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A mostrar mensagens com a etiqueta Livros

Textos Devolvidos VI

O Orgulho é uma Nuvem Um dia acordarei longe do teu abraço.  Porque existir é outra coisa diferente disto que me exiges: é a surpresa da vida,  o encontro da emergência de aqui estar, o princípio bondoso do amor próprio  e também o seu maravilhoso fim.  Um dia não precisarei mais de pedir a tua mão acumulada sobre o meu destino.  Um dia serei o meu mundo próprio.  Serei assim, 
 E poderei ser livre finalmente, como as orgulhosas nuvens de outrora.  Vagueando pelo céu eterno, sem pedir permissão a ninguém. 
 Um dia serei alguém sem arrogâncias, alguém liberto de todos os cinismos,  de todos os azuis anti-naturais, tingidos. 
 Um dia serei melhor, alguém melhor! 
 Um dia acordarei longe e certo, e nesse dia serei somente a minha própria luz.  
 Que o fogo dos outros em nada me ilumina, 
  em nada me seduz. 
 Porque os dias só feitos de mãos atiradas ao vazio são a morte mais lenta de todas.  
 A m...

Black Friday?

Começar um novo Livro por Acabar Poema 5 Depois do primeiro olhar apanhado de surpresa fora das margens, ficaste sentada num nicho de pedra azul naquele novo absoluto pasmo que se sente face ao branco de um começo. Aí escreveste o nosso romance inteiro.  Um breviário. O ponto final foi a mais perfeita sentença que sempre imaginei para uma tarde só feita de olhos postos. Deslizaste-os lassos pelo meu peito assolado pela fome  de meses inteiros de iliteracia e aí deixaste a frase a começar um resto de dia para sempre. Logo despi todos os medos no calmo rio, defronte. Misteriosamente, libertou-se uma mecha do teu cabelo pelo vento do entardecer e os teus lábios nem se mexiam eram só o teu sorriso parecido a um fogo-de-artifício em câmera lenta, luzes lentas num fim de tarde quente de Verão, abrindo a minha frágil trincheira.. Falhar-te-á um dia a minha memória, e o que fomos ruirá, no primeiro vento que o ...

Vila do Conde

para Rui Pedro Tendinha Dormi pouco. Fiz trezentos quilómetros. Julguei ver-te várias vezes no caminho. Encontrei os teus cabelos soltos numa estação de serviço. Ao abrir sem querer o guarda-luvas redescobrirem o teu cheiro. Por duas vezes pensei na tua boca em estado de pura provocação. Eras quase tu e nunca me dizias nada. O cansaço deixa-nos tão vulneráveis. Um bom amigo levou-me para o Norte. Achou por bem que mudasse de paisagem, de companhias. Na noite em que chegámos bebemos tanto, ele ainda mais do que eu. De manhã não se recordava do fim da noite. Perguntou-me várias vezes se não tinha feito nenhuma asneira e não se mostrava tranquilo quando lhe dizia que não. Como se eu não fosse de confiança no que respeita a recordações. Havia um rio, havia rosas. Eu acho que tivemos sorte. O meu amigo só me pedia que não o deixasse sozinho, que tinha medo de não voltar a encontrar o caminho do hotel e no hotel a porta do quarto. Dormi sozinho. Antes ainda li alto uma tradução de ...

Quando nos desaparecem os livros...

Corre!   Se não está na  não existe????

Paixão galopante e sem espaço

Cruz

Dia 6 de Novembro chega às livrarias o novo livro do meu autor português contemporâneo favorito.  Ora, da forma como encaro as coisas, gastar-se dinheiro em livros é uma poupança sem contraponto. Uma anestesia permanente na ignorância. É como abrir uma conta na caixa de depósitos de um melhor futuro. - Enfim, melhor é deixar-me de lirismos - gosto mesmo muito do Afonso Cruz e não me enguiço nada em partilhar isto convosco.

Textos Devolvidos II

(...) Gabriel era um palerma, sim, um débil pamonha cheio de fraquezas emotivas. O pai dele era o seu inverso, o Hermenegildo acredito que fosse selvagem, sem dúvida. Os gonzos descambados da porta assim o provavam. Como é que alguém  não selvagem conseguiria vergar aquelas dobradiças num empeno, com a simples força do seu corpo? - Além disso, havia também a história, sim, aquela misteriosa história que o Gabriel, a muito custo nos contou certa vez, sobre ele.  Não era uma história sobre o senhor Almeida entendam, mas tão-somente a história do bravo Hermenegildo Almeida. – Há aqui uma notória diferença. - Onde este, dotado de um sangue mais vermelho que a maioria, e com dezassete anos apenas, fugira de casa sem qualquer aviso, rumando a Espanha, para se juntar aos retalhos das brigadas internacionais, os soberanos republicanos que lutavam contra o fascismo do General Francisco Franco. Gabriel não era exactamente um bom contador de histórias, de modo que tivemos de fazer...

Fazer excertos é mais fácil que morrer.

(...)  Assim te vi no princ ípio, onde nada nunca est á onde é suposto. Eras uma casa feita em segredo. Todas as casas têm baús misteriosos cheios de cartas de amor em porões de saudade,  escondidos nos escaninhos mais profundos, entre as peças inacabadas de dominós de alabastro,  as colchas garridas da tia louca,  os acessórios do sexo esquecido,  a parafernália do animal morto,  os vídeos descartados ao inferno do digital,  as decorações de natais estéreis,  os livros por publicar... Tantos livros por publicar. Mas, só as cartas de amor, meu amor, nossas cartas,  tantas cartas de Amor desperdiçadas, nesse poço desigual, sobrevivem. Sabes... Em cartas de amor esquecidas nem os bichos vermes ou as coisas encravadas, ou a mais ténue esperança conseguem sobreviver de todas as possíveis maneiras que a literatura lhes reserva. As cartas de amor são a mais nua e democrática escrita inútil já inventada...

Ainda a 'governar' pela sombra dos usados.

Feira do Livro do Porto '18 Foto tirada por uma amiga/leitora Obrigado Olga, muito, muito obrigado.

Poesia Fantasma

Novo Livro, para ser esquecido de igual forma... " (...)  E ste poema sobre o que s ó a mim me interessa daqui para diante, quando os estranhos j á  o tiverem lido, receber á  uma chamada de telefone do exterior. Caro senhor: parece que as ondas j á se  foram todas, sem entender o que o senhor diz fique mais em terra, sossegado que o mar, picado contra o seu favor n ão quer saber de nada do que o senhor quis. Assim, na soma geral das coisas onde se junta a sua pequena litania em contram ão é tudo inútil e sem juízo, como rid ícula é  toda a sua express ão. Acredito, por ém, que os s eus sonhos como os meus, serão a passagem para dois que comprei para o para íso, ou quiçá... n ão! (...) " "Todos os Fogos são Fevereiro" Poesia - 2017 - AutoPublicada. https://www.bubok.pt/livros/11520/Todos-os-Fogos-sao-Fevereiro

Seis anos depois...

Custa-me a crer que depois de mais de seis anos volvidos, um livro meu ainda esbraceje por aí nas mãos de alguém, que esse mesmo alguém o venha a ler e, que por algum milagre, se decida a enviar-me mensagem por e-mail dando-me conta daquilo que achou sobre o mesmo. Bem, aconteceu mesmo. E deixo-vos aqui a mensagem na íntegra (com a sua autorização devidamente) para que saibam o que pensou o Sr. Laranjeira, após o ter lido. Muito obrigado. "Teria muito a dizer-lhe sobre este seu livro ( Governo Sombra ), mas p oupo-o maiores deambulações: acho que é um livro acima do mediano, que justifica encómios e leitura. Tem a densidade dos grandes romances que desbravam as entranhas do que é ser humano. Faz a digressão pela escuridão construindo uma ideia em que os caminhos se bifurcam e alongam obrigando o leitor a olhar o mesmo cruzamento várias vezes, sempre chegando por um caminho distinto. Abre portas inusitadas. Usa imagens tão evocadoras quanto domesticadas são as palavras que a...

Esquecermo-nos de ser quem somos.

Comecei ontem a leitura do livro  "Oblívio"  de Daniel Jonas. A intensidade de certos poemas é enorme. Jonas tem a capacidade de nos transportar para o centro do seu assombro (lucidez, dirão alguns; loucura, dirão outros). Será um livro que irei ler e reler. Tenho a certeza. "Assim no meu soneto aqui gravei quem não sou nem fui e menos serei"

Coisas insensatas das Ausências

(...) Esfarelou-se como um lenço de papel perante o espirro furioso de um gordo e disse-me: “Há muitos fenómenos de visões. Nós, pastores, conhecemos sempre alguém que nos vem dizer que tem visões. Estes fenómenos são naturais. Não que esteja a aguardar que a Nossa Senhora venha do céu por aqui abaixo.   - Riu-se falsamente. - Se o fizesse, certamente que faria logo paragem no oitavo, beberia um copo, conversaria com a passarada, apanharia um pouco daquele arzinho cristalino, e descansaria os pés, – ou as asas, não sei – na balaustrada aquecida. Um esquema de engonha, demorando o seu santo tempo, a ver se valeria a pena o esforço final da descida. Não, não. Esta minha situação, afinal, não passa de uma realidade profundamente evangélica. E o que acontece quando deixamos transparecer os nossos defeitos? Somos linchados, pois claro. Taxados de loucos, sem juízo, caídos longe da realidade.” E eu acreditei em tudo, como se fosse mesmo comigo. Foi no caminho de...

Com pássaros na voz

Eram ontem seis da tarde  quando o coração se me suspendeu . Nem arritmia nem taquicardia nem palpitações nem nada dos tumultos habituais. Descobri apenas uma gentileza de um estranho. E de tão raros que são estes movimentos autónomos da internet, moveu-me. Alguém decidiu suspender um pouco do seu tempo próprio e criar um vídeo onde faz a leitura de um excerto do meu novo livro: " A Ausência dos Pássaros " depois de o encontrar na minha página do Facebook, onde eu o havia postado. Foi como ter um peito que não mexe e de repente,  sentir o vento que se levanta enquanto o dia assenta. Muito obrigado por este gesto tão bonito Paula Machado , muito.

em dia de orgasmos...

...lê-se « Todo o livro é [...] uma portentosa e eloquente contradição da chamada sexualidade branca, assexualidade ou sublimação dela, que têm sido as tonalidades dominantes, quando se trata de abordar esta zona, das mais obscuras, do caso Pessoa.» Hugo Pinto Santos, em   Orgia Literária

...onde o vento sopra mais forte

O meu caríssimo amigo Rui T, em actuação ao vivo no Teatro Municipal de Vila do Conde, com o novo tema, entretanto já gravado: "Corre", baseado no meu livro com o mesmo título. O Humberto sorri algures. Podem saber um pouco mais sobre o Rui e o seu trabalho, aqui .

Corações tão deslavados de morte eficaz

Adolfo diz-lhe: - Anda cá. Vem viver no meu coração . Ela hesitou. A sua última palavra ficou suspensa no desejo do ar do quarto, como uma nota falsa de duzentos euros. Adolfo chamou-a de novo, ela pôs-se de pé, levantou os braços e despiu a blusa, rodou o trinco do soutien, de trás para diante, soltou-o e aproximou-se dele sem guardar recordações de nada, porque tinha o coração definitivamente mutilado para o amor. (...) Excerto do conto -  O Triste caso do Homem sem Fim - in " Estórias de Amor para Desempregados " Miro Teixeira Auto-Publicação 2016  -  Estorias-de-Amor-para-Desempregados  - Link disponível só para loucos e aventureiros com boas almas que anseiem saltar fora deste tempo.