Nunca saberemos muito bem porque nos morrem sempre aqueles de quem gostamos. Morrem ao seu tempo, feito ou destinado, mas morrem e como gostamos deles sentimos que são esses que nos morrem, sempre. Talvez, em si mesmo, seja já um desgosto anunciado gostar, mostrar apreço, ter afeição e a única sorte que nos calharia para não sentirmos estas mortes debaixo do Sol, seria morrer antes destes. Em princípios dos anos 2000 (já um pouco tarde, mas nunca tarde demais) uma amiga apresentou-me os Cranberries , uma banda irlandesa de rock alternativo , indie-pop , post-punk , folk , dream-pop , sei lá. Nunca liguei muito a estes rótulos. Emprestou-me o álbum " Bury the Hatchet " (1999), um disco excelente, e assim que ouvi aquela voz feminina (Dolores) a segurar por completo todas as músicas do disco, fiquei apanhado. Completamente encantado. É certo que tenho uma moderada 'panca' por quase tudo que me chegue da ilha esmeralda, mas aquela mulher conquistou-me no primeiro s...