom caminho para os amantes do cin...

Lia, Cri the Coeur.

 "Sons and Daughters..."  Adoro esta rapariga, a Lia Bompastor , vocalista desta banda alternativa, ' Cri the Coeur '. Adoro-a quase como se fosse minha própria filha. A amizade juntou-nos cedo, pois nasceu de uma boa amiga que a gerou quase ao mesmo tempo que o meu primogénito. Assim fomos crescendo, e dessa forma fui apreciando a sua intrépida dedicação às artes musicais e adiante. É hoje uma mulher vila-condense indómita, que continua a esclarecer-se culturalmente e a florescer sem parar. Adoro-a, da mesma forma que adoro a minha amiga, sua mãe. Ambas fortes mulheres, incapazes de serem vulgares. Atravessam e juntam. Fazem e criam, e a Lia, sobretudo, que é realmente um grito do coração. Convido-vos a conhecerem a sua banda, os mencionados: " Cri the Coeur ". Sei que não se vão decepcionar, pois há grande pujança neste projecto. Grande vontade criativa. Enorme fusão, enorme voz...(aqui estou a ser parcial, é verdade, mas atentem, peço-vos..), há, como que...

Sabes Mãe - Paulo Praça

Música portuguesa inspirada, escrita, arranjada, cantada e amada por Vila-condenses, provando que é possível em uma música, falar-se sobre coisas e objetos quotidianos usando linguagem quotidiana mas precisa,  dotando  essas coisas, sejam uma cadeira, uma cortina, um garfo, uma pedra, os brincos de uma mulher ou o amor incondicional por uma mãe, de ligeireza, mas também de grande doçura e encanto.

Tempo Vencido

Vila do Conde em Primavera antecipada é um chamamento com uma persistência vegetal, secreta. Vencido o manto húmido que pesava sobre a cidade nas últimas semanas, o ar pôs-se ligeiro, aliviado e chama-nos para as suas ruas. Primavera, finalmente a Primavera, tal como ela costuma chegar aqui depois de muitas hesitações e de muito trabalho para vencer as nuvens da costa. As pessoas bem dão por isso. Sentem a necessidade de olhar o céu, vêem azul e um azul fino, alegre, e dizem baixinho: "era mesmo isto." Depois descobrem as pedras louças das ruas ancestrais, o voo luminoso dos pássaros e a colina milenar a debruçar a cidade, diante do rio e dos campanários, cobertos de uma luz macia, feminina e descobrem um novo andar neste espaço todo. É isso a Primavera em Vila do Conde; um novo sentido no olhar, uma nova velocidade: "era mesmo isto", dizem as pessoas. Uma romagem feita com a aparência do acaso vê-se na multidão atarefada com estes dias de Primavera. Circul...

Até a Morte tem os seus Dias contados

Estender a Pele pela Boca

A Não Perder!

Longe

Aos amigos tudo... Descubram a agenda do Rui T aqui . Ouçam-lhe as músicas, encontrem-no. Há muito que trabalha com afinco na sua música e atravessou alguns desertos dolorosos e passou por cima de tudo quanto lhe atiraram. O Rui é um lutador e um bom amigo, merece mais, ganhou esse direito.

A água comanda a Vida

Vi gente a apaixonar-se porque lhes tremiam as mãos ao trocarem histórias de assuntos relevantes, conheci gente incapaz de aceitar o improvável, mas isto ainda não tinha visto. - Mentira, tinha sim. Encontrei-as hoje de manhã, depois de já as ter visto à coisa de cinco semanas, e ainda mais duas vezes no ano passado. Ia caminhando aos meus afazeres, por nunca acreditar ser ainda possível, só por me obrigarem a viver em 2017, ou porque julguei que se faziam filmes em Vila do Conde. As mesmas duas mulheres, reconheci-lhes logo pela pinta do detergente, amigas há trinta e sete anos ou por quanto o preço da água se foi tornando incontornável. Encontram-se no tanque para lavar a roupa e a vida, ali naquele baixio da estrada, onde o caminho amaldiçoa costas e cabelos armados.  Depois, sentam-se lado a lado e à sombra mal parada da roupa a secar dobram em quatro, o tempo. A mais velha lê o jornal do LIDL e a mais nova fuma e recorta memórias de cabeça.  Avancei aqueles lev...