Humberto Crica vivia só, em Vila do Conde, num pequeno quarto obscuro, quase minimalista de coisas materiais, e alisado pela sevícia inclemente que caracteriza a vida de um homem que já passou a portada dos cinquenta sem nunca ter casado ou se amancebado no juntar de trapos com alguém. O seu bastião de infinito retiro, encimava uma garagem de reparações automóveis e venda a retalho de peças, de modo que entrava e saía de casa todos os dias, com a pressa de evitar o cheiro embirrento do óleo de motor, e o sarro da graxa que avançava a olhos vistos, lançando acervo como um musgo de breu ao seu umbral de entrada.