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O Homem-Espelho no 13 de Maio

 "OLHA O PORCO, O PORCO NO ESPELHO!" Por favor não me negues mais, estou cansado de não existir, de não importar. Ontem mesmo nem quis saber de me limpar por trás. Dir-se-ia que é por estar tão gordo que a minha mão que limpa a merda já não consegue atingir o esfíncter de onde esta surge. (baseado em uma história real) Fui existir outro dia com uma crusta de merda nas culotes intoleráveis. Uma fila castanha de aeroporto onde só as moscas aterram. Esfrego e esfrego e é só papel atrás de papel poluído por esta inabalável frustração. O cheiro da nulidade tornou-se tão insuportável pelas três da tarde que me abriu as narinas à epistemologia desta acção. Daí em diante evitei tomar banho, apenas para que o meu próprio odor pudesse emergir do fedor desta ciência inabalável. Por favor voltem, por favor todos vós retornem...Eu limpo-me! - Sou negacionista, sou hipócrita, sou carente....sou tão carente! Guincho a todos os vidros que encontro na esperança que me reflitam, nenhum devolve...

Os meus 80's foram melhores que os vossos!

  Ron Howard, Steven Spielberg, Martin Scorsese, Brian De Palma, George Lucas, Robert Zemeckis e Francis Ford Coppola. O " Cinema d'Auteur " nunca é tudo para um cinéfilo. A intelectualidade exponencia e refina é certo, expõe-nos a mundos extraordinários de outras culturas e gerações, de outras vivências e expressões. Enriquece-nos, mas também nos cansa. Por vezes, a nostalgia intromete-se e sentimos aquele ardor sublime pelos filmes que também fomos vendo enquanto crescíamos, e depois partimos a buscar aqueles que os fizeram. A sua descoberta traduz-se em uma surpresa assaz agradável. Foram como nós . Ávidos exploradores de um cinema despistado da carreteira normal, comercial. Porque todo o bom autor busca o passado para se inspirar. Todo o grande artista se amanha na esperança de alcançar o mesmo nível de qualidade e estrutura daqueles que os antecederam. A única diferença entre nós, é que estes ousaram as suas próprias originalidades, sustentadas pelo seu amor pelo cin...

O dilema daquele talento que nos faz.

  Tenho algum azedume em mim, tenho. Sou um corpo só feito de cogumelos a fruirem a podridão de imensas frustrações irresolvidas, ainda que encimado por um cérebro intacto, quase bonito, quase genial, mas, além disso, " Eu não sei se algum dia eu vou mudar ", mas sei que a nova geração de cantores/músicos/cantautores tugas, arranjou a perfeita fórmula para levantar vôo deste marasmo asfixiante que o panorama artístico português nos tolhe à nascença. Eu não quis nascer nesta sobra de mim. Porém, muitos quiseram e fizeram-no. Há uma geração inteira de músicos, músicos digo com saliva colada ao céu da boca, porque isto está mais gritantemente exposto nesta álea criativa, todavia não lhe seja exclusiva, e explora um filão que me engasga a boca de vómito pelos ouvidos. Estes artistas , ou alguém por eles, descobriram que se convidassem outrém de bom talento, ou melhor, de talento apenas, para cantarem ao seu lado, poderiam aspirar a algum sucesso. Deu, dá resultado! Assim que assi...

Doze anos escravo!

  A vida, continua vertiginosa, como a montanha de onde desabei, e que jamais escalarei. Jamais! Estou certo disso, agora. Doze anos depois, continuo a querer ser escritor. - Mas que grande tolice! - E, dessa dúzia de vida, retiro a única lição possível: Apesar de todas as boas intenções das frases feitas, querer apenas não basta, nunca basta. É preciso sempre conhecer-se alguém que protagonize existência onde nós não conseguimos nem deitar um mero bafo de respiração à tona. E mais até, não basta apenas conhecê-lo, esse providencial mecenas inoportuno, necessitámos de alguma sinergia quase fantástica, de parte a parte, uma espécie de " quid pro quo " imperial, suficientemente sólido para nos conceder uma oportunidade de alcançar esse patamar místico onde, hoje em dia, um escritor, bom ou mau, existe de facto. Um bom editor, um excelente publicista, um magnífico gestor de carreira. Dois ou três autores já consagrados que nos dêem o seu aval, e escrevam qualquer treta sem grand...

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  Os que trabalharam no dia a seguir à revolução também foram patriotas. Há demasiados feriados neste país. Demasiadas 'pontes', dias santos, concedidos e afins. O excesso de nada se fazer cria cidadãos que exigem ainda mais displicência, mais opacidade de visão face ao avanço necessário da edificação desta nação tão maltratada pela perspectiva externa. Pois o desinteresse só produz mais insipidez. Não são os dias de ócio pré-estabelecidos que nos fazem melhores, são as conquistas que se fazem, trabalhando, para conseguirmos um horário laboral que nos permita, consequentemente, usufruir desse tempo livre que todos merecemos e necessitamos, de uma forma que mantenha o país são, funcional e competitivo.  Portugal, durante o período negro da 'crise' financeira 2008/11, chegou a ocupar o 9º lugar no ranking de países com menos feriados no mundo. Na parte superior desta lista, estava o México, com apenas sete feriados. Hungria, Reino Unido e a Holanda com menos dias de folga...

Textos Devolvidos V

   Após ter lido o patético, ego-absorvido, multi-divulgado, tão imensamente descarado, tão pulhamente marketizado, grandemente apoiado pelo sistema editorial podre que persiste neste nosso país, do 'post' do Afonso Reis Cabral , sobre a sua experiência ao ser linearmente recusado por uma editora americana de renome, senti uma saída impetuosa de vómito a emergir-me da boca calada por tanto tempo. Já não me senti capaz desta mudez persistente.  De que espécie de gente é que realmente se constituí o edifício editorial deste Portugal? Quais são os seus arquitectos e, identificados, porquê que o caminho da prostituição lhes pareceu tão apelativo quanto aparentam? - Foda-se! - Eu sei, toda a gente sabe, que o indivíduo em questão, é bisneto ou tetraneto ou o caralho que o foda do enorme Eça de Queiróz . Movido por essa gesta familiar escreveu umas coisas. Foi galardoado, óbvio! Quem é que acham que este pântano de gente vai admirar? Um filho de um alfaiate que ama escrever, ma...

A ilusão de morrer.

Aqui estou no pouco esplendor que expresso. A tornar-me mais e mais fraco à medida que envelheço e perco a parca noção de humanidade que um dia posso ter tido. Só antecipo resultados finais de má sorte. Dor, doenças malignas de inescrutáveis resultados, possibilidades de incontáveis suicídios sem paixão, paragens cardíacas no galgar das escadarias de S. Francisco. Atropelamentos fatais nas intersecções de estradas mal frequentadas. Facadas insuspeitas pelas noites simples de uma pacata Vila do Conde. Ontem quis ir à médica de família, talvez me pudesse passar algum veredicto. Não fui capaz. Não admito os médicos e as suas tretas 'new age'. Há menos de meio-século atrás, esta mesma inteira profissão fumava nos consultórios e pouco ou nada dizia sobre pulmões moribundos. A casa na praia valia mais que o prognóstico verdadeiro impedido. Aqui estou, contudo. Ainda aqui estou. Trapos e lixo vivem melhor as suas existências que eu. Escrevo isto, bebo, escrevo, mais três cigarros. Que...

A omelete perfeita é a farsa do mito de Sísifo.

Tantos, tantos ovos derramados na escalada. Tanto queijo e fiambre atirados aos dentes ávidos da má execução. Insisto nesta coisa da perfeição e é como uma fuga inconsciente à realidade. Não há perfeição em lado algum. Há tentativas e erros. Malogros e quase-sucessos. Há todo o peso da existência anterior a empurrar-nos para um lugar onde julgamos não querer estar, mas que, se calhar, é onde devemos de estar. Parece tudo desconexo? Sim, parece. Nenhum ovo é perfeito, e jamais um ovo imperfeito fará a perfeita omelete. Isso baralha-me todo. Repetição infinita? Onde caralho estou nesta metáfora imperfeita?  Quem sou? - Repito. - Quem sou? - Repito... Não! Não quem sou. Existir exige algum sentido de revolta, não é? Como sou? Como sou? Como...de novo o desespero da repetição: Fiambre, ovo, omelete, queijo, conjunto ou singular? Formado ou a caminho? Que espécie de homem serei afinal? Sufoco amiúde e entro de joelhos na desesperança de nunca obter respostas no dilúvio de perguntas dest...

A Humidade no Yoga

Sejamos realistas, qualquer homem que decida integrar um 'estúdio' de Yoga, que maioritariamente é atendido por mulheres (é verdade, fui ver as estatísticas.) , mulheres dedicadas a melhorarem-se, é certo, mas mesmo assim, vendidas ao apelo daquelas indumentárias que envergam, porque são as roupas a isso destinadas, e portanto têm de as usar... porque..porque sim. Isto é demasiado errado! Eu sei. As mulheres devem (não) TÊM de ser livres para fazerem, serem e usarem o que desejarem. Porra! Se acharem o Yoga ridículo (como eu acho que é), afastem-se disso, não o façam. Se, por outro lado até quiserem fazer Yoga nuas, façam-na. É uma coisa que existe.(outra pesquisa que fiz.) - Nunca me excitarei mais com a nudez do que com o seu mistério. - A questão aqui prende-se com a natureza mais básica do ser humano. - Tanto homens como mulheres, vagueiam em um lodo primordial de excitações constantes. Estamos armadilhados para fodermos! - Somos assim, não há como contorná-lo. Assim que, a...

Diários Eróticos IV

O símbolo do amor, (💗) não é um coração, mas sim um cu!  

Ainda...os Óscares.

Adoro cinema. Vejo tudo, não quero parecer especialista, nem sou iconoclasta ou cinéfilo, não me entendo demasiado purista para passar adiante o lixo que se vai fazendo por todo o lado, e é tanto, tanto lixo que se faz...cada vez é mais. Hollywood está em queda. - Assoberba pela negativa! Gosto tanto do cinema que vou retirando deste lixo, do meio-cinema que assisto, e que coloco em caixinhas minhas. Este é assim e aquele é assado. Isto é realmente lixo, nem chego ao meio. Isto, por seu turno é uma daquelas pérolas que ninguém promove, mas, que vale tanto a pena ver. Que guardarei, pois o futuro chegará para lhe dar o devido valor. Isto é ver cinema. Vê-lo, no seu todo. Os que endereçam a sua atenção aos mesmos caminhos de sempre, jamais descobrirão aqueles pequenos tesouros, que, por vezes nos surpreendem. - Aos críticos de profissão, só lhes posso dizer isto: arrisquem mais! Nunca assisto nas salas, porém. Receio as pessoas, o contacto com as pessoas, tenho umas pancas aqui e ali, e ...

O Ginásio

  É tão estranho como o Sol de uma qualquer Primavera impulsiona os corpos à rua. Está frio, aquele tipo de frio que iguala o desespero da perda humana, ponto por ponto. Aquele frio exacto do calendário. Não é um frio setentrional, nem podia, vive-se em Portugal. Contudo, o frio que faz, ajusta-se ao nosso normal clima e corta, incomoda, dói, recolhe-nos, faz-nos povo mais caseiro, ou, assim se adivinharia. Não é o caso. Pois a tundra gelada do país tem horário: entre as 03h00 e as 07h00 da manhã, e depois, no segundo período avassalador, por volta das 19h00 até ao raiar do novo dia seguinte. Nesse interstício aquece-nos um Sol revoltante, que, de algum modo misterioso purga toda a geada interior das gentes cautelosas e, pior, faz-las saírem em catadupas de répteis abjectos a absorverem-no como podem. Vejo as criaturas do ginásio defronte, na praça, a cumprirem as regras que o dinheiro pagou e o remorso comandou. Frágeis fac-símiles de seres humanos desesperados por melhores figura...

Beber uma morte anunciada.

Cada dia bebo mais. "Dorme meu pequeno mundo." - É um percurso mortal de um covarde, que prefere a lentidão líquida da morte, invés do abrupto suicídio brutal e espalhafatoso. Cada dia bebo mais, bebo mais...É um intuito determinado. Perderei o emprego, a família, a vida...estou certo disso, acabarei como todos os bêbados que não desistem de o serem. Porquê? Porque não consegui. Aí está! Guardei um rancor no corpo, pela vida fora, até ao seu fim. Foi a rejeição daquilo que a me propus que me perdeu. Quis ser o que não me deixaram e jamais esqueci. Sou, portanto, um ' cliché '. Bebo para colmatar uma falha que não me coube por escolha. Morro para justificar uma rejeição que sinto não ter merecido. Acabo-me na pior regra do mundo artístico, não lhe ser merecedor! Andei anos e anos nisto. Nesta determinação de atingir. Mandei tanta coisa para fora, tanto texto, tanta criatividade olvidada. Nem uma correspondência. É isto ser-se escritor? Também. Não aguento. Há um climax...

Os novos 'Apóstolos'.

  Apostolar é a tendência. Pouco importa sobre o quê ou se, de facto existe uma emergência racional a escalar o raciocínio que lemos ou escutamos daquilo que lemos ou que nos dizem. A acção é inerte e reflecte apenas uma necessidade egocêntrica; a de conseguir 'hits', 'likes', 'seguidores' ou, de algum modo preservar a intenção desnorteada de cavalgadura do interlocutor que a expressa. A plêidade de impropérios expostos nestes dislates, jamais rivalizaria com a ordem segura de uma própria noção de realidade. São pressupostos não atendidos. Hoje em dia, nem tampouco necessitam de o ser. A desrazão evoluiu tal, que as oportunidades apetitosas de auto-promoção simplificam-se pela variedade de plataformas sociais onde poderão ser veiculadas. Assim que, qualquer hominídeo com dois terços de um cérebro funcional, poderá, se assim o decidir, regurgitar seja o que for, sobre quem for, sobre toda a salubridade da razão e da sua proporcional harmonia com um arrazoado rumo...

Miss Kitty Says: Fuck U, haters!

O meu dono escreve, não gostais? Fodei-vos todos, tanto!  

Por fora do mundo.

  Se não apresentarmos presença regular em nenhuma rede social, o que somos? Alguém me disse que eu era um 'aborto', só por não estar. Outro, afirmou-me ser eu um ' dejecto ' do mundo contemporâneo. Lixo, basicamente. Há mais. Um amigo delineou melhor esta minha ausência deliberada: postulou-a assim: ' És fruto de uma minoria que ainda tem esperança...?' Quem, eu? Gostei tanto dessa frase que decidi vir aqui, ao 'meu mundo', expressar a minha secessão do mundo real, que é tudo menos isso. O mundo real de hoje, existe nas redes e quem lá não estiver, não existe. Logo, EU. não existo. Aos amigos que ainda se preocupam: estou vivo, meramente. Existo, por birra, mas, não farei mais parte de nenhum mundo que me obrigue a ser contribuinte para uma existência subjugada. Ando por aqui. Quem me quiser, encontra-me. Fácil!

Confundir os sentidos

O grosso destas nossas vidas são canções.  Pensem bem; onde melhor se ajustam aqueles momentos mais perfeitos ou terríveis? Na música. Admito aqui e ali algum poema, algum trecho sublime 'daquele' livro que me engendrou formas de me sentir justificado por existir, admito-o, sim, porém, foram sempre as canções da altura que me avançaram, detiveram, que me significaram.  Provavelmente vivi, ou vivo confuso com tanta coisa (não vivemos todos?), certamente que opto por uma postura que não é social, não é 'amiga' de ninguém. Escolhi a caverna em vez do prado. O buraco em vez do céu. A prisão liberta, em vez da liberdade agrilhoada. Se houve instantes de abertura, esses revestiram-se sempre de sons. Onde melhor me encaixaria, nisso, nessas músicas. Como se houvessem outros que me sentissem igual e que, só por isso, me fizessem parte. Me entregassem a justificação necessária para poder fazer parte. Para mim, foi sempre como se ouvir determinada música me dissesse que era exact...

Todos os Anos... são Fevereiro!

  Aproxima-se. Aproxima-se e convenci-me de que nem o veria, (este ano). Tolo, fui tolo, sou sempre tolo por pensar no melhor. O melhor jamais chega. A vida é assim, um novelo de desilusões, e eu, o gato antropomorfo que nunca se achincalha sem companhia, nunca esquece as tribulações que aqui me conduziram. Quer, mas, nunca brinca com o novelo...as 'patinhas' no alto a dominarem-no, a julgarem-no, analisando-o, controlando-o enquanto escorrega por algum longo corredor. Não! Não sou esse 'gato' brincante. Sou o 'gato' que só se atrapalha, corpo, alma e conquistas, o 'gato' que bebe pelo meio do seu próprio fim. O fim não chegou. Miau...! Mais uma passagem se fez e ele não chegou de novo. Vou matar os meus gatos para que não sofram com a minha perda.  Tomara que houvesse gente nesse mesmo sentido. Acabar seria um pacto. Não existem realmente. Suspeito sobre o alívio que este meu fim lhes trará. Acabo com os gatos, pronto. Fico descansado. Para a semana faç...

Portuguese Bombs

  Depois de exaustivas audições (entorpecidas, assumo), mas, mesmo assim carregadas daquele rigor desmedido a que sempre me acometo, concluo que os Clash não percebiam pevides do castelhano. Mesmo assim, neste contínuo torpor alcoólico, insisto em ter esperança de que uma música desta amada banda, em tons lusos, soaria bem melhor. A Espanha, mesmo que não nos tenha anexado, como sempre o quis, há séculos que nos fode a existência de formas que muitos nem imaginam. Esta música dos Clash, é uma delas!