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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro 21, 2014

A frustração é uma cabra!

Aos poucos, começo a sentir um incrível descrédito por tudo, mas, em particular pelo correio electrónico:
"Não o podemos usar/aceitar neste momento."
"Não captou o nosso interesse."
"Não se enquadra com as nossas necessidades."
"Só estamos a editar livros comparticipados pelos próprios autores."
"A sua obra não se enquadra na nossa estética."
"Não está conforme os nossos planos editoriais."
"Vamos ter de recusar."

"Lamento, mas falhou em criar ressonância connosco."
"Não é algo que que estivessemos dispostos a publicar."
"De momento, não possuímos espaço para adquirir mais clientes." (excepto se for algo realmente inovador).
"Não somos uma editora livreira ainda que gostássemos de poder vir a ser."
"Em virtude da nossa diminuta planificação editorial e da necessária selecção de originais que temos de fazer, não nos será possível considerá-la para publicação."
"O plano …

Um livro na mouche.

(...) "o tema é complexo: perda, sensação de fracasso, a ideia de que se gastou uma vida inteira para quase nada. O narrador, um professor de escrita ou talvez escritor falhado, enfrasca-se em Macau a observar a empregada chinesa de um bar anónimo, a falar com ela em imaginação (como se a rapariga pudesse perceber as palavras dele). Temos ali o cansaço e o desencanto, a impossibilidade de comunicar, a fantasia sobre a vida dos outros. (...)
por
Luís Naves no blog Delito de Opinião

Ah!

A estupidez não conhece limites, só pessoas, e os seus mistérios não trazem o prazo de validade à vista, daí ser tão difícil dizer ao certo o dia em que começam ou acabam. Aguenta-se sempre tudo em nome das pessoas de quem gostamos, é que o coração sempre se alimentou mais de esperança do que de tempo.

Febre de quinta de manhã.

O triste caso do homem medíocre

Corri para junto dela logo que tal me foi possível, e nem posso descrever os tormentos que senti até conseguir estar a sós com ela. Contudo, ainda posso ouvir o grito que soltei quando me precipitei para os seus braços: - Eles sabem! Bolas, isto é demasiado monstruoso! Eles sabem! Eles sabem! - Mas o quê...? - Quando me abraçou, foi-me impossível sentir a sua incredulidade. _ Aquilo que nós sabemos... e sabe-se lá o que mais! - Depois, soltando-me dos seus braços, expliquei, talvez de um modo demasiado incoerente, até mesmo para mim. - Aperceberam-se das minhas fraquezas, todas, de tudo. Não é que não faça bem as coisas que faço, simplesmente, não as faço com a excelência que eles pretendem. Não tenho mais em mim. Os homens, ou se vergam perante as suas fraquezas e depois se levantam, ou são completamente destruídos por elas. Não vês? Eles viram. E aperceberam-se, imediatamente, num instante. - Oh, sim?  - Oh, nada! O que eles pensam é terrível. São as pessoas mais terríveis de todas…

A pensar morreu um burro!

Pensava na morte todos os dias, todos.  De manhã, enquanto se vestia e se sentia vivo, imaginava-se arrebentado por uma rajada de tiros, levado mar adentro por um temporal violentíssimo, arrojado em braços até uma fogueira, atingido por um relâmpago rebelde, trespassado, soterrado, enforcado, envenenado; lavava os dentes e caía sem amparo, em queda livre, por penhascos sem fundo.  Só assim se sentia realmente vivo e nada o atingia, nada o conseguia ferir, nada além das palavras, que até de longas distâncias conseguem ter um poder destruidor.
Usava a imaginação da morte como um escudo silencioso, pois, estando calado, não estava necessariamente desarmado. Por isso pensava na morte, para afastar as palavras que o matavam aos poucos, e também, para se sentir vivo e forte. O que conseguisse. Parecia quase em casa assim. Morto por dentro, mas protegido. Pensar nisso, concedia-lhe a perturbante capacidade de se lhe apresentar, umas vezes, a segurança como bizarro, e outras, de o aproxima…

Como perder amigos e alienar outras pessoas

Tenho um gato branco...mas, que me adianta?