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A mostrar mensagens com a etiqueta cinema

Acerca de Anderson's...

Hollywood é um gigantesco cadinho demente de fumos e fogos fátuos. Ali se fundem todos os sonhos e pesadelos possíveis de se imaginar.  Senão, atentem, como mero exercício, neste trio de realizadores, que, por falta de melhor expressão que defina o interesse ou a natureza relevante deste post, decidi chamar-lhes apenas de os " Anderson's ". Cada um mais díspar que o outro, e contudo, todos " Anderson's ", e abundantemente prolíficos e criativos dentro dos seus géneros. Acho fascinante, daí querer escrever sobre eles e, no mais comum torpe da embriaguez, tentar encontrar alguma similitude entre eles, além do apelido; " Anderson ". Começarei por ordem prima de grandeza, na minha opinião, e é esta que para aqui interessa, não fosse este um blogue intrinsecamente pessoal onde explano tudo e mais qualquer coisa que me apeteça. Sendo assim, a ordem será do melhor para o pior destes " Anderson's ".  O melhor : Wes Anderson .  O do meio : Pau...

Iconoclasta, para sempre!

O ano mal começou e cai-me esta notícia no colo como uma desgraça de família; morre David Lynch ! A idade ilude-nos a acreditar que viveremos sempre na presença daqueles que nos trouxeram pausas de alegria, na jornada muito póstuma já de um caminho trágico que julgámos, de tempos a tempos, ser real, até nos defrontarmos com a omnipresença da surrealidade como uma amiga do peito, da qual já não prescindimos jamais. Isto é o cinema do David Lynch. Tenho 53 anos e vi todos os filmes e séries e curtas e experimentações cinematográficas que da cabeça deste homem surgiram. As ideias foram sempre o cerne da sua arte. E este empurrou-as para diante, à força por vezes, noutras, em uma calma de brisa de verão, muito como um poema alastra pelo vasto espaço de um sonho comum. Quis fazê-lo assim, pois esta era a sua visão do mundo.  Quase nunca se sublimou, ou fez pouco, ou ambos. Poucas vezes se entregou à injúria da ganância como justificação dos seus interesses artísticos. Não! Por seu turno...

Os meus 80's foram melhores que os vossos!

  Ron Howard, Steven Spielberg, Martin Scorsese, Brian De Palma, George Lucas, Robert Zemeckis e Francis Ford Coppola. O " Cinema d'Auteur " nunca é tudo para um cinéfilo. A intelectualidade exponencia e refina é certo, expõe-nos a mundos extraordinários de outras culturas e gerações, de outras vivências e expressões. Enriquece-nos, mas também nos cansa. Por vezes, a nostalgia intromete-se e sentimos aquele ardor sublime pelos filmes que também fomos vendo enquanto crescíamos, e depois partimos a buscar aqueles que os fizeram. A sua descoberta traduz-se em uma surpresa assaz agradável. Foram como nós . Ávidos exploradores de um cinema despistado da carreteira normal, comercial. Porque todo o bom autor busca o passado para se inspirar. Todo o grande artista se amanha na esperança de alcançar o mesmo nível de qualidade e estrutura daqueles que os antecederam. A única diferença entre nós, é que estes ousaram as suas próprias originalidades, sustentadas pelo seu amor pelo cin...

Saudades de ver bons filmes (XXV)

  Akira Kurosawa and Martin Scorsese no cenário de "Dreams" (1990)

Três!

  Fui e sempre serei um ' geek '! - Cresci com o universo marvel nas revistas que lia em um quase arrebatamento do espírito em crescimento. O mesmo aconteceu-me com " Star Wars" , e com praticamente todos os bons  franchises que me animassem a vontade.  Quando este universo em particular, ( marvel ), surgiu finalmente em forma de cinema, exultei-me, obviamente. Mais ainda quando tudo se foi compondo em uma determinação de lhe incutir um percurso coordenado e sensato. Aquilo que ficou conhecido como MCU (Marvel Cinematic Universe). A interacção pareceu-me perfeita. Eles faziam os filmes e eu deliciava-me com os mesmos. Isto decorreu pelo que foi denominado por fases. As 4 primeiras atingiram-me os nervos certos e agarraram-me de tal maneira que mormente uma falha aqui ou ali, não me predispus a matar o amor que lhes tive. Foi uma espécie de idílio, até a DISNEY flectir os músculos financeiros que arrebanhou sabe-se lá como, e começar a comprar tudo o que faz um ...

Saudades de ver bons filmes (XXIV)

Poderá " Absolutely Anything " ser considerado como o último filme dos 'Monthy Python'? Salvo a ausência do saudoso Graham Chapman, por motivos de já não se considerar entre os vivos à 26 anos, este filme de 2015, realizado pelo igualmente saudoso Terry Jones (1942-2020), reune, pelo menos em voz-off, os restantes cinco, dos seis membros deste fabuloso circo louco de comediantes. A premissa do roteiro, analisada à lupa de tantas imitações copiadas pelo mero absurdo do sentido de comédia desta genial trupe, não lhes chega aos calcanhares, nem por sombras. Também, após tantos anos a serem replicados e emulados, multiplicados e imitados em incontáveis comédias " nonsense " não pelo seu real sentido original, aquele que diferenciou o supracitado grupo, mas porque realmente não faziam nem fazem grande sentido de existirem. torna-se muito difícil insistir na originalidade do contra-senso. Contudo, muitos dos seus elementos ali se encontram, mesmo assim. É um filme...

Ryuichi Sakamoto

No adejar do fim, fica tudo o que nos imortalizou. Sejam grandes ou pequenos, todos os traços humanos deixam um legado, e a morte jamais os apagará, para muitos ou só para alguns, ou...para todos. Adeus Mr.Sakamoto, povoaste-nos de maravilhas... Ryuichi Sakamoto

Saudades de ver bons filmes (XXIII)

  Três génios em uma só entrevista... Considerando o acervo, ponto por ponto, destes três cineastas aqui entrevistados, torna-se impossível não fazer um apanhado do que de melhor se fez em cinema de 'terror', durante as décadas de 70 e 80 do século passado. Nem vou perder tempo a enumerá-los, a lista seria longuíssima, em especial no que diz respeito a John Carpenter e David Cronenberg . Já Landis (John) fez deliciosos desvios pelas comédias, inclusive os seus grandes momentos de horror, deambulam igualmente por esses meandros cómicos. Será talvez difícil, nos dias de hoje, ressalvar estes pioneiros que provavelmente já poucos conhecerão, e, ainda menos terão admiração pelo corpo do seu trabalho.  Acreditem. Estes homens, e mais alguns que lhes são anteriores mas contemporâneos, como George A. Romero e Wes Kraven , todos eles cinéfilos, admiradores do passado que lhes motivou e incentivou, que lhes inspirou a pujança para desbravarem um género que, apesar de omnipresente po...

Ainda...os Óscares.

Adoro cinema. Vejo tudo, não quero parecer especialista, nem sou iconoclasta ou cinéfilo, não me entendo demasiado purista para passar adiante o lixo que se vai fazendo por todo o lado, e é tanto, tanto lixo que se faz...cada vez é mais. Hollywood está em queda. - Assoberba pela negativa! Gosto tanto do cinema que vou retirando deste lixo, do meio-cinema que assisto, e que coloco em caixinhas minhas. Este é assim e aquele é assado. Isto é realmente lixo, nem chego ao meio. Isto, por seu turno é uma daquelas pérolas que ninguém promove, mas, que vale tanto a pena ver. Que guardarei, pois o futuro chegará para lhe dar o devido valor. Isto é ver cinema. Vê-lo, no seu todo. Os que endereçam a sua atenção aos mesmos caminhos de sempre, jamais descobrirão aqueles pequenos tesouros, que, por vezes nos surpreendem. - Aos críticos de profissão, só lhes posso dizer isto: arrisquem mais! Nunca assisto nas salas, porém. Receio as pessoas, o contacto com as pessoas, tenho umas pancas aqui e ali, e ...

Aquele coisa incómoda que chamam "A Noite dos Óscares".

Hoje é a longa noite dos Óscares. (não tão longa como me lembro de ser, mas enfim...) Sou e sempre fui daqueles que a seguem em directo. Os Óscares são a minha final da Champions. Sigo o cinema com paixão. Todos os cinemas, até este. Como não estar presente no seu dia maior? Os Óscares são isto e aquilo, dizem por aí. Uma cerimónia que deve tudo ao fingimento e pouco à arte que o afirma. É capaz! Há uma decepção intrínseca que se lhe ajusta em quase todas as cerimônias. Senti isso mesmo em muitas noites destas. Porém, e como da América emerge o epíteto da noção mais abrangente de cinema, nunca cedi à ideia de petulância, do nojo desbragado pelo cinema mais cerebral. Fui sempre filho do cinema mais comum, o de Hollywood, e, por isso me atirei a seguir esta noite todos os anos. Gosto de ver os intervenientes. Actores, realizadores, até os mortos que surgem na sequência memorial. Gosto de toda aquela montagem celebratória. Da 'panache' que só hollywood consegue encenar. Gosto das ...

Todos os dias são Varda!

Still do filme: “Réponse de femmes: Notre corps, notre sexe” (1975), Curta-metragem/Documentário de Agnès Varda  

Living, ou o "Corre!" Inglês

Na velha Albion de 1953, ainda fustigada pela Guerra, Rodney Williams, um gentleman dos quatro costados, tornado cediço servidor público, dirigente da divisão de obras públicas, surge-nos débil na engrenagem de uma cidade que luta para se reedificar. Soterrado em burocracia na Câmara Municipal de Londres, William, viúvo e angustiado, sente há muito que leva uma vida oca. Um diagnóstico de morte anunciada, (seis a nove meses) obriga-o a fazer um balanço da sua existência. Em evidência, Mr. Williams "Corre" resoluto, para tentar preservar a sua condição de saúde em absoluto segredo, mas também para evidenciar que o seu legado, insignificante que seja, persistirá pelo futuro. Após a fatídica nova, aproveita os dias que lhe restam para experimentar uma série de coisas novas, a vida toda resumida nos seus últimos meses, uma correria de vida redescoberta, intentando deixar marcas nas pessoas mais insuspeitas em seu redor, e, em si mesmo, anterior ao seu fim. A película é realizado...

Angelo Badalamenti

  O universo da música em geral e das bandas-sonoras, em particular, levou uma abada, nestes ultimos dias. Perdemos o Ryuchi Sakamato, um génio, e agora, também o Angelo Badalamenti, responsável por tantas partituras de filmes memoráveis. Ressalvo a sua parceria com David Lynch em trabalhos como: "Lost Highway","Twin Peaks- Fire Walk With Me." e "Mulholland Dr." mas tantos, tantos mais. É uma perda tremenda para o Cinema. Angelo Badalamenti

William Hurt

  William Hurt (1950-2022) Este é um daqueles actores que dificilmente não me arrastaria para as paixões inexplicáveis que sempre nutri por estranhos. Amei-o logo no primeiro filme que lhe vi: " The Big Chill " (1983 - Lawrence Kasdan) - Curiosamente, é também um dos filmes do ' top ten ' dos filmes da minha vida. - Provavelmente, não há nada de curioso aqui. Quase tudo me aproxima pessoalmente da história desse filme, porém, há uma particular preferência pelo personagem que o William Hurt interpreta entre aquele grupo de amigos. Senti logo uma afinidade inexplicável e destaquei-o logo ali, na primeira impressão. Depois, os anos 80 prosseguiram e acompanhei-lhe o percurso de personagens inadaptados que se tentam encaixar nas circunstâncias ocorrentes. O meu amor crescia a olhos vistos. Parecia que todos os papeis que ele interpretava me chamavam cá dentro. Era como se ele me interpretasse sempre a mim. E, a forma como ele os trabalhava ressonava demasiado para os igno...

Dia sim, dia não uma beleza antiga

  Ann-Margret

Fantásticos solitários e como encontrá-los.

 

Saudades de ver bons filmes (XXIII)

  ...grandioso Poitier. saudoso Poitier. corajoso Poitier. Enorme Sidney desbravador. 

Peter Bogdanovich

  A morte aceita todos, é o que a faz ser tábua rasa da realidade de qualquer um. No dealbar de um novo ano, já leva o seu quilo de carne no rol. Tantos dias pela frente ainda...Em tempos ansiei por um documentário que ma explicasse até ver um filme de ficção e perceber que a realidade tudo imita quando é bem filmada, até a explicação da própria morte. Perdi a conta à soma de documentários sobre cinema que assisti, sobre os nichos do cinema, mas também sobre as mais decentes explicações específicas e muito pessoais sobre o que o cinema é, na perspectiva das diferentes interacções que cada um entrega ao seu próprio cinema, à sua ideia de cinema. Pois o bom documentário cinematográfico é também, em si mesmo, bom cinema. Quase ficção. E, na sua maioria encontrei a voz e/ou o rosto do Peter Bogdanovich .  Realizador de mão cheia, ainda que malogrado e desiludido. - Como não me identificar com ele? Será arrogância da minha parte ou pura empatia; - não cito títulos, são óbvios, algu...

Saudades de ver bons filmes (XXII)

 .    ..Absolutamente perfeitos! Isto porque, Wes Anderson vem depurando a sua infindável capacidade de contar histórias díspares e de as filmar de um modo que é absolutamente impossível de lhes ficar indiferente.  O seu último projecto: " The French Dispatch ", é pouco mais do que aquilo que fazer bom cinema havia sempre de ser.  Nele, Anderson conta-nos as visões de diferentes escritores de uma imaginária, mas grandiosa gazeta literária, de todos os modos impossível de ser em um país moribundo onde o seu centro (Kansas) se desmorona paulatinamente pela desgraça da estupidez humana, contagiando todos os seus territórios adjacentes e pervasivos. No processo imaginário criativo, saímos desse 'corpo pútrido' e somos atirados a uma 'Paris' condicional, que se denomina por " Ennui " - livremente traduzida como sendo: " Um sentimento de aborrecimento profundo e de se estar mentalmente cansado por não haver nada mais que nos interesse ou excite."...

O Neiva junto ao Ave

Recordo-me bem do Cine-Teatro Neiva por si mesmo, o velho cinema de alcatifa puída e manchas de esperma e cuspo ressequido nos cromados. Fui duas vezes ameaçado de morte ali dentro, por mor de ser um piçinhas de Azurara que lavava as mãos depois de urinar e pedia as coisas "por favor". O Papel de parede descascava aqui e ali, fruto da humidade e os lavatórios fediam a uma cinefilia sem paralelo por toda a Vila do Conde. Recordo-me da sua pureza simplista e utilitária, bem antes de cair em desuso, ser esquecido e abandonado à ruína e por fim renascido, como uma fénix ímpia, que serve alguns em vez de todos.  É quiçá contraditório isto, eu sei, mas hão-de perdoar-me o saudosismo 'porco' de amar um cinema mais comum, mais humano, mais feio, em detrimento de um "Teatro Municipal" que brilha mais nas lajes de mármore do que nos conteúdos programáticos. - E mesmo que assim fosse? - Muitos anos depois, já se havia constituído um bom caminho para os amantes do cin...