Há oito dias de um ano já a morrerem-me. Estou tão cansado deste caminho e faz oito dias apenas neste calendário. Que será de mim nos restantes, estarei aqui ainda? Estou exausto de estupidez. A estupidez põe-me em salmoura, deixa-me o cérebro reduzido uma planície salina de calor e solidão. Os dormentes enfurecidos saem do céu platinado, todos cheios de crostas de lama podre nos olhos, endurecidos em todos os restantes lugares do corpo. Cada passo batem com os cornos numa realidade de limites abertos que não toleram nunca. Dobram-se, dói-lhes o pescoço abaixo da cabeça em branco, e ficam com o equilíbrio em perigo. Todos os dias nasce mais um horror monótono que lhes baralha um pouco os cérebros. Mordem os lábios com força, e o que observam de liberdade no resto do mundo, parece servir-lhes de estímulo para mobilizarem as reservas mais íntimas de estupidez. É uma posição privilegiada, a da estupidez. é também um estado de escravidão, é pois, mas o resto do mundo permite-lh...