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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho 27, 2014

Da serenidade interior

Having a nice day?

O último mergulho.

É tudo verdade.
Tu deixaste a tua marca no meu mundo, enquanto eu, apenas o atravessava como um fantasma.
Um dia descobrirás o amor separado das paixões.
Serás magnífica, o fluxo sensacional de tudo o que é magnífico, o salto para diante.  Por agora peço-te, pára de tremer.
Por favor, pára de te agitar, de sufocar, de te amaldiçoares.
Descansa das complicações comigo.
Por uma hora prometi levar-te até à fecundidade da destruição, depois, soltar-te no mundo,
selvagem, como as redes de balouço egípcias do mercado ao ar livre.  Embalsamei-te nas minhas secretas viagens, como o guarda das coisas mais frágeis de todas.
Apanhei e juntei todos os fragmentos na memória.
e o teu tempo comigo tornou-se infecundo.
Devolvo-tos, são teus agora.
Para o bem e para o mal.
Correste como o vento, dispersando-me, dissolvendo-me...estou gelado agora, doente de tantas imagens sem brilho sem glória. Tudo foi feito para ser finito e tudo se decompôe nessa perdição.
Jamais te quis esse destino, jamais...
Se…

Bonjour Tristesse.

De que falamos quando falamos de amor? - A minha mãe morreu há quase dez anos, parecia dormir sossegada enquanto sofria aquele golpe fantasma da luta final. Foi numa terça-feira entre as dez e um quarto e o meio-dia, ninguém viu o exacto instante da sua morte. Nem sequer foi no Verão, quando a minha mãe morreu, todos os recantos da casa e do mundo exterior estavam frios, arrastando pedras, móveis, árvores e pessoas no rastro daquele gelo insensível, mas lembrei-me de tudo hoje. Até nem sou uma pessoa fraca, mas a minha mãe parecia feita de nuvens no dia em que morreu, e ainda assim fui incapaz de lhe pegar ao colo, de uma cama para outra para lhe mudarmos a roupa. Fui incapaz de ser firme uma última vez por alguém que sempre me fortaleceu em tudo. Lá em baixo um carro triste aguardava na rua de cascalho miúdo. Lembro-me de ouvir uma buzina surda a reclamar. Também fui incapaz de de lhe pregar olho, abafei tudo num pó fininho dentro de mim. Era tudo tão inútil e de uma tristeza tão ri…

Paris será sempre Paris...

"Quando fui realmente feliz? Em Paris, quando era muito pobre e vivia de cheirar as sandes dos amigos.“

- Ernest Hemingway -

I'm a freak too.

"George has fashioned me a metal finger tip. I am quite the town freak which satisfies!"

Ada, in Jane Campion's "The Piano"

Poema 11

Entre dois sexos e um corpo de whisky, puro, o ocasional esguicho e as ledas memórias, desenganem-se todos, os que pensam em lágrimas sozinhas. Ficar parado, invicto, já não resulta, garanto-vos, ficar duro, nesse espaço onde todos os gemidos contam histórias não traz proveito algum às vãs vertigens minhas. Ninguém jamais chorou solitário, jamais! Que nunca houve Um que não chorasse por Dois, e chegada rápida, a dor do luminoso dia, não se sentisse a mais. Sozinho, a mais. Pouco mais que um espeto de agulhas por dentro, e depois, nem me convençam de outra luz que não seja esta, negra, bela, absoluta alternada aqui e ali, por pontinhos tímidos de alegria, e ursos calmos de tanta acrobacia. É que todos os dias nasce por aqui, um novo infeliz, neste lugar maravilhoso, de circo, perdição e  terna complacência de silêncio. Pensar diferente disto é uma entrega à heresia.  Seja por amor, bebedeira ou pura ilusão, (e isto ninguém nos diz.) Seja por brutalidade essencial ou mero aceno airoso, ou qui…

Sempre a rodar....

Nunca soube bem acreditar em milagres. faltava-me sempre a roda infinita da liberdade, e acabava preso à razão. Sei pouco do que vale bem a pena saber. Só sei que és um céu, que és um céu que não acaba, e eu afinal, um pequeno milagre de movediço mar apaziguado, que se acabou feliz na nudez quente dos teus braços.

A Noite em que Gershwin me salvou - I

A casa paroquial ficava ameio caminhode uma encosta íngreme que exigia umsprintintermédioaté ao final. Era no topo de um bairropobre, desconjuntado, coma melodiacadenciadadetodas as ruas estreitas mais abaixo, a convergirem daínos diasde chuva.Havia um terreiro de saibro na parte de trás, atapetado com paletes de madeira e musgo vivo, desenfreado, coberto deteimosia com uma só chapa de zinco, tão bem aparafusada, que morreriade pé mesmo que tudose afundasse em redor. Era meia-noite fria, frágil e exausto, Plínio Monteiro sabia que metade da paz estava em não a desmentir nunca. Pensava nisto enquanto varria a pequena enxurrada de lixo trazido pela chuva, com uma vassoura de piaçás desmaiados. A outra metade era um exercício precário de compreensão. Só isto. O papel de ambos era evidente naquela relação; ele conseguia as coisas, ela mantinha-as por perto. Não tinham filhos e suportavam esse vil lapso da natureza sem se recriminarem. Assim ela o julgava pelo menos. Plínio, mais do que tud…

Rapariga às voltas no pequeno espaço.

Se...

...se o próximo carro for vermelho...se parar no bem-me-quer...se sair coroa na minha mão...se eu não pisar nenhum risco até ao fim da rua...se ela atender ao terceiro toque...se...

Se isto não o excitar respire pelo rabo até morrer.

Dos medíocres

Contra o avanço galopante da mediocridade, há que ser do contra; contra os pitosgas verborrentos, contra os que invejam parvoíces, contra os tristes patológicos, os soberbos cheios de ignorância, os iluminados covardes, os especiais, os malditos especiais. Finalmente, ser contra, veementemente contra os que sabem tudo, mas sobretudo, contra os que sabem tudo e não se conseguem exprimir senão pela bitola do sarcasmo. Sobretudo estes. Basta de dissimulação. Havia de se poder guilhotinar o mais leve hálito a todas as ironias, a todo este desdém virulento, que alastra e alastra, perigosamente. Decapitar o medíocre a essa gente, cauterizar-lhes a ferida, e voltar a soltá-los no mundo como belos bandos de aves livres, finalmente.