Quando era puto, pensava e agia como um puto, alheio a tudo que me afastasse do meu digno caminho de querer ser o que ainda não sou, basicamente fui sempre pouco mais que um híbrido entre um gandim e um tótó. Com um mau corte de cabelo, borbulhas, calças justas a matarem-me as gerações futuras, e uma curta vida aos pedaços, fragmentada em tanto de relevante como de vísivel; duas novelas e sete contos, que serviriam um dia para fazer uma bela fogueira num Inverno mais aguerrido. Não vendi nada. Ainda assim, fui feliz, estranhamente. Escrevia umas coisas, e, ao contrário destes tempos de agora, éramos poucos aqueles que escreviam com intenção. Hoje em dia, basta ter piada no facebook e já somos sérios candidatos a escritores, daqueles mesmo sérios, que vendem tudo, antes mesmo de estar escrito. Como não quero essa merda, vendo mas não chateio ninguém, faço mas não sou, escrevo mas não sou escritor. Tenho as palavras livres, e as frases são só minhas. Os tiranos só se deleitam com os ...