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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro 13, 2015

A vida está difícil para os pequenos ladrões honestos

Estória de um Verão que poderia ser de Natal

O BANQUETE DO JARDINEIRO
Em Junho de oitenta e cinco comecei a trabalhar no "resgate" do jardim da Ermelinda Sameiro e Sá. A sua casa era grande, verde e antiga. Na frente havia um pátio quadrado, quase nu, nas traseiras, aquele jardim de tesouros onde noite e dia corria um rio pelo meio. Foi sobretudo um processo de o habitar... habitar e perceber, mais pressentir talvez, o sentido orgânico de tão grande espaço, de um verde inteiriço cercado por uma orquestra de pequenas cores, de notas altas, aqui e ali. Mal abri o portão de ferro, baixei-me e levei um torrão de terra à boca, para descobrir-lhe a razão da mortandade. Nessa altura ainda pressentia as coisas pelos sentidos todos, como quem joga xadrez sozinho depois do jantar, só pelo gosto suave de cometer pequenas tolices e não as achar grande coisa. Agora, já não o faço. Já não consigo, entreguei-me à bebida como a um emplastro terapêutico que não actua jamais profundamente. Vai fazendo o mesmo que uma Aspirina faz a um Can…

Que a "Força" nunca nos abandone.

Humpty-Dumpty

O Muro

(Ou: os jovens escritores são todos uns filhos da puta oportunistas e do piorio, sem ofensa para as pessoas do piorio, que não merecem ser comparadas a jovens escritores.)
Um escritor de meia-idade está diante de um muro, sobre terra mole, coçando a cabeça, o queixo, ponderando em como descalçar a bota - isto é, escalar o muro - e passar para o outro lado. Está nisto há horas, dias, meses, anos. A dada altura chega um jovem escritor apressado, há que perdoar, é típico dos jovens escritores estarem apressados, não tarda nada ficam velhos e já não podem ganhar o Prémio Saramago. O jovem escritor pede ao escritor mais velho que o ajude a subir, entrelaçando os dedos das mãos, dando um apoio para os seus pés. O escritor mais velho pergunta-se por que motivo não se oferece o jovem escritor para ser ele a fazer de apoio. E, como que lendo-lhe os pensamentos, o jovem escritor diz, sorrindo: "Deixe estar que eu depois ajudo-o! Só que é melhor eu ir primeiro, que sou mais leve!"…

Um tiro no escuro

Comecei a pensar na incerteza desta relação desfeita, inclusive nos motivos percursores da sua destruição pré-concebida, pré-pensada. - Fosse essa os filhos ou a falta do pinar constante. (O Homem precisa de foder vez por outra, para se sentir afim com a sua natureza impressa pela vontade da hereditariedade.) - Algum destes pilares nunca o foram, só fiz crença que existiam. E se existir coisa mais danada para a carne mental que a relação que nem é, digam-me, peço-vos! De facto, alguns até me disseram, e sempre me explicaram desde que me deitei a pensar nestas merdas de complicar o que é simples; o orgulho e o ego atirados à mistura, como uma pasta que me quer saltar das mãos (sim, das mãos. Ah!) e que endurece com o passar do tempo, enrijece como pedra-pomes a filha-da-puta, e deplora-se, deteriora-se a filha-da-puta... até ficar feita num pó irritante e insustentável, que qualquer vento carrega facilmente.
Nenhum vento assim tão simples, haveria de deitar abaixo nenhum amor. Nenhum …

Para o Infinito e mais além...

Depois de 36 anos em viagem, a sonda Voyager, antes de se aventurar por territórios desconhecidos, tirou esta última fotografia da Terra, a 6,8 biliões de quilómetros de onde nos penduramos neste Universo imenso. Sim, isto somos nós todos.  Este pixel desfocado representa toda a nossa existência passada e presente. Todas as guerras inexplicáveis, e talvez ainda mais inexplicável, todo o insondável amor que persiste indómito na Humanidade, encontra-se neste pontinho ridículo. Por isso deixem-se de merdas, ok?